26 fevereiro 2022

Linhas vermelhas

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A reacção do PCP à invasão da Ucrânia pela Rússia é inqualificável.


Afinal, aquela voz interior que sempre me murmurou ao ouvido que a aliança entre o PS e o PCP era estranha e contra natura, pois o PCP é um partido com tiques antidemocráticos e o PS é um partido fundador da democracia, tinha razão.


Na verdade aquilo que pensei ser passado voltou a grande velocidade - a cegueira ideológica do PCP que, para defender o indefensável, não se envergonha de negar as evidências.


E por isso eu própria me envergonhei. Durante os últimos seis anos esqueci esses mesmos tiques antidemocráticos e aceitei um governo apoiado pelo partido que defende Putin e o passo de gigante que deu para um conflito armado mundial.


Realmente é preciso traçar linhas vermelhas. E o PCP ultrapassou-a.

24 fevereiro 2022

A inacreditável Guerra

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Público


Acordámos hoje para uma realidade que não acreditávamos pudesse acontecer.


Para mim é muito difícil não estar assustada. Sabemos como e quando as guerras começam mas não sabemos quando e como acabam.


Lembramos a incredulidade das I e II Guerra Mundiais, os acontecimentos que ninguém julgava possíveis, o agudizar de conflitos em que ninguém acreditava.


Não sou crente. Não tenho fé na boa vontade dos Homens nem na bondade de um Deus inexistente.

21 fevereiro 2022

Jardim de promessas

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Garden of Promises


Carol Alleman


 


Quero todas as flores.


Mas também podem ser só as brancas


ou só as vermelhas aquelas das cores


que se demoram.


Ou só mesmo uma única


como única é a haste que nos equilibra


de pétalas livres e redentoras.


Que seja apenas a flor que tens no riso


ou nas pálpebras cerradas de quem sonha.


Quero tudo o que na sua simplicidade


de abandono e paz


nos amanheça e nos inunde de esperança.


 

09 fevereiro 2022

O circo da eleição no Parlamento

O Chega não tem direito a ter um Vice-presidente da Assembleia da República. Tem direito, isso sim, a propor um nome para o cargo.


Esse nome terá que ser votado pelos parlamentares.


O chumbo de nomes indicados para a representação parlamentar já aconteceu mais que uma vez e nunca se assistiu a este circo, montado pelos media, que o Chega muito bem aproveita.


A discussão do papel dos media na manipulação informativa, na legitimação de certas correntes políticas, nomeadamente da extrema-direita, é urgente.

31 janeiro 2022

Vaticínios que não se cumprem

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Tal como vem sendo habitual, nada como os meus vaticínios eleitorais para não se cumprirem.


Eu, que estava convencida de que iria haver uma enorme disputa no primeiro lugar, entre PS e PSD, assisti estupefacta à maioria absoluta do PS, numas eleições que tinham tudo para resultar na penalização de quem governa há 6 anos, com uma gestão dificílima da pandemia desde o início de 2020.


Mas a verdade é que o eleitorado castigou, precisamente, os partidos que, mais uma vez, resolveram fazer parte do problema e não da solução. Inclusivamente, destruíram-na por muitos e longos anos. Ninguém percebeu as razões do BE e da CDU, porque elas são inexistentes.


O que o eleitorado disse foi que queria um governo de esquerda responsável e estável. As sondagens falharam redondamente, mas talvez tenham mobilizado o eleitorado, levando mais gente a votar.


Infelizmente houve um vaticínio em que não me enganei: a ascensão da extrema-direita. Isso e o desaparecimento do CDS, tal como a subida da IL.


Temos agora um governo para 4 anos, com total e completa responsabilidade pela política que implementará. Estamos todos ansiosos pelo recomeçar após pandemia, melhorar e mudar, em tudo o que é imperativo e urgente. Que a confiança depositada em António Costa seja um seguro para que tudo corra bem.


Acho que o merecemos.

  Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...