17 junho 2006

Às vezes


Às vezes precisamos virar a alma do avesso, dormir quando antes acordávamos, viver quando antes agonizávamos.

Abro e fecho os livros à procura da palavra, do poema, da luz que me acenda vontade e enleio. São os poetas que convoco neste apelo mudo, é dos poetas que exijo clarividência e sentimentos expostos.

Às vezes o toque dos dedos nas folhas, o cheiro do papel, a mansidão das letras que se entregam aos nossos lábios, conseguem acalmar o anseio. Solenemente, ouço vozes cadenciadas que lentamente me soletram a paz.


(pintura de Joan Miró)

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