27 dezembro 2020

Rosas

roses paul cezanne.PNG


Paul Cézanne


 


Amo as rosas que nunca tive


os vasos quebrados as esquinas das portas


os tapetes que desbotam no sobrado.


 


Amo as vidraças enevoadas


as pequenas gotas de tristeza


que se acumulam nos dedos frios


as cortinas dependuradas a usura das folhas


os olhos cansados de tanto desejarem.


 


Amo as rosas que nunca tive


todos aqueles abraços que não guardei


e que esperam no fundo dos casacos


a oportunidade de secarem.


 


Talvez assim me seja revelada a vida


que queria e me neguei


por tantos objectos adorados


que se quebraram mal lhes toquei


frágeis cansados desistentes


numa poeira fina que anuncia


uma efémera e ilusória eternidade.

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