13 maio 2023

No Luberon

Vamos então mergulhar na Provença, mais especificamente, no Luberon. Percorrendo as estradas que atravessam o terreno acidentado, ora se sobe, ora se desce, com enormes maciços calcários que se elevam à nossa volta (Petit Luberon), observamos as aldeias que aparecem na encosta.


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Todas semelhantes, com as casas de uma cor de areia, que se agregam e galgam os montes, na encosta virada ao sol. Até lá, atravessamos campos de papoilas, ou de vinhas e papoilas, numa mistura de cores que só pode motivar os pintores. Muita gente de bicicleta, o que naquelas estradas estreitas e montanhosas é surpreendente.


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Chegámos a Apt, ao início da tarde. Depois de darmos umas voltinhas, acabámos por ir ter a um restaurante que se chama L'Intramuros. Lá dentro, um bricabraque de objectos, desde bicicletas a relógios. Come-se muito bem e somos bem atendidos.


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Depois de mais alguma passeata, passámos por uma loja de chapéus de palha, muitos e variados. A dona, muito simpática, tenta encontrar um chapéu que não me tape os olhos, e adapta um número 55 à minha cabeça. Fico a saber que é resistente ao sol e às intempéries, para além de ser arejado para o calor. Será que não voa com os ventos, que resiste ao mistral?


Nos arredores, mais aldeias semelhantes, com vários ateliers e lojas que vendem artesanato, muitas delas nitidamente feitas para turistas. Regressamos a Apt, para uma noite descansada, prontos a iniciar a próxima etapa - Orange.

10 maio 2023

França transbordante

Cannes, uma estação balnear de aristocratas e elites endinheiradas desde o início do séc. XX, é conhecida pela sua baía e pelo Festival international du film, cuja primeira edição se realizou em 1946, apesar de estar programada para setembro de 1939, altura do desencadear da II Guerra Mundial. Desde 2002 é conhecido pelo Festival de Cannes.


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O primeiro local a albergar o Festival foi o Palais Croisette.. A partir de 1982 passa a realizar-se no Palais des festivals et des congrès de Cannes, edificado precisamente para o acolher. Neste momento já se vê a passadeira vermelha e vários cartazes com inúmeros actores e actrizes (vai começar a 16 de maio). A Palma de Ouro é criada apenas em 1955.


Há hotéis por toda a parte, uns ao lado dos outros, pequenos, grandes, mais ou menos modestos ou luxuosos. O nosso é agradável e tem um jardinzinho com limoeiros e laranjeiras, onde se pode tomar o pequeno almoço. Bem localizado, envolvido por muitos restaurantes e cafés e muito perto da baía.


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Muita gente, muita mistura, muitas lojas muito caras, Ferraris descapotáveis - tudo o que um lugar que alberga estrelas e celebridades deve ser. Vale a pena passear ao longo da baía e contemplar a enorme fachada do Carlton, lindíssima. Construído entre 1909 e 1913, para albergar os aristocratas russos, tem um clube privado, na praia, desde 1930. Durante a I Guerra Mundial foi parcialmente transformado em hospital.


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Mas já que estávamos enleados em destinos da alta roda, decidimos ir visitar Sanremo, transbordando França e cruzando a fronteira para Itália, viajando junto à costa, com uma vista soberba.


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Depois demos um pulo a Nice, para conhecermos a Promenade des Anglaisuma extensa avenida à beira mar, tristemente celebrizada pelo atentado de 14 de julho de 2016.


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Mas isto de viajar com uma pessoa de saber enciclopédico tem as suas vantagens. Ao falar do Boulevard Sadi Carnot, fiquei a saber que Sadi Carnot tinha sido um Presidente francês, neto de um outro Carnot, Lazare Carnot (Boulevart Carnot) e que o parque onde estacionámos o carro, o Parque Comandant Lamy, foi assim nomeado em homenagem a um explorador francês, que deu nome à antiga capital do Chade (Fort-Lamy), desde 1973 N'Djaména.


E ainda que Gambetta, da Place Gambetta (Léon Gambetta) tinha sido um importante político da terceira República Francesa! Pelo que aprendi, é também uma bebida provençal.


Não cesso de me surpreender.

