Como mãe sou uma privilegiada, pois os meus filhos são independentes e autónomos, poupando-me a filas intermináveis e a estéreis perdas de tempo.Mas por muito rebeldes que sejamos, há sempre uma altura em que somos engolidos pelo sistema.
Este ano, e por causa da complicadíssima grelha de disciplinas obrigatórias, opcionais, específicas, técnicas e outras denominações que nunca entendi, em várias combinações a serem escolhidas no 10º ano de escolaridade, disponíveis em escolas consoante o número de alunos para cada área e para cada combinação numa mesma área, foi necessário mudar de Escola Secundária.
Pensava eu, na minha santa ingenuidade, rendida e aplaudindo o choque tecnológico, que tudo poderia ser feito da primeira para a segunda escola, por métodos informáticos.
Em Julho e após a saída dos resultados dos exames do 9º ano, abriram as matrículas na 1ª escola. O meu filho, que já sabia tudo sobre opções, escolas e papéis necessários, estendeu-me alguns para assinar (que entretanto ele já tinha preenchido) e, munido das fotografias, fotocópias e originais do boletim de saúde, bilhete de identidade e sei lá que mais, entregou todos os papéis na 1ª escola, onde o informaram que tratariam da transferência do processo e da matrícula para a 2ª. Lógico, pareceu-nos a todos.
Antes de irmos para férias, ainda em Julho, ele desloca-se à 2ª escola onde o informam que o processo ainda não chegou, mas que ele tem que lá ir, acompanhado pelo encarregado de educação, mostrar os originais do bilhete de identidade e do boletim de vacinas, para confirmar a matrícula, e pagar a respectiva propina. Como no dia indicado não estávamos disponíveis, agendaram a excursão para Setembro, às 9:30 horas.
Pontualmente às 9:30 horas no dia determinado plantámo-nos (eu e o rebento) à porta do refeitório da referida escola, onde decorria o processo de confirmação da matrícula. Nas mesas dispostas em 2 filas contínuas, estavam espalhados 4 computadores com as respectivas impressoras. Junto a um computador agrupavam-se 3 professores, que trocavam impressões em voz alta e ligeiramente histérica, sobre processos que não encontravam, referentes a 2 desgraçadas crianças à nossa frente, com os respectivos encarregados de educação.
Sentei-me. Foi-se formando uma fila de jovens, pais e mães atrás de nós.
Às 10:00 horas, depois de muitas andanças dos professores à volta dos computadores que, pelo que percebi, estavam a ser instaladas as impressoras naquele exacto momento, escada a cima escada a baixo à procura de processos que já deveriam ter chegado, apelando alto e bom som para a preciosa ajuda de uma das professoras que parecia ser a única que sabia o que estava a fazer, fomos chamados.
À nossa frente uma professora muito formal e bem-educada, que olhava com ar embasbacado para o computador, teclando no teclado com 2 (talvez 3) dedos hesitantes e medrosos, perguntou-nos o nome (do rapaz), tendo-se levantado de seguida para ir buscar o processo. Ao trazê-lo, e aos papéis de matrícula já entregues em Julho, pede-nos para preenchermos outra vez os papéis todos, enquanto foi também preenchendo uns formulários no computador, já meio preenchidos, e viu os boletins e os bilhetes todos que eram pedidos. Quando se tratou de escolher as disciplinas, descobriu-se que a escola obrigava os alunos a matricularem-se numa disciplina, que não era obrigatória, para depois anularem a matrícula, caso quisessem fazer a outra disciplina a partir do 11º ano! Confuso? Porquê? Há lá coisa mais lógica!
Às 10:45 horas a professora deu-nos um dos papéis para irmos pagar a matrícula à secretaria.
A secretaria, após 4 lanços (ou 8, já nem me lembro) de escadas, estava deserta, ou melhor, com um senhor que aguardava, dizia ele, “que fossem buscar papel”. Uns largos minutos depois aparece uma senhora (outra que não a que tinha ido buscar papel) que ficou muito espantada por eu estar ali a pagar as propinas, pelo que foi telefonar não sei a quem, com a velocidade do caracol (não é preciso dizer que, nesta altura, eu estava que nem uma panela de pressão!).
Felizmente apareceu uma miúda que nos informou que o pagamento era na papelaria, ao lado do refeitório onde decorriam as matrículas.
Tornámos a descer as escadas, e lá encontrámos a papelaria. Quando estendi o papel para pagar, a empregada pediu-me o processo. Qual processo? perguntei eu contendo a fúria; o processo do menino, sem o processo não posso receber! respondeu ela, com ar de evidência.
Explodi, insinuando com muitos maus fígados que estavam a gozar comigo, pois estava há 1 hora e meia a confirmar uma matrícula, ao que a rapariga ficou muito indignada. O meu filho lá foi buscar o processo e já passava das 11 horas quando, finalmente, conseguimos sair da escola.
SIMPLEX? Por muitos choques tecnológicos que o Eng. Sócrates faça, sem alguns choques de inteligência e profissionalismo não há nada a fazer.
Fantástico o simplex. Como seria o complicadex? De matar... O que nós já devemos a este governo...
ResponderEliminarLS
Para os amantes do sistema simplex recomendo a experiência de pedir uma certidão de nascimento online. Se for directamente à conservatória, consegue resolver o assunto no próprio dia, mas se quiser usar o eficiente portal do cidadão, com um pouco de sorte ao fim de uma semana terá o documento (estava com pressa, pedi a 30 e Agosto e ainda estou à espera, talvez amanhã. Do portal do cidadão informaram-me que eles só encaminhavam o pedido o resto era com a conservatória, de facto estranhei não conseguir ler nada concreto sobre prazos, agora fez-se luz!)
ResponderEliminarÉ realmente o cúmulo! Não consigo compreender por que motivo o processo de renovação de matrículas dos nossos alunos ainda não se simplificou...
ResponderEliminarNão há simplex que ajude a tanta falta de energex!
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