30 julho 2015

Os Tais


Carlão


 


Um e um são três podiam ser quatro ou cinco


Se não fosse a crise não era preciso um trinco


Fazia-se uma equipa eu era o ponta de lança


Marcava golos em pipa a minha ponta até faz trança


 


Quem diria que iamos chegar aqui


E ter uma vida séria como eu nunca previ


E é tão bom acordar de manhã olhar para ti


Antes de ir bulir naquilo que eu sempre curti


 


Ai há bebé


Somos os tais


Ai há bebé


Que viraram pais


Ai há bebé


Firmes e constantes


Ai há bebé


Produzimos diamantes


 


Ai há bebé


Somos os tais


Ai há bebé


Que viraram pais


Ai há bebé


Firmes e constantes


Ai há bebé


Produzimos diamantes


 


E a nossa filha já vai ter um mano ou mana


Ainda ontem mal abria a pestana


Quero uma ilha catita com uma cabana


Porque amor já tenho a montes o algodão não engana


 


Foi contigo que eu matei tantos demónios


Foi contigo que salvei tantos neurónios


Vejo-nos felizes citadinos ou campónios


Não fiques muito triste por não gostar de matrimónios


 


Tens o anel não precisas do papel


Fazemos nós a festa até te canto o Bo Te Mel


Desta vez eu tiro a carta nem que leve um ano ou dois


Por enquanto continuas conduzes pelos dois


 


Ai há bebé


Somos os tais


Ai há bebé


Que viraram pais


Ai há bebé


Firmes e constantes


Ai há bebé


Produzimos diamantes


 


Ai há bebé


Somos os tais


Ai há bebé


Que viraram pais


Ai há bebé


Firmes e constantes


Ai há bebé


Produzimos diamantes


 


Às vezes não é facil (2x)


Mas bebé, nós damos a volta damos sempre a volta a tudo (4x)


Nós damos a volta


 


Ai há bebé


Somos os tais


Ai há bebé


Que viraram pais


Ai há bebé


Firmes e constantes


Ai há bebé


Produzimos diamantes


 


Ai há bebé


Somos os tais


Ai há bebé


Que viraram pais


Ai há bebé


Firmes e constantes


Ai há bebé


Produzimos diamantes


 


Ai há bebé (7x)

19 julho 2015

La Belgique Gourmande

Várias foram as iguarias que me sugeriram não perder, na terra dos belgas. E ninguém como eu, que não posso dar largas à minha gula, para não perder nenhuma delas.


 


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Por isso, depois da madrugada inicial destas miniférias, o avião aterrou numa Bruxelas de tempo fresco, com céu nublado. Enquanto não chegava a hora para entrar no Hotel, a cidade abriu-se à nossa curiosidade. A pé deambulámos pelas ruas, com algumas das características da calçada portuguesa na irregularidade do piso. As fachadas dos prédios têm janelas altas e esquadrias, de tijolos pequenos avermelhados ou acastanhados, telhados pontiagudos - Bruxelas combina os traços austeros com a bonomia da burguesia média.


 


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Desembocámos na Grand-Place, lindíssima praça com edifícios bordados a ouro que brilham mesmo com a luz baça que pinta as muitas esplanadas separadas por canteiros de flores. Respirava-se bem estar. Dependendo das horas e da altura do dia, há grupos sentados no chão a conversar, vendedores de aguarelas, turistas a descansar.


 


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Aproveitámos para conhecer o Musée Oldmasters Museum (Musée Royaux des Beaus-Arts de Belgique) onde tive a oportunidade de ver obras de Hieronymus Bosch e de Pieter Bruegel o Velho, dois dos mais extraordinários pintores dos séculos XV e XVI. Junto ao museu, Bruxelas espraiava-se no horizonte, cinzenta e ocre, uma verdadeira calmaria para quem precisava dela.


 


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Nada como um almoço numa das esplanadas de Bruxelas, em que a tarte tatin chaude foi uma glória, e a visita nocturna ao icónico A La Mort Subite, lindíssimo café - brasserie do início do século XX que deve o seu nome a um jogo de cartas, onde se bebe uma maravilhosa cerveja mort subite framboise, para começar a degustação da Bélgica Gourmande. Os chocolates e as moules ficaram para depois. No entretanto palmilhámos Les Galeries Royales Saint-Hubert, ruas cobertas que se entroncam umas nas outras com numerosos espaços comerciais - chocolatarias, joalharias, livrarias, lojas de bordados, um museu de cartas e manuscritos, um Teatro de Vaudeville e um Cinema Royal, entre outros.


 


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17 julho 2015

Começo pelo fim

Começo pelo fim: aeroporto de Lisboa finalmente; caminhada de quilómetros à uma da manhã sem se perceber porquê; a sorte da cuspidela imediata das malas pela barriga da aeronave (como lhe chamava um passageiro); a chegada a casa depois de uma espera de 2 horas pela descolagem, dentro do avião, num lugar absolutamente claustrofóbico que quase não permitia uma respiração mais profunda.