08 maio 2023

O princípio do fim

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Largada de paraquedistas no sul de França


Faz hoje 78 anos que foi assinada, em Reims, a rendição incondicional da Alemanha, após os anos devastadores da II Guerra Mundial, desencadeada pela Alemanha Nazi.


O fim da II Guerra, na Europa, tinha sido precedida pelo desembarque das tropas Aliadas no dia 6 de junho de 1944 (D-Day), na operação militar conhecida como Operação Overlord. A invasão da Normandia, pelos Aliados, iniciou a reconquista e a libertação da Europa.


Também a 15 de agosto de 1944, os Aliados desembarcaram na Provença, na operação que ficou conhecida como Anvil-Dragoon, em que invadiram a costa mediterrânica da França entre Toulon e Cannes. As duas operações faziam parte da estratégia dos Exércitos Aliados de pôr os alemães a defenderem-se em duas frentes diferentes, em França - uma vinda do Atântico (o martelo - Overlord), outra do Mediterrâneo (bigorna - Anvil).


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L'Ést Republicain


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L'Ést Republicain


O conjunto de Tropas envolvidas na invasão da Provença era constituído por americanos e franceses. Estes provinham do seu império colonial, a grande maioria do Norte de África - Argélia (europeus e muçulmanos), Marrocos, Senegal.


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Mapa da operação Dragoon


Em Toulon a batalha que se seguiu (entre 20 e 26 de agosto), deixou a cidade destruída, nomeadamente o seu Vieux Port, que foi, inclusivamente, sabotado pelos alemães.


Depois de aterrarmos em Marselha, rumámos a Toulon onde, num fim de tarde lindíssimo, passeámos pela marina e acabámos a saborear o mar, o pôr-do-sol e umas moules frites que estavam divinas.


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Hoje resolvemos ir visitar o Mémorial du Débarquement et de la Libération en Provence, situado no cimo do monte Faron. Foi um susto chegar lá, por uma estrada estreitíssima, com abismos de ambos os lados, inclinações e curvas perigosíssimas. Mas valeu a pena. Para além de bem documentado, com vídeos e narrativas que explicavam com detalhe o que se passou, pudémos apreciar a extraiordinária vista sobre Toulon e um bom pedaço da costa mediterrânica.


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Em todas as histórias há episódios que ficam registados e são inúmeras vezes lembrados, outros que parecem ficar esquecidos. E, no entanto, são tão importantes como os primeiros.

06 maio 2023

Antecipação


Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são.


Se imagino, vejo. Que mais faço eu se viajo? Só a fraqueza extrema da imaginação justifica que se tenha que deslocar para sentir.


«Qualquer estrada, esta mesma estrada de Entepfuhl, te levará até ao fim do mundo.» Mas o fim do mundo, desde que o mundo se consumou dando-lhe a volta, é o mesmo Entepfuhl de onde se partiu. Na realidade, o fim do mundo, como o princípio, é o nosso conceito do mundo. É em nós que as paisagens têm paisagem. Por isso, se as imagino, as crio; se as crio, são; se são, vejo-as como às outras. Para quê viajar? Em Madrid, em Berlim, na Pérsia, na China, nos Pólos ambos, onde estaria eu senão em mim mesmo, e no tipo e género das minhas sensações?


A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.


[Bernardo Soares - Livro do Desassossego]



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25 abril 2023

Madrugamos

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Vaso com cravos


Vincent Van Gogh


 


Nos cravos que madrugamos


inauguramos renovamos


refazemos celebramos


o início do sol e das flores


a querida


a sofrida


liberdade.


 

06 abril 2023

Cordeiro

 


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Mosaico


Museu Glencairn


 


Nesta roda mal rodada


Que com penas nos depena


Pelo tempo depenada


Com suspiros mas sem pena


 


Hora agora que rezamos


Aos fiéis de pacotilha


As mãos postas que mostramos


Santa cruz na gargantilha


 


Não nos chegam os pregões


Nem os joelhos no chão


Amealham-se os sermões


p'ra futura redenção


 


Toca o sino e o badalo


Pasta o cordeiro de leite


Dorme o burro e canta o galo


Não há deus que se respeite


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...