Sempre me intrigaram os critérios editoriais dos jornais, muito pelo que escolhem ser notícia, mas também pela unanimidade e homogeneidade dessas escolhas.Habitualmente no Diário de Notícias e no Público as notícias de capa são as mesmas, os desenvolvimentos semelhantes, enfim, a globalização até já globalizou as cabeças dos jornalistas. Hoje, para meu espanto, nos dois jornais, exactamente com a mesma fotografia, ocupando uma página inteira, um artigo sobre a demanda, pelos incontáveis herdeiros, da herança milionária de um comerciante de nome Manuel Vicente D'Anunciação, que morreu em 1899!!!
É de inquestionável importância a existência, ou não, da fortuna, dos herdeiros, verdadeiros ou falsos, da batalha judicial entre portugueses, brasileiros e ingleses, justificando-se plenamente o espaço e a relevância que dois matutinos de grande tiragem, com fama de seriedade, lhe dedicam.
Muitíssimo menos importante é o facto, noticiado há dois dias e nunca mais mencionado (dada a frivolidade e superficialidade do mesmo, quase a roçar o brejeiro ou mesmo o pornográfico, justificando plenamente a ausência de interesse jornalístico) de a REFER ter anunciado a intenção de rescindir o contrato com a Teixeira Duarte, na sequência do pedido, pela mesma, de prorrogação do prazo de finalização da reabilitação do túnel do Rossio para… 2011!!!
É claro que é uma infeliz coincidência ser a mesma Teixeira Duarte a fazer as obras do metro do Terreiro do Paço!
É claro que são de uma clareza virginal os critérios editoriais que resultam no esquecimento deste assunto irrelevante, nos media e também na blogosfera (com honrosas excepções).
O silêncio é de ouro!
Análise deveras interesante...Contra o pensamento único só existe uma saída : cada um pensar pela sua própria cabeça. O que , convenhamos, neste enquadramento não é nada fácil...
ResponderEliminarCumps
Parece que vivemos uma ilusão ao acreditarmos na possibilidade de um informação livre e independente.
ResponderEliminarSerá?
Pois se não é, disfarça bem!
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