02 maio 2015

Das ofensas e insultos estratégicos

A ofensa do jornalista em relação à ofensa de António Costa por casa dos insultos do jornalista que levou aos insultos do António Costa são a matéria que serve à chicana política de direita e não serve a discussão que interessa ao PS e, mais importante, ao Pais.


 


Se um jornalista chama cobarde ao um líder político, é natural que ele se aborreça. A liberdade que o primeiro tem de insultar (porque insultou, disso não tenhamos dúvida) é exactamente a mesma que leva o líder político a responder ofendido. Portanto a resposta ao SMS ofendido, sugerindo censura à liberdade de imprensa é apenas uma vitimização estratégica de campanha para diabolizar o pretenso autoritarismo de António Costa.


 


Nada disto é importante - é uma manobra (mais uma) para desviar as atenções. Por isso mesmo António Costa deve abster-se de responder, deixando-se levar para onde a direita quer - discussões estúpidas e sem conteúdo, que fulanizam e achinelam a política.


 


Há certos comentadores, que a si próprios se apelidam de jornalistas, que consideram ser seu privilégio insultar quem lhes apetece, mas não gostam que se lhes responda na mesma moeda. António Costa e o PS têm que ser mais inteligentes que eles.

01 maio 2015

Maio, maduro Maio


Zeca Afonso


 



 Madredeus


 



 Nara Leão


 



 emmy Curl


 


Maio maduro Maio, quem te pintou


Quem te quebrou o encanto, nunca te amou


Raiava o sol já no Sul, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


E uma falua vinha lá de Istambul


 


Sempre depois da sesta chamando as flores


Era o dia da festa Maio de amores


Era o dia de cantar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


E uma falua andava ao longe a varar


 


Maio com meu amigo quem dera já


Sempre no mês do trigo se cantará


Qu'importa a fúria do mar, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


Que a voz não te esmoreça vamos lutar


 


Numa rua comprida El-rei pastor


Vende o soro da vida que mata a dor


Anda ver, Maio nasceu, Ti ri tu ri tu ri tu ru Ti ri tu ru tu ru


Que a voz não te esmoreça a turba rompeu

Da escolha das batalhas

Ramalho Eanes não tem que provar a ninguém a sua capacidade de se expor e de se bater pelo que acha justo. Se há coisa de que se pode orgulhar, e nós dele, é da sua coragem em defender ideias e causas.


 


Poderemos estar de acordo ou em desacordo com as suas escolhas, mas acusá-lo de se negar a travar batalhas apenas porque não divide palcos nem protagonismos, é lamentável (veja-se o último parágrafo). A menos que o facto de ser citado como referência moral o obrigue a apoios e empréstimos de generalato, como tão elegantemente foi colocado o assunto.


 


Se o apoio de Ramalho Eanes é visto como importante, a ponto de menorizar os de Mário Soares e Jorge Sampaio, isso significa que honrou o cargo e o País. Esperemos que o próximo Presidente, seja ele quem for, tenha a mesma postura e seja capaz de restituir a credibilidade às Instituições, como Ramalho Eanes foi.

Da excelência dos meliantes lusos

Enquanto esperamos muito calmamente o desenvolvimento do processo de Sócrates, em prisão preventiva há mais de 5 meses, a comunicação social vai alimentando o público com notícias interessantíssimas.


 


A ser verdadeira a culpa de Sócrates poderemos orgulhar-nos de ter os meliantes mais capazes e competentes na sua profissão - esta investigação já envolve dez países e os milhões que terá recebido já somam dezassete!


 


Muito respeito!

30 abril 2015

Do desnorte governativo

Esta maioria que nos governa está de cabeça perdida. Não só ficou atarantada com o documento do PS como, para desviar as atenções e contra-atacar, resolveu desavergonhadamente usar os serviços do Estado numa tentativa atabalhoada de lançar a confusão. Desgraçadamente apenas de confundiu a ela própria, dando um protagonismo de Programa de Governo/ Orçamento de Estado ao referido documento, colocando-se na posição da oposição (à oposição) e aceitando, tacitamente, que o PS assumirá o poder.


 


A seguir vem mais uma apressada comunicação importante - a formalização da coligação PSD/CDS para as próximas legislativas (por coincidência a 25 de Abril).


