29 novembro 2012

Opções políticas

 


As declarações de Passos Coelho, na entrevista, não são mais do que a afirmação de uma opção política por outro tipo de organização social. Tudo o que tem sido repetido em relação à insustentabilidade das funções sociais do estado, pelo depauperamento do mesmo (cuja responsabilidade foi e é dos governos do PS, como ainda alguns defendem, nomeadamente José Gomes Ferreira), foi apenas a preparação para a implementação de um estado mínimo e não interventor, deixando de ter um papel na garantia da equidade e da igualdade de acesso à educação, à saúde e no combate à pobreza.


 


De certa forma têm razão aqueles que pedem ao Presidente da República que demita o governo, pois esta opção política não foi sufragada pelos cidadãos. Para isso também devem pedir novas eleições, em que a reforma das funções do estado seja debatida e todos possam votar em consciência. Só que o Presidente da República foi cúmplice da campanha negra a que assistimos antes das eleições de 2011, tendo participado activamente para o assalto ao poder por esta maioria.


 


Por outro lado, o líder do maior partido da oposição está tão preocupado em limpar-se de ter sido do PS na época dos governos de José Sócrates que não encontra espaço, imaginação ou capacidade para ter ideias e alternativas credíveis para o país. Também os partidos à sua esquerda já deixaram bem claro que o seu combate é contra o PS, não contra a maioria de direita que nos governa ou a favor de uma solução governativa de esquerda.


 


A entrevista foi uma tristeza. Ficamos a saber que teremos educação obrigatória em menos anos, pois a gratuitidade é só para o ensino básico, que o regime de prestações sociais vai ser reduzido, que vamos ter cada vez mais impostos e cada vez menos serviços públicos.


 


Economia aberta, ganhos de mercado – palavras vazias como vazias são as esperanças dos cidadãos.


 

27 novembro 2012

Demissão do PS

 


É difícil encarar as notícias do país. António José Seguro conduz uma oposição inqualificável. Na verdade não é oposição, é mesmo uma das estacas deste governo. Não há alternativa e o Presidente da República deixou de fazer parte do jogo político.


 


Até quando os socialistas se demitem de procurar um líder alternativo? Até quando se pode o Presidente alhear da situação do país?


 

25 novembro 2012

Dessas juras que se fazem


Né Ladeiras


 


Lara Li


 


Rui Veloso

 

 

Jura que não vais ter uma aventura


Dessas que acontecem numa altura


E depois se desvanecem


Sem lembrança boa ou má


E por isso mesmo se esquecem


 


Jura que se tiveres uma aventura


Vais contar uma mentira


Com cuidado e com ternura


Vais fazer uma pintura


Com uma tinta qualquer


Que o ciúme é queimadura


Que faz o coração sofrer


 


Jura que não vais ter uma aventura


Porque eu hei-de estar sempre à altura


De saber


Que a solidão é dura


E o amor é uma fervura


Que a saudade não segura


E a razão não serena


Mas jura que se tiver de ser


Ao menos que valha a pena


 

Um dia como os outros (121)

 



(...) 3. Vale a pena ler o parecer da CNECV. Podemos discordar dele mas está técnica e cientificamente fundamentado e responde às questões colocadas. Em particular, identifica de forma exaustiva as condições, as instituições e os profissionais que devem, em diferentes fases, ser envolvidos na discussão pública e na tomada de decisão política sobre matérias como a racionalização dos gastos com os cuidados de saúde.


4. Perante o parecer da CNECV, gerou-se uma controvérsia alimentada pelo desconhecimento e pelo populismo. As controvérsias são úteis em política quando se baseiam em informação, conhecimento e debate racional de ideias, não na exploração das emoções e do desconhecimento, sobretudo em assuntos tão delicados e de tão elevada complexidade.


5. Os dois momentos mais negativos do debate foram protagonizados pelo bastonário da Ordem dos Médicos e por elementos da direcção do Partido Socialista. No primeiro caso, a ameaça de processo disciplinar aos médicos que assinaram o parecer é um claro abuso de poder, uma vez que emitir um parecer não é um acto médico. É, também, uma ameaça à liberdade de informação, de conhecimento e de pensamento, bem como uma tentativa intolerável de negar a possibilidade de discussão pública democrática sobre estes temas. Exige-se do bastonário de uma Ordem com tão grandes responsabilidades sociais um contributo para a discussão, não uma ameaça aos que não pensam como ele. No segundo caso, o pedido de demissão do presidente da CNECV, Dr. Miguel Oliveira e Silva, eleito democraticamente pelos seus pares, é tão lamentável e de um tal absurdo que parece justificado apenas pela (des)orientação tacticista e populista.

