
Última Ceia
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

Um dois três
quatro cinco seis
vamos ter festa
e não é de Reis.
Sete oito nove
dez onze doze
amêndoas não tenho
que ninguém as trouxe.
Treze catorze quinze
dezasseis dezassete dezoito
mas em vez delas
comprei um biscoito.
Dezanove vinte vinte e um
foge cabritinho
que já estás gordinho.
Vinte e dois vinte e três vinte e quatro
vamos embora
que está na hora.
Já se faz tarde
nesta vidinha
o que vai dar
não se adivinha.
Besunta a forma
espreme o limão
à nossa retoma
de escravidão.
Sopra no forno
limpa a colher
que não há retorno
vamo-nos benzer.
Cristo confina
confino também
a alma definha
e fica refém
do corpo dobrado
que não se sustém.
Recolhe a esmola
que sem vintém
ninguém se consola
e esta revolta
já não se detém.

Margarida consolada
Pelo sol da Primavera
Foi da nuvem deserdada
Tanto verde desespera
Margarida veste branco
Rasga a pele devagar
Que a memória é solavanco
Da fogueira a esfriar
Margarida gasta as mãos
Em tantos corpos de vento
Decepadas por irmãos
Sem espadas com talento
Margarida cava o mundo
Com arados de esperança
Arrepende-se num segundo
Que uma flor também se cansa
Margarida já não chora
Pela vida que enlutou
Fecha o sol e vai embora
Que esta terra já secou
Margarida não se sente
Tem a alma ressequida
Dispersou-se em semente
Pode ser que volte à vida
O aumento de novos casos de COVID-19 na Alemanha, França e Itália será devido a algum Natal tardio, à antecipação da Páscoa ou ao Carnaval?


E Portugal, passou de ser uma vergonha europeia (mundial) para um modelo de comportamento cívico?


Depois de tanta pesquisa e procura detectivescas, incessantes visões de almofadas, mantas e travesseiros, em todas as lojas de decoração online, tenho, neste momento, uma cama muitíssimo confortável, com inúmeros almofadões, um rolo e cobertas fantásticas.
Muitíssimo fashion e confortável, a minha cama está fantástica, digna de qualquer MasterChef decorativo.
Não sobra é muito espaço para me deitar. Tenho que espalhar as confortáveis e lindas almofadas por todo o lado.
Não há fome que não dê em fartura.

Portugal e os portugueses são tão avançados, tão à frente e de uma clarividência científica tão especial, que depois de décadas a discutir o novo aeroporto, a sua localização e especificidade, afinal nem vai ser preciso construí-lo porque provavelmente vai deixar de fazer sentido apostar nos transportes aéreos e nos aeroportos.
Isto é que é avanço e previdência!

Nunca aceitei geometrias de comportamentos simétricos
adequados a género e idade pés em bico empoleirados
pernas pesadas a espreitar pelas saias
casacos assertoados decotes a condizer
cabelos disciplinados lábios de rosas
anéis pulseiras colares arrebiques de senhora
que se acomoda nas vestes do seu destino.
Mas sobretudo nunca entendi o calar dos sentidos
dos desejos dos impulsos da vontade de abraços beijos
de gostar de quem se gosta muito ou tudo
sem cuidar dos outros das conveniências das inusitadas
e estranhas regras da sociedade.
Talvez porque o estado de adulto ainda não fez caminho
que chegue lá onde estão as memórias
e a imperiosa necessidade de amar e ser amada.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...