21 março 2021

Margarida

Schiele_-_Welke_Sonnenblume.jpg


Egon Schiele


 


Margarida consolada


Pelo sol da Primavera


Foi da nuvem deserdada


Tanto verde desespera


 


Margarida veste branco


Rasga a pele devagar


Que a memória é solavanco


Da fogueira a esfriar


 


Margarida gasta as mãos


Em tantos corpos de vento


Decepadas por irmãos


Sem espadas com talento


 


Margarida cava o mundo


Com arados de esperança


Arrepende-se num segundo


Que uma flor também se cansa


 


Margarida já não chora


Pela vida que enlutou


Fecha o sol e vai embora


Que esta terra já secou


 


Margarida não se sente


Tem a alma ressequida


Dispersou-se em semente


Pode ser que volte à vida


 

1 comentário:

  1. Anónimo14:49

    Linda imagem e linda poesia.

    Arthur Claro
    http://www.arthur-claro.blogspot.com

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