01 maio 2007

O 1º de Maio

Comemorei o dia do trabalhador a trabalhar. Porque precisava, porque tinha que ser. Durante o caminho fui ouvindo várias frases desgarradas, várias considerações sobre o sindicalismo e os sindicalistas, sobre a relação entre os patrões e os empregados.

Desde que me lembro, o 1º de Maio enche-se de manifestações cuidadosamente programadas para lutar politicamente contra os governos, quaisquer que eles sejam. E desde que me lembro, os oradores são praticamente os mesmos, as frases praticamente as mesmas, as faixas, os cartazes, as palavras de ordem, os lamentos e as promessas de luta, tudo igual.

O mundo mudou e muda todos os dias. O problema do trabalho, ou mais precisamente da ausência dele, é dos maiores desafios que se colocam à sociedade que vamos construindo. O paradigma do trabalho para toda a vida acabou, há milhares de pessoas a quem é negado esse direito.

Para quem tem emprego, a insegurança dos postos de trabalho é cada vez maior e o uso que as entidades patronais fazem dessa insegurança é cada vez mais preocupante.

Tal como no início do movimento sindical, a mobilização dos trabalhadores em volta de associações que os protejam e os defendam é hoje uma necessidade avassaladora.

Mas não nestes sindicatos que avaliam a sociedade com os olhos de há 30 anos, não com estes sindicalistas que não conhecem o trabalho, as suas condições, a sua competitividade, a sua falta de ética, porque efectivamente são funcionários administrativos no seu próprio sindicato.

Rigor e a exigência devem ser a bandeira de quem diz defender os trabalhadores, a formação, a competitividade, os bons resultados, a exaltação do mérito. Só assim podem exigir exactamente o mesmo das direcções das empresas, dos directores dos serviços, dos patrões, dos ministros, dos governos.

Os sindicatos devem ser associações que dialoguem com seriedade e com verdade com os representantes do poder instituído, para que impeçam e denunciem as arbitrariedades que vão sendo cometidas, sem respeito nem preocupação pelo futuro das empresas e de quem lá trabalha.

É necessário um movimento sindical renovado, que defenda verdadeiramente o trabalho e lute por condições dignas numa sociedade em que as regras da solidariedade se vão esquecendo, e em que a lei parece estar sempre do lado do mais forte.

3 comentários:

  1. Eufrázio Filipe00:59

    ESCREVO DIRETAMENTE -admito perder-me .
    NAa vida é evidente a necessária renovaçaão-porque também nós próprios não somos precisamente os mesmos de ontem ou amanhã - Só que não somos só matéria em transformação permanente - somos mundos sensíveis .inteligentes ,que pensam uma coisa tão simples - sem memória não temos amanhãs - ou temos - mas desqualificados - ou mais qualificados?
    A vida de facto é boa de viver em liberdade - em democracia - nos sonhos acordados - só - mas sem isolamento - com amigos reais ou inventados?
    É verdade os sindicatos - os poderes - as estruturas -a família - os amigos - as paisagens,os vizinhos,os camaradas companheiros e amigos,nós próprios nos espelhos preferidos --- tudo precisa ser renovado - exceto as memórias para construirmos novos amanhãs.
    PERDOE TANTO TEXTO
    pOIS É - Todos fazemos diagnósticos
    estatisticas,improvisos de sons e versos lindos - e vale a pena.
    Vale a pena intervir - colocar pauzinhos nas engrenagens - confrontar ideias - discordar -
    Sobretudo vale a pena não ser indiferente - nem arrogante - ser livre de verdades absolutas mas ter fortes convicções.

    desculpe -perdi-me

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  2. impaciente15:42

    O movimento sindical está minado, há muitos anos, pelo individualismo cego.
    Outro problema grave com que se confronta é a incapacidade para lutar, com armas iguais, com quem detém o poder (vulgo, dinheiro!). São esses detentores do “poder” que pagam as eleições e tiram desse facto os dividendos.

    Valha-nos quem, brilhante estadista, defendeu ontem, 1.º de Maio, que “o trabalho liberta”! Não é original, mas esqueceu-se de explicar: é o trabalho de outros que o liberta, para poder “brincar aos políticos”!

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  3. Sofia Loureiro dos Santos12:58

    Está tudo muito cinzento e previsível. São precisas algumas revoluções, cortes, rupturas, renovações. Os sindicatos são essenciais, cada vez mais, mas não assim, assim estão condenados ao desaparecimento. E quem perde são os verdadeiros trabalhadores! E por acréscimo, todos nós.

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