06 janeiro 2021

Tentativa de golpe nos EUA

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O que se está a passar nos EUA é inacreditável. Assistimos, em directo, à tentativa de golpe de Estado por parte dos apoiantes de Trump, acicatados por ele.


Espero que não seja um pronúncio do esboroar dos regimes democráticos. Convém pensar bem, antes de achar graça ao voto de protesto nestes movimentos e nestas criaturas, nomeadamente André Ventura. É que eles não têm mesmo graça nenhuma.

03 janeiro 2021

Populismo - aqui vamos nós

Foi verdadeiramente hercúleo o esforço que fiz para assistir ao inacreditável espectáculo de ontem, na TVI, em que um paineleiro futebolístico, uma pseudo moderadora de debates e um candidato a Presidente, tentando manter a todo o custo uma postura minimamente educada, ocuparam 30 minutos da mina atenção.


Um vómito é a forma mais rigorosa de descrever o que fui sentindo.


Arruaceiro, mal educado, populista, o inacreditável Ventura falou aos gritos por cima de tudo e de todos, lançando as mais famosas e, infelizmente, populares frases das tertúlias de cafés, viagens de táxis e estádios de futebol, caseiros ou públicos.


E é este um exemplo de candidato presidencial. É este um dos indivíduos que quer chegar ao poder:



  • Não gosta desta Constituição - mas, se fosse eleito, teria que jurar defendê-la, cumpri-la e fazê-la cumprir.

  • Achincalha os cargos dos representantes eleitos pelos cidadãos - como ele próprio - chamando-lhes inúteis, ao pretender reduzir para 100 o número de deputados, com o fantástico argumento de que não são necessários. Ele é mesmo um exemplo disso.

  • Cavalga a onda anti-políticos ao dizer que quer reduzir o ordenado dos deputados e dos detentores de cargos públicos, como se fossem muito bem remunerados. Aliás, defende a exclusividade da função de deputado, mas acumulou vários salários.

  • É um mentiroso compulsivo, dizendo e desdizendo-se a toda a hora.


Não deveríamos ter que perder tempo com semelhante pessoa mas, infelizmente, ele aí está. Ainda por cima todos os outros deputados o estão a levar ao colo, ao deixarem que use e abuse do seu auto satisfeito estatuto de vítima, quando o impedem de suspender o mandato de deputado para fazer campanha. Por muito que custe ouvi-lo, fazer com que branda o argumento de que o tentam calar é a forma mais rápida de lhe angariar o rótulo das verdades que eles não querem deixar o povo ouvir.


Triste e assustador. Pensávamos que estávamos imunes a este fenómeno, mas não estamos. O PSD e o CDS a caminho da irrelevância e o crescimento do Chega, são um destino que só evitaremos se tivermos grande capacidade de desmentir e desmontar tudo o que diz e representa - o pior que há em cada um de nós e na sociedade que formamos.

31 dezembro 2020

Que sejamos felizes

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Picnic


Anna McNeil


 


Nem tudo foi mau.


Internacionalmente os sinais foram muito positivos – congregação de esforços na investigação científica, investimento maciço no desenvolvimento da vacina contra o SARS-CoV-2, equipamentos e recursos humanos nas áreas da saúde e da segurança social, uma União Europeia que aprendeu alguma coisa com os erros da crise anterior, a derrota de Trump.


Mas muita coisa foi péssima.


O vírus, a pandemia, a inacreditável invasão de falsidades, o enorme aumento da pseudociência, do autoritarismo, do medo irracional, da pobreza, das desigualdades, da caça às bruxas, dos sentimentos pidescos, da solidão, da tristeza e do desamparo.


Esperam-nos muitas dificuldades e, como sempre, a uns mais que a outros, nomeadamente aos mais frágeis e desfavorecidos, mas estou confiante que o próximo ano será melhor.


Temos que nos empenhar nas nossas vidas, individual e colectiva. Temos que nos amar, sem conta, peso ou medida. Isso é o que verdadeiramente importa. Em todas as esferas da nossa vida pessoal, no trabalho, nas responsabilidades que assumimos, nas escolhas que fazemos.


E isso significa saber o quanto para o outro significam todas as carências e abundâncias, todas as vitórias e derrotas, todos os lutos e renascimentos.


Que sejamos felizes, o mais que pudermos, fazendo felizes os outros.


Até ao próximo ano.

27 dezembro 2020

Rosas

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Paul Cézanne


 


Amo as rosas que nunca tive


os vasos quebrados as esquinas das portas


os tapetes que desbotam no sobrado.


 


Amo as vidraças enevoadas


as pequenas gotas de tristeza


que se acumulam nos dedos frios


as cortinas dependuradas a usura das folhas


os olhos cansados de tanto desejarem.


 


Amo as rosas que nunca tive


todos aqueles abraços que não guardei


e que esperam no fundo dos casacos


a oportunidade de secarem.


 


Talvez assim me seja revelada a vida


que queria e me neguei


por tantos objectos adorados


que se quebraram mal lhes toquei


frágeis cansados desistentes


numa poeira fina que anuncia


uma efémera e ilusória eternidade.

Presidenciais 2021

Tenho tentado ver as entrevistas conduzidas por José Adelino Faria aos candidatos presidenciais. É impossível. A arrogância, truculência, pesporrência, agressividade e sede de protagonismo do entrevistador apaga todos os esforços.


Ao contrário do que estes entrevistadores pensam - Miguel de Sousa Tavares, Ricardo Costa, Bernardo Ferrão - não são eles que nós queremos ouvir. Não me interessam minimamente as opiniões dos entrevistadores. Se eles quiserem fazer ouvir a sua voz política podem sempre candidatar-se.


É uma visão da democracia muito deles. E com a decisão de deixar de fora Vitorino Silva (Tino de Rans), por critérios que eles próprios decidem, à revelia da mais elementar noção da igualdade de oportunidades para todos os candidatos, é mais uma demonstração da cultura da omnipresença de decisores nunca mandatados por ninguém para decidirem.


A liberdade dos media é crucial num regime democrático. O papel dos media na manipulação da informação também é crucial. E estes sinais não são nada tranquilizadores. Não são novos, mas são mais fortes.


Insisto. Não tenho interesse nenhum nas opiniões dos entrevistadores mas tenho muito nas dos entrevistados. Gostaria imenso de poder ouvi-los sem interrupções constantes nem apreciações valorativas. Os eleitores é que julgam, nas urnas.


 


Nota: vale a pena ler este post.

Da Ciência

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Hoje é um dia importante pelo significado que tem o início da vacinação contra o vírus da COVID-19. Pelo que significa do esforço concertado de toda a comunidade científica e dos decisores políticos, investindo a sério no estudo, desenvolvimento e distribuição da vacina.


Não é o fim, mas o princípio do fim. Risco zero não há em coisa nenhuma. As cautelas existem e ainda bem. Só assim aprendemos e avançamos.


O ano novo parece um pouco mais risonho. Tanta coisa ainda falta, mas isto é importante.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...