02 fevereiro 2019

Ética e decência

Independentemente das razões que os enfermeiros possam ter, por muito que reconheça o direito às reivindicações do que acham justo, não posso concordar nem aceitar esta forma de luta. Não sei se é legal ou ilegal, sei apenas que não é ética nem decente.


 


Claro que todas as greves têm consequências e prejudicam, por isso é que são extremas formas de luta. Mas greves em que os únicos prejudicados são os doentes e, dentre estes, os que menos possibilidades económicas têm, é revoltante.


 


O SNS não pode ficar refém de uma corporação. Há enormes injustiças no Estado, nomeadamente no sector da saúde, em que há vários profissionais com habilitações idênticas às dos enfermeiros que, em termos de remuneração e de carreiras têm escalas bem inferiores. O governo não pode atender apenas a uma corporação, por muito poderosa que ela seja. É assim na saúde, como na educação, como em qualquer outras área profissional.


 


Quem está a financiar este tipo de luta que já ameaça estender-se até Outubro? António Costa e a Rui Rio dizem o óbvio. Rui Rio surpreende, mas ainda bem, pois habitualmente quem está na oposição critica sempre o governo, mesmo quando este tem razão.

20 janeiro 2019

Cenas da vida quotidiana

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(Cena matinal, no quarto, a um domingo)


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Acumulam-se os comprimidos, as dores nas cruzes, os quilos a mais e as teimosias. O novo esfigmomanómetro, devidamente certificado, é disputado por uma matrona estremunhada, já que o seu anafado marido teve que se render à necessidade imperiosa de monitorizar a tensão arterial, na tentativa de levar uma vida mais saudável e activa, submetendo-se às caminhadas na passadeira lá de casa, que estacionava pacífica e silenciosa, substituindo estantes e cabides.


 


Ao manusear o dito aparelho, colocando a manga por cima do casaco do pijama, deu-se conta de que os tubos e o mostrador estavam pegajosos. Comentando, espantada, tal facto, ouve a resposta pronta e cândida, com a espontaneidade que só da verdade desponta:


 


- Ah, é que caiu em cima do bolo.


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Assédio laboral

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Apercebi-me que, neste momento, e em muitos outros, para ser honesta, principalmente em vésperas de congressos, workshops e encontros, posso ser copiosamente acusada de assédio laboral.


 

19 janeiro 2019

A contabilização do riso

Não basta termos regras e horários para levantar, para deitar, para comer, para dormir, para trabalhar, para amar, para educar filhos, para ser empático, para ser civilizado, para beber, para  ser limpo, para ser saudável, para ser lindo, para ser magro, para andar, para correr, para falar, para cantar, agora também devemos ter aulas que nos ensinem a rir e temos que contabilizar a quantidade diária do mesmo.

Barco

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Amadeo de Souza Cardoso


 


 


No barco que procuro no silêncio das ondas


no desequilíbrio do fogo na água que me afoga


é frágil a raiz que me segura inteira


uma âncora perdida no turbilhão da viagem.


 

01 janeiro 2019

Para ver e rever

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Esta série passou há muitos anos na nossa televisão, num tempo em que esperávamos ansiosamente por cada episódio num determinado dia da semana. É da BBC (1974) e excelente. Conta os movimentos políticos nos impérios austríaco, alemão e russo, de 1853 a 1918, com a queda das três coroas - Habsburgo, Hohenzollern e Romanov.


 


Neste momento saboreio-a ao ritmo de um episódio por dia. Não perdeu nada com a idade.

A música fica-nos tão bem

Um dia solar e frio, um começo de ano que será continuidade, a música.


 


Já há uns anos reflecti sobre a hipótese de se inovar os Concertos de Ano Novo do CCB. Nada tenho contra valsas e polkas, muito menos contra os vários Strauss, mas parece-me que os temas poderiam mudar. Com tanta e tão maravilhosa música que há, de autores e compositores portugueses e não só, era mais divertido se os concertos fossem diferentes todos os anos. Imagino até que ada maestro poderia divulgar o programa só in loco, para que a surpresa fosse completa.


 


Bem sei que é difícil mudar e alterar hábitos, mas acho que seria um luxo.


 


Este ano, apesar de pouca, houve alguma diferença, pois o maestro é mais delicado e introduziu valsas de Dmítri Shostakóvitch, que adoro. Foi um excelente começo de ano, que se adivinha difícil, trabalhoso e imprevisível.


 


Concerto de Ano Novo (CCB)


Orquestra Metropolitana de Lisboa


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direcção musical de Evgeny Bushkov


 



J. Strauss II Nova Polca Pizzicato, do 3.º ato da Opereta Princesa Ninette



D. Schostakovich Pizzicato Allegretto da suite do bailado A Ribeira Brilhante, op. 39a



D. Schostakovich Valsa do filme Michurin, op. 78



D. Schostakovich Valsa do filme Pirogov, op. 76


 


Bom 2019!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...