14 outubro 2025

Ao décimo terceiro dia do mês de outubro

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Isabel cresce feliz
Treina palavras e voz
Trabalha como aprendiz
Refaz laços cria nós


Isabel mora comigo
Na memória que me resta
Nos seus olhos um abrigo
No seu abraço uma festa


Isabel conta-me um conto
De uma vida de encantar
Cose os fios que desmonto
Para depois remontar


Isabel ensina às flores
O voo das borboletas
Desenha risos e cores
Vai na cauda dos cometas


Isabel acende a esperança
Deste mundo que entristece
Pelos sonhos em que dança
Com o destino que acontece

11 outubro 2025

Ao voto!


 


Nada de encolher os ombros.


Nada de vociferar.


É a festa da democracia.


É a nossa vez.


Decida, escolha, vote.


Não se resigne.


Nunca desista.


 



SMS grátis para 3838 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD). No estrangeiro pode enviar um SMS para +351962171000 (escrevendo RE espaço nº de BI ou CC espaço Data de Nascimento no molde AAAAMMDD).

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Enquanto

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John Singer Sargent, 1919


 


Guerra irsraelo-palestiniana - um eufemismo para o genocídio a que todos assistimos em direto. O acto terrorista e insano não justifica um genocídio, nem a ocupação militar dos territórios quer Israel sempre cobiçou. A lei dos messiânicos é uma lei de paus e pedras empapados de sangue.


A guerra entre a Ucrânia e a Federação Russa. Putin é o invasor. A Europa está, de novo, à beira da guerra, não vale a pena fingir que não vê, que não sabe.


Uma criatura tresloucada e perigossíma à frente dos Estados Unidos, os pogroms iniciados com imigrantes, ouvindo-se já impropérios contra judeus, odiar o vizinho que limpa a casa, recolhe o lixo, que traz comida, conduz quem quiser aonde quiser.


Os campos de detenção, a violação de telemóveis, a perseguição de jornalistas e Juízes, a censura. Outro tresloucado perigosíssimo, acalentado pelo primeiro, destruindo aquilo que de mais importante se descobriu e implementou no mundo em prole da saúde, opondo-se a vacinas, anunciando que o paracetamol causa autismo.


Um ministro português, neste caso da defesa, a classificar cidadãos portugueses, presos em águas internacionais, não tendo feito nenhuma ilegalidade ou crime, como amigos do Hamas e por isso, subentende-se, até lhes fez bem. Um governo e um Presidente da República que não se levantaram em uníssono para defender esses portugueses, fossem o que fossem, politicamente ou outra coisa qualquer. A certeza de qualquer cidadão fora de Portugal, que o seu País não o defenderá, apoiará, seja em que situação for.


Os Venturas originais e copiados a crescerem, a crescerem, ao colo de tanta pseudo informação com pseudo entrevistas.



(...)


enquanto tudo isto acontecer, e o mais que se não diz por ser


verdade,


enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,


o poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:


ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA


(António Gedeão)


30 agosto 2025

Da infâmia

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Expresso


 


Ocupaçao militar de Gaza. Conselho de Segurança da ONU marca reunião de emergência - RTP - 09/08


Netanyahu defende plano israelita em Gaza como "a melhor forma de acabar com a guerra" - RTP - 11/08


Fome é confirmada na Cidade de Gaza pela primeira vez, diz órgão ligado à ONU - BBC - 22/08


Netanyahu classifica novo relatório da fome em Gaza como "mentira absoluta" - CNN - 22/08


Following Trump’s lead, Netanyahu shifts strategy on ceasefire even after Hamas accepts - CNN - 26/08


ONU declara oficialmente fome em Gaza. Guterres lamenta "desastre feito pelo homem" - RTP - 28/08


ONU denuncia "desaparecimentos forçados" de palestinianos em pontos de distribuição - RTP - 28/08

Tempos escuros


O discurso


 


A 8 de janeiro de 1964, Lyndon Johnson, Presidente dos EUA após o assassinato de John Kennedy, proferiu o seu discurso sobre o Estado da União, perante o Congresso.


Se lermos e ouvirmos este discurso, e outros que se lhe seguiram, não conseguimos compreender como, nos EUA e na Europa, foi possível defender, nessa época, a implementação de verdadeiras medidas sociais e socialistas, democratas, quando, desde há cerca de 20 anos, essas medidas serem apelidadas de extremistas e a ideologia subjacente de radicalismo de esquerda.