 


Último dia em Bruxelas. Pagar a quantia de 18,00 € (!!!) pelas taxas e taxinhas da cidade. O final deste interlúdio com o que poderia ser uma alegoria à Europa, na cidade das Instituições Europeias – a Mini Europa, uma espécie de Portugal dos Pequeninos sobre a União Europeia, com aquilo que distingue as diversas culturas e economias, arquitecturas, Histórias e símbolos, sem se esquecerem os hinos nacionais.


 


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 Somos todos gregos


 


É quase comovente visitar aquele parque de diversões para crianças e adultos, e ler o que foram os princípios e os valores fundadores da união dos povos da Europa. Tudo o que os deveria unir em complementação e respeito pelas diferenças, a democracia, a liberdade, o respeito pelos direitos do Homem, o estado social e o desenvolvimento sustentado. Depois do que se passou nas últimas semanas com a Grécia, com a derrota estrondosa de Tsipras (para mim uma surpresa) e de todos os que ainda acreditam naquilo que era o projecto europeu, o melhor é não esperar muito para visitar esta (Mini) Europa pois parece-me que não faltará muito para que pertença ao passado.


 


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Também o Atomium, uma gigantesca estrutura que ficou da Exposição Universal de Bruxelas (1958) é lindíssimo, a lembrar a Torre Eiffel, também resultado da Exposição Universal de Paris (1889). Fico sempre maravilhada pela grandeza de quem imagina e de quem constrói estes monumentos que se transformam em símbolos de cidades, de culturas, de Nações.


 


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Durante o voo de regresso descobri a enorme mancha iluminada vista dos céus que representa o aglomerado humano de Paris com a referida torre Eiffel, perfeitamente identificável mesmo a cerca de 9000 metros de altitude. Literalmente, a cidade da(s) luz(es).

11 julho 2015

Le plat pays

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 La Tour de Bruxelles


 



Jacques Brel


 


Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague


Et des vagues de dunes pour arrêter les vagues


Et de vagues rochers que les marées dépassent


Et qui ont à jamais le cœur à marée basse


Avec infiniment de brumes à venir


Avec le vent de l'est écoutez-le tenir


Le plat pays qui est le mien


 


Avec des cathédrales pour uniques montagnes


Et de noirs clochers comme mâts de cocagne


Où des diables en pierre décrochent les nuages


Avec le fil des jours pour unique voyage


Et des chemins de pluie pour unique bonsoir


Avec le vent d'ouest écoutez-le vouloir


Le plat pays qui est le mien


 


Avec un ciel si bas qu'un canal s'est perdu


Avec un ciel si bas qu'il fait l'humilité


Avec un ciel si gris qu'un canal s'est pendu


Avec un ciel si gris qu'il faut lui pardonner


Avec le vent du nord qui vient s'écarteler


Avec le vent du nord écoutez-le craquer


Le plat pays qui est le mien


 


Avec de l'Italie qui descendrait l'Escaut


Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot


Quand les fils de novembre nous reviennent en mai


Quand la plaine est fumante et tremble sous juillet


Quand le vent est au rire quand le vent est au blé


Quand le vent est au sud écoutez-le chanter


Le plat pays qui est le mien

10 julho 2015

Mercedes Benz


 Janis Joplin


 


(...) I could see Janis in the booth. She beat off time by stomping her feet on the floor with her sandals. The bracelets jangling on her arm and the stomping of her feet provided the rhythmic sound you hear on the record. Her eyes were open as she sang, but they seemed closed, as if she were far away. When the song was done, she said, “That’s it,” followed by her famous cackle. She always surprised herself. (...)


 


The Wall Street Journal via Observador

Da mágoa

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Into One-Another III To P.P.P. - 2010


Berlinde De Bruyckere


 


1.


Não reconheço a leveza que encontrei


na insustentável capacidade de amar


mágoa urdida fel de abelha laboriosa


aprisionada no mel que fabrica


compromissos em colmeias de amor e dever


malha apertada com fios doces invisíveis.


 


O deserto à minha volta povoado


das obrigações que me ofereço


exaustão de uma vida que passa e se gasta


e me gasta.


E fico.


 


2.


A vida na cidade das sete colinas


em íngreme decida. O declínio


dos sentidos nas estrias e flacidez


da alma. Mais atroz


que o veneno lento


do desamor


da solidão.

São os astros que se alinham

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Há fenómenos naturais que são surpreendentes e os astros aí estão para nos deslumbrar.


 


Por vezes os planetas alinham-se com o Sol, há eclipses lunares e solares, enfim, cometas passam ao largo e são avistados. A nossa Justiça tem conseguido superar todas essas maravilhas e, naturalmente, no meio da gigantesca Operação Marquês, que envolve meios nacionais e internacionais, consegue a proeza de coincidir nas descobertas e, principalmente, nas detenções, precisamente quando há alguns sinais políticos favoráveis ao PS.


 


É Deus está que com a maioria.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...