Não consigo compreender esta estética, visual ou sonora:


Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]

A pandemia de COVID-19 aí está. Todos somos responsáveis pela sua contenção e mitigação.
Nada de entrar em pânico, ir a correr para supermercados e farmácias e esvaziar prateleiras. Isso é totalmente desnecessário e que desencadeia os nossos piores instintos.
Prepararmo-nos sim, informando-nos em sites fidedignos, seguir com atenção o desenrolar dos acontecimentos, cumprir rigorosamente todas as indicações das entidades de saúde, adaptarmo-nos e sermos solidários.
Lavar as mãos bem e muitas vezes, usar lenços descartáveis, espirrar e tossir para lenços ou cobrindo a boca e nariz com o braço, ficar em casa caso se esteja doente.
E, principalmente, não sobrecarregar os serviços de saúde - as outras doenças não fazem intervalos. Sabemos das nossas maleitas e devemos tratar delas sem ir a correr para os serviços de urgência. É a mais correcta conduta sempre, mas agora mais importante que nunca.
E nada de acreditar nas pseudo-ciências pseudo-naturais e pseudo-saudáveis. Não há salada de quinoa nem sumos detox que destruam o vírus. Comer e dormir bem, fazer exercício físico, apanhar sol, arejar a casa, são regras do bom viver e deixam-nos mais bem preparados para enfrentar quaisquer agruras.
E nada de acreditar nas teorias da conspiração, disseminando pseudo-informações pseudo-secretas de laboratórios chineses ou americanos, ou mesmo extraterrestres, onde se fabricariam estes vírus. A realidade ultrapassa sempre a ficção e a natureza sabe perfeitamente desafiar-nos.
Os jornalistas e a comunicação social têm uma responsabilidade acrescida. Contenção, rigor e informação antes de noticiar são fundamentais. O alarmismo e os títulos tremendistas só acrescentam ruído e confusão.
Calma e solidariedade. Estejamos atentos aos nossos familiares e amigos. Se alguém não pode sair de casa outro alguém pode levar-lhe mantimentos e medicamentos. Se não podemos falar pessoalmente, há telemóveis e skypes. Se mão podemos ir para o cinema, há vídeos, televisão e internet. E podemos redescobrir o indizível prazer de ler um bom livro.
Temos que perceber que dependemos uns dos outros e que se falhamos a uma pessoa podemos desencadear uma cadeia de falhanços em dominó. Nada de pânico.
Uma das coisas que me deixam mais perplexa é a total ausência de autocrítica. Se isto é grave para qualquer um de nós, é ainda mais grave em responsáveis por entidades tão importantes como a SPMS.
A extraordinária atenção mediática que se deu a Henrique Martins aquando do seu afastamento, o que levou o Expresso a patrocinar até o seu poema de despedida, dá muito que pensar.
Vale a pena atentar nas múltiplas explicações, entrevistas e justificações que Henrique Martins se apressou a dar, com inúmeros microfones ávidos por amplificar. Por um lado estava preocupadíssimo com a desorçamentação da SPMS desde 2018, que também afecta a linha de saúde SNS24, tendo tido diferendos vários com o Ministério da Saúde. Por outro lado tinha demonstrado a sua disponibilidade em se manter à frente da SPMS para mais um mandato de 3 anos. Em que ficamos?
Vale a pena ler atentamente o dito poema de despedida. Ficamos a saber que Henrique Martins é "uma vela de pavio forte, que querem apagar".
“Somos todos” velas
Consumo-me.
Consumo-me no que acredito
Consomes-te, dizem-me aflito
O amigo, a família e o corpo
Morto, que não te veja morto!
Mas consumo-me no que acredito
Como vela que arde num devir infinito
Consumo-me no que acredito
Somos como velas
E é vê-las
Que quanto mais brilham e ardem
Quando mais fazer e mostram
Mas incomodam e acedem
Mais iluminam e revelam
Mais põem a nu
O que outros não fazem, não querem
Não gostam, escondem, mentem e enganam
Como velas de pavio forte
Queimamos ao luar
Das madrugadas passadas
A Trabalhar
A escrever, a digitar
A Criar o digital na saúde em Portugal
9 anos acessos, pela força e paixão
Como velas que ardem dentro do coração.
Mas consumo-me no que acredito
Como vela que arde num devir infinito
Sinto hoje a dor do desprezo e da ignorância
A falta de coragem, que nem falta a uma criança
Que sobe ao quarto na noite escura que a vela acesa
Tem por segura
Guerra que levará por diante, iluminando a mente
Até do mais distante…
No mundo vêm se as velas acesas, como a minha
Só na minha terra, a querem apagar
Só na minha terra a querem apagar
Apagar uma vela? Será possível
apagar das cabeças de quem viu a luz?
“É favor apagar a luz!” deve ter sido assim a ordem
Apagar a luz…
A estratégia, a visão?
De médicos a fazerem receitas só com uma mão
No telemóvel.
Doentes a falar com eles no Portal
E todas as receitas sem papel
E plataformas sem fim, e tantas coisas tantas
Que outros vêem como a luz:
Como estrelas que se seguem,
Vieram do Japão, do Brasil,
da Austrália e sítios mil.
Até de outros Ministérios,
Esses que guardam outros tantos mistérios.
Ontem, quis o vento
de repente que a vela se apague
lento e sorrateiro, sem dignidade nem poleiro,
Quis um vento que esta vela
não se consumisse mais
Ironia: Que se poupe…
Assim sobra para outras noites
Outros negros cantos iluminar
- Assim poupas-te! Diz-me o amigo.
Assim fico com pavio para voltar a acender
Talvez noutra terra, noutra instituição
Sempre com mesma força e paixão.
Quis uma decisão críptica, informada na noite escura,
Que esta alma se calasse e não dissesse ao mundo
O que se passa de mal no Estado em Portugal
Somos como velas.
Consumimo-nos no que acreditados.
E eu acredito que é possível mudar PORTUGAL
Alcainça, 5 Março 2020
Henrique Martins
Se tivesse dúvidas quanto aos motivos da não recondução de Henrique Martins, ele próprio conseguiu justificar a justeza da decisão.
Lavar as mãos antes de colocar as máscaras;
colocá-las apenas e quando necessário e indicado;
retirá-las e deitá-las fora;
lavar as mãos a seguir.
Só devem usar máscaras os doentes - para prevenir o contágio de quem está ao pé - e os seus cuidadores, para evitar que fiquem doentes.
Simples mas essencial, é a melhor prevenção para muitos tipos de doenças, nomeadamente o COVID-19.
Nossa responsabilidade.
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...