 


 

Por onde

 



The Bad Little Christmas Tree


Tim Noble


Sue Webster


 


Por onde ando por onde penso que me retiro e me recolho


por onde o tempo que me assenta como chuva


neste inverno que não passa nem desmente a casa que esfria


por onde ando nos passeios destemidos que já secaram


por onde o tempo das verdades que nem olhos rasos


por quanto se somam os dedos que trituram esperanças


por quanto ainda por quanto sabemos que não mais será


que não mais serei eu e tu e nós e todos inocentes


de luz e desta sombra que se estende sem coerentemente


aniquilar quanto e onde ainda somos.


 

14 novembro 2012

O crescimento larvar da violência

 



 


Estive muito indecisa quanto a fazer ou não greve. Há inúmeros e grandes motivos para aderir à greve, talvez, que me lembre, nunca tenha havido mais nem tão bons como agora. Nem que seja para se afirmar um protesto.


 


Mas a apropriação deste tipo de manifestações pelos costumeiros profissionais das greves, a banalização do fenómeno, que deveria ser excepcional, e a sensação de dar motivos para que os extremistas e a violência façam caminho e escalem, refreou-me o ímpeto. Não aderi à greve, portanto.


 


Em frente à televisão - na SIC-N - observo alguns manifestantes em frente ao Parlamento, a casa da Democracia, de cara tapada e máscaras, atirarem pedras e petardos aos Polícias.


 


Não tenho palavras para exprimir o quanto repudio este tipo de comportamentos. Não vejo os outros manifestantes fazerem qualquer gesto para impedirem ou se demarcarem dos arruaceiros. Parece que acham que estes ataques são compreensíveis, pelo muito que o povo sofre.


 


Há alguns representantes políticos, particularmente dos partidos a que se convencionou chamar de protesto, que quase têm pena que ainda não tenhamos chegado à beira da paralisação social em que a Grécia se encontra. Ouço muitas vezes lamentos por não sermos tão aguerridos (eufemismo de violentos) como os nossos vizinhos de Espanha. Pois eu não tenho qualquer desejo de semelhanças desse tipo e espero bem que as manifestações e as greves possam decorrer com civismo, porque a liberdade tem que ser de todos e a democracia implica regras de convivência em que nada disto é admissível.


 


Nota: Convém esclarecer que não confundo a maioria dos pacíficos grevistas e manifestantes com os arruaceiros criminosos que a única coisa que pretendem é provocar o caos. Mas gostaria de ver quem exerce o seu direito demarcar-se, nem que fosse pelo facto de desmobilizar de imediato ajudando os Polícias, deixando os criminosos sozinhos.


 

12 novembro 2012

O isolamento do PS

 


O Bloco que saiu da Convenção deste fim-de-semana é igual ao que entrou na Convenção. Populista, demagógico e incapaz de perceber que não é apostando na desorganização social, na revolta do povo e na desestruturação da sociedade, que conseguirá aumentar a sua votação e chegar ao poder, para implementar ninguém percebe muito bem que tipo de governo, regime ou soluções.


 


O Bloco de Esquerda, que teve 5,17% nas últimas eleições, sente-se no direito de condicionar a posição do PS, que teve 28,05% também em 2011, em relação ao cumprimento dos compromissos que este assumiu junto do FMI, da CE e do BCE, nada mais nada menos que rasgar o memorando de entendimento, para se dispor a um compromisso que possa servir de base a um futuro governo de esquerda.


 


O BE (e o PCP) sabe, ou deveria saber, que isso é uma irresponsabilidade, que não tem viabilidade nem representatividade eleitoral para impor tal solução ao maior partido da oposição. Até porque uma plataforma mínima não pode começar por obrigar o PS a renegar o que é, e ainda bem, a sua história de garante de um país civilizado e capaz de honrar os seus compromisso internacionais.


 


A Convenção do Bloco demonstrou, mais uma vez, que em Portugal não é possível ao PS fazer coligações de governo à esquerda. O Bloco de Esquerda continua a condenar o PS e o país aos governos minoritários ou a governos de direita.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...