23 agosto 2024

Direitos inalienáveis

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"We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal, that they are endowed by their Creator with certain unalienable Rights, that among these are Life, Liberty and the pursuit of Happiness"


Declaração da Independência dos Estados Unidos da América



 


A campanha presidencial dos EUA adquiriu, desde a desistência de Joe Biden, uma centralidade e uma importância que já se previam, mas com uma direção mais ou menos inesperada, com o seu quê de revolucionária.


Pela primeira vez desde há muitos anos, é a luta por valores humanistas, a pela comunidade, pela verdade, pela honestidade, pelo respeito pelos outros, pelo serviço público, pelo direito à procura da felicidade, em confronto com o primado do momentâneo, do materialismo, do egocentrismo, da exclusão, da marginalização, da glorificação do poder pelo poder, da razia de tudo o que nos cola como seres humanos – amor, empatia, compaixão.


Os democratas perceberam que é fundamental que estes valores sejam recuperados, que a vivência em democracia depende da decência e da vontade de servir os outros, muito mais do que a vontade de se servir a si próprio.


Há uma diferença fundamental nestas duas visões da sociedade e da política. Os republicanos tentam arrastar Kamala Harris para as explicações económico-financeiras da sua presidência, tentando marcar a agenda com os únicos temas que sabem que podem assustar o povo - imigração, crise, desemprego. Porque a sua liderança é pelo medo, pela mentira, pela vingança.


Espero que Kamala Harris marque a agenda pela diferença de valores, responda não às provocações de Trump, mas aquilo que considera fundamental num Presidente dos EUA, com um poder de influência mundial.


É hora de voltarmos ao futuro, sendo revolucionariamente alegres e audazes, verdadeiros e capazes de desafiar os azedumes, as traições e os enganosos milionários.

As dificuldades de Hugo Soares


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Trump ou Kamala? “Teria muita dificuldade” em escolher


Hugo Soares tem “discordâncias profundíssimas com a forma de estar e de fazer política de Donald Trump”, mas não suficientes para ter a certeza de que votaria em Kamala Harris. Se fosse eleitor nos EUA e tivesse de votar no sufrágio marcado para novembro, “teria muita dificuldade” em escolher entre o candidato do Partido Republicano e a do Partido Democrata. A entrevista do secretário-geral do PSD ao Expresso foi feita na terça-feira, poucas horas antes do aparecimento do casal Obama na convenção dos democratas, em Chicago, e, questionado sobre a disputa que está no centro da política internacional, Hugo Soares respondeu que conhece “muito pouco” de Kamala Harris, que não foi uma vice-presidente com “destaque que desse para o mundo conhecer profundamente o seu pensamento”.


Expresso





Estes são momentos definidores decisivos para quem assume cargos políticos.


Ter dúvidas entre um criminoso, anti-democrata, desequilibrado, vigarista, trapaceiro, sexista, predador, racista como Donald Trump, e outra qualquer candidata que, por muito mal que se conheça, tem mostrado ser o contrário de tudo isso, inclusivamente nos anos que já passou em serviço público nas várias funções exercidas, nomeadamente como Vice Presidente dos Estados Unidos, é definidor de quem o diz.


E é precisamente essa a escolha que, em novembro, será a dos americanos.


E será a escolha de todos nós, em qualquer momento das nossas vidas.


19 agosto 2024

Let's win this

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(...) 


The vice president held advantages of at least 4 points in four state polls from The New York Times and Siena College — Arizona, Michigan, Pennsylvania and Wisconsin — that alone would hand Harris enough electoral votes to win the presidency, even if she lost the other swing states.


The former president is still well within striking distance, even after struggling to regain his footing against a new opponent. According to the latest FiveThirtyEight polling averages, Trump would only need to flip one of the three “blue wall” states — Michigan, Pennsylvania or Wisconsin — in order to win in November, as long as he takes all of the states where he is currently ahead of Harris in polling averages. (...)


Politico



 


Não deixa de ser interessante o número de vezes que se repete a inconsistência e imprecisão das propostas económicas de Kamala Harris, como se houvesse, do lado de Trump, alguma proposta que se pudesse classificar como tal.


E também se repete, vezes sem conta, que os americanos confiam mais em Trump que em Kamala Harris, precisamente no que diz respeito às áreas económicas.


Confesso que todas estas considerações me deixam cada vez mais perplexa. É que Donald Trump não diz nada que se aproveite, em nenhum campo político ou social, só profere inanidades e insultos.


Não deixa de me surpreender como é possível sequer comparar uma a outro.


Não deixa de me inquietar como é possível, num país como os EUA, haver um indivíduo como Donald Trump a disputar, pela segunda vez, o cargo de Presidente.

15 agosto 2024

El tesoro

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Nunca he tenido nada


y ahora tengo todavía menos.


Cada vez menos.


Restas de nada


que van dejando nada en mis bolsillos,


en mis cajones, en mi avara memoria.


Atesoro el tesoro


que nada vale para los demás.


Cruzo los dedos para que me dure


la cotidiana posibilidad


de darte el beso de las buenas noches


y el de los buenos días.


 


[Amalia Bautista in Azul el agua


La Bella Varsovia - 2022]


 


Nunca tive nada


e agora tenho menos ainda.


Cada vez menos.


Sobras de nada


que vão deixando nada nos meus bolsos,


nas minhas gavetas, na minha avara memória.


Valorizo ​​​​o tesouro


que nada vale para os outros.


Cruzo os dedos para que dure


a quotidiana possibilidade


de te dar um beijo de boas noites


e um de bons dias.


 


[Tradução minha]

12 agosto 2024

Nada

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Camille Claudel


1.


Ao meu lado


naquele espaço que já não preenches


ouço uma voz ausente.


No silêncio desta tarde morna e quieta


aguardo um respirar uma pergunta


um chamamento


aqueles pequenos nomes que inventavas


e que eu sabia


num misto de ternura e indignação


serem só nossos.


Ao meu lado


dói-me tanto já não seres.


 


2.


Tantos móveis lençóis


chávenas pratos copos


almofadas roupa quartos


esponjas sabonetes


tudo tão grande tanto espaço


num desperdício evidente.


E eu tão minúscula encolhida quase inexistente


que não preciso de nada mas de nada


de nada


a não ser de ti


que não estás.


 


3.


Deixo as janelas abertas


para que o vento abane a casa.


Batem portas voam cortinas


num ruído da mais profunda


solidão intemporal.

11 agosto 2024

João e Maria

 



Chico Buarque e Nara Leão


música de Sivuca


 


(...)


Pois você sumiu no mundo


Sem me avisar


E agora eu era um louco a perguntar


O que é que a vida vai fazer de mim.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...