 


Mas estão com azar. Finalmente o PS está a acordar e a marcar a agenda política. Não com disparates ou grandes e eloquentes frases vazias, mas com propriedade, seriedade e sentido de humor. Já está disponível a resposta às 29 perguntas da oposição. Venham mais perguntas, mais esclarecimentos. Agora já não é possível abrandar.


 


É essencial que o PS se reafirme como a única alternativa à direita, se demarque dos atropelos ao Estado de Direito nunca cedendo no que diz respeito aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, seja firme na defesa do SNS, da Segurança Social e da Educação. É essencial que o poder seja utilizado para servir os cidadãos.

26 abril 2015

Um dia como os outros (156)

UmDiaComoOsOutros.jpeg


 (...) É interessante abordar o problema pelo avesso, começando não pela crise do Mediterrâneo mas pelas contradições dos europeus sobre os imigrantes. “Se fecharem as portas à imigração, pagarão um preço económico”, adverte Jean-Christophe Dumont, especialista de migrações na (Organização para a Coooperação e Desenvolvimento Económico) OCDE. A Europa envelhece a ritmo vertiginoso. Um exemplo: sem mudança dos fluxos migratórios, a Alemanha, primeira potência económica da região e com a mais baixa taxa de natalidade, poderá ver a sua população cair de 82 milhões para 74,7 milhões até 2050, previne o Eurostat. Veria, consequentemente, diminuir o seu potencial de crescimento.


Com a entrada na reforma da geração do baby boom a população europeia com mais de 65 anos vai rapidamente aumentar, enquanto o número dos menores de 15 anos diminuirá cerca de 15% até 2060, prevê o Eurostat. O que está em jogo é o nível de vida dos europeus, o seu bem-estar e a sustentabilidade das prestações sociais.


Um estudo do International Longevity Centre (Londres) avisava em 2013 que a Europa precisará de “pelo menos mais 11 milhões de imigrantes até 2020” para garantir o pagamento das pensões aos seus reformados. Não basta subir a idade da reforma. Passar-se-á rapidamente da proporção de quatro activos por pensionista para dois por um. São dados que todos conhecem. Mas um dos mais banais argumentos contra o incremento da imigração é a concorrência que os imigrantes fariam aos nacionais no campo das prestações sociais.


“A velha Europa tem necessidade de cérebros e de braços”, titula o Libre Belgique. Mas que contam os números da demografia perante os discursos anti-imigração de Marine Le Pen, do holandês Geert Wilders, do britânico Nigel Farage, do partido Democratas da Suécia ou do movimento alemão Pegida — que protesta contra a “islamização da Europa” e a chegada de refugiados sírios que, por acaso, são em grande número cristãos?


“O medo da imigração espalha-se na Europa” foi o título de um programa de uma televisão francesa em Janeiro passado. Resumia: “Barcos em perdição, vindos da Turquia, da Síria ou da Líbia, manifestações na Suécia ou na Alemanha, polémicas em França e na Grã-Bretanha, a imigração apresenta-se na Europa como o sujeito político do ano 2015.” Faltavam os naufrágios de Abril.


Qual é a consequência política? Os dirigentes europeus estão reféns do medo criado pela extrema-direita e dos sentimentos xenófobos que se enraízam nas suas populações e a que, até agora, não têm sabido dar resposta. (...)


(...)  Há outra dimensão, um problema da Europa consigo mesma: aproveitar ou desperdiçar a tragédia de Abril para refazer a política de imigração, defender a sua imagem, confirmar o seu estatuto internacional, dominar os seus demónios.


Preveniu, em Janeiro, a analista italiana Marta Dassù: “Enquanto a sociedade europeia se abre ao mundo, ganham terreno movimentos xenófobos e de ‘campanário’ que sopram sobre o fogo do medo e do ódio. (...) Se perdermos o grande desafio do Mediterrâneo os populismos vencerão na Europa. O futuro [europeu] depende em grande medida da nossa capacidade de resolver a questão do Mediterrâneo.”


 


Jorge Almeida Fernandes

25 abril 2015

Da manipulação informativa

25 abril 2015.jpg


 


A nova estratégia mediática da direita é tentar convencer os incautos que votar no PS ou no PSD/CDS é a mesma coisa. O Expresso de hoje mostra bem como a informação pode ser manipulada:


expresso 25 abril 2015.jpg


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...