31 março 2024

Domingo de Páscoa

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30.


 


Empapamos de suor


Os lençóis da juventude


Com a fé e o ardor


Dos profetas da virtude


 


Entrelaçamos de dor


Os dias de vastidão


Enterramos o bolor


Que cresce na solidão


 


Aprendemos o caminho


Nas noites de agonia


Senhor mostra-me o carinho


Com que derretes o dia


 


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas


Pág. 42

30 março 2024

Stabat Mater dolorosa


Philippe Jaroussky & Julia Lezhneva


Stabat Mater dolorosa - Pergolesi

Sábado de Aleluia

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11.


 


Vou plantando incertezas


Entre caminhos escuros


Arrancando asperezas


Construindo alguns muros


 


Solto os cães dentro de mim


Que guardam o vento leste


Mastigam num frenesim


A marca que me fizeste


 


O tempo já corroeu


A divina tatuagem


Senhor agora sou eu


A refazer a viagem


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas


pág. 23

27 março 2024

Bloqueio Institucional e político

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Dignidade


 


O dia de ontem, na Assembleia da República, foi o início de uma caminhada para o abismo na credibilidade e na qualidade dos trabalhos parlamentares.


Tudo foi mau: modos, atitude, grosseria e, mais grave que isso, o total desrespeito pelo papel dos deputados e do Parlamento. A globalização do Trumpismo, do achincalhamento, da falta de sentido de Estado e de Serviço Público ficou bem patente com as decisões e contra-decisões dos deputados do Chega. Excepção foi a dignidade com que António Filipe conduziu os trabalhos.


Será o mote para uma legislatura de bloqueio. Até às próximas eleições.

24 março 2024

Le Chant des partisans


Le Chant de partisans


 


Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines?


Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu’on enchaîne?


Ohé ! partisans, ouvriers et paysans, c’est l’alarme!


Ce soir l’ennemi connaîtra le prix du sang et des larmes…


 


Montez de la mine, descendez des collines, camarades


Sortez de la paille, les fusils, la mitraille, les grenades…


Ohé ! les tueurs, à la balle ou au couteau tuez vite!


Ohé ! saboteur, attention à ton fardeau… dynamite!


 


C’est nous qui brisons les barreaux des prisons pour nos frères,


La haine à nos trousses et la faim qui nous pousse, la misère…


Il y a des pays où les gens au creux du lit font des rêves


Ici, nous, vois-tu nous on marche et nous on tue, nous on crève…


 


Ici, chacun sait ce qu’il veut, ce qu’il fait quand il passe…


Ami, si tu tombes un ami sort de l’ombre à ta place.


Demain, du sang noir séchera au grand soleil sur les routes.


Sifflez compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute…

Domingo de Ramos

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Giotto di Bondone


Cenas da vida de Cristo – Entrada em Jerusalém


Cappella degli Scrovegni


 


14.


 


Falareis da rosa como se soubésseis de espinhos


Cuidareis dos filhos para que morram sozinhos


Carregareis as pedras com que fareis os caminhos


Servireis a fome que alimentais de carinhos


 


Mas a cova que vos espera será de lama


Mas o templo que vos tenta será de vento


Mas o tempo que vos gasta será a chama


Que do espaço vos devora sem um lamento


 


Maria Sofia Magalhães


Prosas Bíblicas – Livro 3


Pág. 74

22 março 2024

Portugal e a Europa

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Depois de umas eleições resultantes da combinação de um golpe de estado judicial e de uma decisão pouco compreensível do nosso Presidente que, durante um ano, andou a ameaçar demitir o governo do PS, suportado numa maioria absoluta (para além de Mário Centeno, António Costa sugeriu 3 nomes do PS para formarem governo - António Vitorino, Carlos César e Augusto Santos Silva), temos uma constelação de instabilidade.


O Chega conseguiu 50 deputados. Não partilho do coro condescendente de quem justifica o voto no Chega com a zanga ou o protesto. Pode protestar-se de muitas formas. Mas quem vota escolhe e, para escolher, tem a obrigação de ouvir e ler. No caso do Chega basta ouvir o que dizem, principalmente André Ventura, mas não só. E o que dizem é assustador.


O PS teve uma derrota eleitoral, grande se olharmos aos resultados de 2022. Mas após o ano horribilis que teve, com tanto disparate, a governar desde 2015, o mais espantoso é não ter tido uma muito maior diferença para a AD.


A AD tem uma tarefa espinhosa pela frente. Ainda mais quando é torpedeada por gente que escreve cartas a pedir a Luís Montenegro que faça o contrário do que prometeu.


Mas o que mais me preocupa são as eleições americanas. Se Trump as ganha a Europa deixará de ter quem a defenda. Nada disso foi discutido.


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Estará Portugal preparado para as consequências dessa eventualidade? Com a extrema-direita cada vez mais poderosa em toda a Europa, para além de Trump, estaremos a chegar à beira da generalização da guerra?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...