A criação da legislação da Grande Sociedade, com leis que confirmavam os direitos civisrádio e televisão públicasMedicare e Medicaid, educação e a Guerra à Pobreza", foi importantíssima no que diz respeito aos valores da igualdade, liberdade e democracia, com o incentivo aos serviços públicos nestas várias áreas. Hoje em dia, os valores reverteram-se para aqueles que vigoravam nas ditaduras dos anos 20, 30 e 40, em que se culpavam migrantes das dificuldades económicas, em que se divulgavam mentiras e manipulavam cidadãos, levando-os a discriminar e odiar todos os que fossem diferentes.


Neste momento, construimos campos de detenção, deportamos imigrantes, incentivamos as perceções sobre violência e pobreza, o preconceito dos privilégios, a ilusão sem sentido da defesa da nacionalidade e, daquilo que ninguém sabe exatamente o que é: a nossa "tradição".


Nesta onda de retrocessos e apelos totalitários, encabeçados por figuras como Trump, Putin, Netanyahu, para não falar dos seus pálidos seguidores, como Bolsonaro e Ventura, o papel da mulher na sociedade vai conquistando adeptos saudosos da mãe a tempo inteiro, do abençoado lar que deve conduzir, pululando discursos mais ou menos óbvios apelando ao regresso de práticas e processos que considerávamos irrevogáveis.


A guerra como solução imperial, o extermínio de povos e a quebra de todos os compromissos e tratados internacionais que mantinham um equilíbrio no mundo, o avanço científico, as organizações humanitárias, são já o nosso dia a dia.


Resta-me acreditar que sempre haverá quem defenda o humanismo, a tolerância, o compromisso com o outro, essenciais para a construção de uma sociedade humana.


Todos somos responsáveis.

16 julho 2025

Esperar que voltes é tão inútil


Concerto para piano e orquestra nº 2 de Rachmaninov


Evgeny Kissin | Orquestra Filarmónica da Radio France


 


esperar que voltes é tão inútil como o
sorriso escancarado dos mortos na
necrologia dos jornais


e no entanto de cada vez que
a noite se rasga em barulhos no elevador e
um telefone se debruça de um sexto andar


sinto que ainda ficou uma palavra minha
esquecida na tua boca
e que vais voltar
para
a
devolver


[12º poema do livro "Os armários da noite"


Alice Vieira]


 

05 julho 2025

Retrocesso civilizacional

erwin blumenfeld the-minotaur-or-the-dictator-pari


O Minotauro / O Ditador


1937


Erwin Blumenfeld


 


 


Tem sido muito rápido, o retrocesso civilizacional. Em poucos anos Portugal, um país de imigrantes, decide prescindir da Constituição, dos valores humanistas e da ética, tudo a que se comprometeu com a assinatura dos tratados que se interligam para uma sociedade de igualdade, de liberdade, de direitos humanos.


O que se tem passado em relação à discussão da lei da nacionalidade e dos estrangeiros, nunca se perdendo a oportunidade de associar emigrantes a violência e criminalidade, de induzir a distinção entre emigrantes ricos e pobres, entre etnias, etc., é a escalada da extrema-direita, que vamos assistindo a impor e manipular o espaço público, com a conivência dos media, que se transformaram todos em tablóides.


Trump deu o tiro de partida. O mundo a que chamamos civilizado abriu as portas aos sentimentos larvares de nacionalismo ultramontano, xenofobia, racismo e misoginia. Por todos os países esta ideologia alastra como fogo. Temos de o reconhecer e dizer sem medo, que o pudor e o horror aconselham. Não há que ter pejo em reafirmar a falsidade de todos estes discursos, ignorantes, fascistas, ultra-conservadores.


Não há dados que sustentem as percepções? Não faz mal, as percepções transformam-se em factos. Toda a retórica da extrema-direita vai minando, a pouco e pouco, a comunidade. Quem assim não pensa, remete-se ao estupor pelas ameaças explícitas de quem quer voltar à idade média. 


Hoje atingiu-se um novo patamar. No Parlamento (a partir dos 50:00), o inominável presidente do partido de extrema-direita referiu (a partir dos 52:04), de forma desrespeitosa e desprezível, nomes de crianças de uma escola pública, dizendo alto e bom som, que "são zero portugueses", após Pedro Delgado Alves ter nomeado grandes portugueses, mesmo que o não fossem de origem. O rancor, o ódio, a boçalidade, a grosseria, a alarvidade destes representantes do povo, são assustadores.


Mesmo que a maioria afirme e defenda um caminho, não é isso que lhe dá razão, que o diga Galileu Galilei, quando ameaçado de morte pela Santa Inquisição, ao defender que a Terra girava em torno do Sol e não o contrário.


Como disse Pedro Delgado Alves, um monstro foi acordado. Todos são responsáveis, os que o alimentam e os que se calam.


A História repete-se, inexoravelmente.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...