08 janeiro 2023

Ataque à democracia brasileira

invasao brasilia janeiro.jpg


TSF


 


No Brasil a democracia treme. As regras do voto livre, da aceitação dos resultados eleitorais, da sã convivência entre as várias alas políticas, a tolerância e o respeito pelas Instituições são cada vez mais uma miragem.


Como nos EUA, os camaradas de Trump seguem-lhe o exemplo.


A extrema-direita pulula e tende a clonar-se. A polícia assiste, impávida, aso ululantes terroristas internos.


Como isto tudo é dolorosamente conhecido. Como tudo isto é assustadoramente premonitório.


O viver democrático está a deixar de fazer sentido para muita gente.


Tempos de chumbo.

07 janeiro 2023

Mito

yoko_kubrick.jpg


Yoko Kubrick


 


Carrego o mito pelas costas e vai-se moldando pelo corpo


sem asas nem vento prende-se de raízes suculentas


daquelas que nunca existiram sem a dor humana.

31 dezembro 2022

Nada é mais previsível que a imprevisibilidade

UNPREDICTABLE JOURNEYS.jpg


Unpredictable Journeys


 


Sendo o último dia do ano é suposto dizer-se qualquer coisa inspirada, ou inspiradora. Fazer balanços de perdas e ganhos, esconjurar azares do ano que termina, vaticinar futuros imediatos e longínquos para o ano que começa.


Nada é mais previsível que a imprevisibilidade.


Mergulhados no quotidiano, no rotineiro e apagado romance das nossas existências, não temos tempo, nem ânimo, nem capacidade para ver além. A crise, a guerra, o clima, o fogo, a seca, as cheias, incertezas que se tornam certezas de tão constantes e iguais, ano atrás de ano. Sem sequer percebermos os momentos de felicidade, a sorte do acaso de termos uma vida sem grandes sobressaltos mas que nos parece sempre pouca.


Por isso nada tenho de grandioso para pensar ou dizer. Apenas que aqui estou, que continuo a amar e a torturar-me com o que não consigo resolver, a espantar-me com o que não sei e a maravilhar-me com o que posso aprender, a agradecer o amor dos que me querem, a dar-me toda a quem gosto, sem reservas nem promessas, a tentar fazer da minha vida alguma coisa de útil.


Solidariedade e abandono, solidão e resistência, talvez palavras cruas que me foram acompanhando nos últimos tempos, mas também entrega, esperança e amizade.


Amanhã é mais um dia que teremos que viver, pleno, como todos os dias do ano.


Bom 2023!

25 dezembro 2022

Pequeníssimo conto de Natal (3)

arvore natal 2022.png


Pequenina, franzina, morena, olha incessantemente para o smartphone.


E porque orientam mal as doentes? Utentes?


Afunda a ruga entre os olhos. Que fazer?


Está bem, mas não deveria ter vindo para cá. Que fazer?


E depois olha com atenção e espanta-se.


Sorriso aberto e ralhete meio brincalhão.


Admoesta quem não devia estar ali, no meio da solidão dos outros, mesmo que para adoçar por segundos essa solidão.


Um Natal de 2022.

Pequeníssimo conto de Natal (2)

arvore natal 2022.png


A Urgência está calma.


A luz crua e fria invade os corredores.


Há algum silêncio, até na sala de convívio, transformada em ceia farta de Natal, com uma árvore enfeitada ao fundo.


Algumas enfermeiras descansam e comem.


Conversa-se pouco.


Há médicos calorosos, vindo de África, que alargam o sorriso e explicam a ausência dos companheiros, a braços com um caso grave.


No Natal quem vem à Urgência está muito doente.


A seguir chega a chefe, meio atrapalhada no seu português ibérico, cansada e carinhosa.


E há aquele bombeiro português, que partilha amor e cansaço e que divide a noite de Natal com ambulâncias e urgências.


De Espanha veio bom casamento.


Bebem água, sequiosos, ensonados.


Voltam ao trabalho.


Um Natal de 2022.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...