Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
North Bennington Train Yard
1.
O campo à minha espera
a tarde de um Março por nascer
a corrida das árvores no horizonte
plácidos insectos encostados à janela.
O campo que me desespera
a chuva de um Março por colher
o abraço do silêncio revoltado
os teus braços abrigos que alimentam.
2.
Mesmo que salte para o fundo da vida
não largo a corda da lucidez
nem esta impenetrável inabilidade em persistir.
3.
Pergunto-me se o lugar que ocupo é meu
ou foi roubado a alguém que se esqueceu
de existir.
E quem poderia imaginar que, depois de um dia soalheiro, frio que baste mas não demais, São Pedro desabaria ondas de chuva e vento traiçoeiro, alagando as ruas de Lisboa e molhando sem piedade os incautos passeantes, que aproveitavam uma tarde de domingo para visitar a exposição Rubens, Brueghel, Lorrain. A Paisagem do Norte no Museu do Prado? Foi uma exposição interessante, dividida por várias salas onde se pode apreciar pintura paisagística flamenga dos séculos XVI e XVII, a representação de cenas da vida campestre, o branco da neve, o espelho do gelo e os bosques, o aspecto velado dos quadros, os pormenores, a exiguidade de luz e de cores vibrantes.
A seguir ao banho de pintura deambulámos em busca de um restaurante muito recomendado, com pré-reserva e tudo, para não nos arriscarmos a ouvir dizer que não havia lugar, mesmo com o restaurante vazio, que é o que mais acontece nos dias que correm. Primeiro, uns pingos, depois molha tolos, por fim um dilúvio que transformou botas e chapéus em arcas de Noé.
Lá conseguimos encontrar o dito restaurante ao qual batemos desesperadamente à porta. De certo que ainda era cedo mas, totalmente encharcados, perguntámos se não podíamos entrar, que chovia que Deus a dava e tínhamos mesa marcada para daí a uma longuíssima meia hora. O porteiro de ocasião foi perguntar se era possível e para isso precisava de reunir em conclave. Minutos passados e a conclusão foi que não, que apesar da molha dos promitentes comensais teríamos que aguardar debaixo do toldo que despejava certeiramente água para cima do espanto incréu dos nossos ouvidos.
Pois não experimentámos a dita Taberna Ideal e penso que nunca a experimentaremos. Nem faro comercial houve - sempre poderiam ter servido uns aperitivos e umas entradas enquanto se fazia tempo - já que não existiu educação ou simpatia. Foi um excelente cartão de visita. Não recomendo, portanto.
Rico Eastman
Perdi-me neste labirinto em que persigo
uma alma que quero e não tenho
em que me desencontro das causas
que perdidas nos atapetam o caminho.
Perdi-me de nós entre as voltas do mundo
que a vida mudou
perdi-me dos dedos que tocam
nas voltas que o amor nos traçou
perdi-me de sonhos e de medo
nas dobras que o mundo mostrou
perdi-me da morna quietude de te amar.
Meu amor não percas nunca a coragem de me procurar
que eu serei de novo o labirinto das voltas
em que te hei de encontrar.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...