06 dezembro 2014

Dos preparativos (1)

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Tão inevitável como o Natal, são os preparativos natalícios.


 


Este ano a primeira coisa que preparei foi o espírito. Qual pequeno burguesa cada vez mais assumida, fui ontem jantar a Lisboa para ver as iluminações da baixa da cidade. Desde o dia em que foram inauguradas, em que fui mimoseada com uma montanha de queixas de um taxista do Porto, que aproveitou um frete de Campanhã à Rua do Campo Alegre, numa sexta feira à noite, para proferir impropérios e acusações ao Presidente da Câmara, a São Pedro, ao tempo que não voltava para trás, às ruas fechadas ao trânsito e às decorações de Natal, tão pobrezinhas que só tinham uma cor, fiquei cheia de vontade e me curar dos azedumes que me assolam nesta época do ano.


 


Nada melhor que ver as ruas de Lisboa com as suas sóbrias decorações natalícias, numa noite gelada de Dezembro, com o aroma das castanhas assadas e o burburinho das várias línguas com que nos cruzamos, para percebermos que o tempo é tão escasso que o melhor é usufruir das pequenas alegrias que nos acontecem, nem que seja a sensação do dever cumprido no fim de uma semana de trabalho, na quieta satisfação da partilha de um passeio com quem se ama.


 


Estou, portanto, no ponto certo para começar os afazeres da estação: hoje tratei do licor de ameixa, adiando para outra oportunidade as toneladas de abóbora que tenho no canto da cozinha (confesso que já procurei receitas para variar no aproveitamento da dita, pois já não tenho imaginação para inventar mais compotas).


 


Mas hoje, com a cumplicidade de quem me costuma ajudar nestas lides, fiz o xarope de açúcar (para cada litro de água cerca de 800 g de açúcar, a ferver durante 20 minutos) com um toque de raspa de limão e uma vagem de baunilha, aberta e raspada. Depois de filtrar num pano a aguardente com as cascas e os caroços das ameixas, a macerar desde há alguns meses, juntei os 2 líquidos (a proporção foi de cerca de 800 ml de xarope para cada litro de aguardente), não sem o percalço de ter incendiado o licor no tacho, o que só demonstrou que a aguardente é bastante boa...


 


Está verdadeiramente uma delícia. O chão peganhento e a cozinha a cheirar a taberna - pequenos efeitos secundários desta tarde trabalhosa mas bastante animada.

Desejos de Natal (4)

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Que se ofereçam muitos (principalmente destes) livros de poesia...   

Desejos de Natal (3)

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Que o tamanho das luvas tenha correspondência com o tamanho dos sapatos.

Desejos de Natal (2)

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Que a Amazon.co.uk se despache.

Desejos de Natal (1)

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Que chegue depressa (e com calma) o dia 24 de Dezembro.

01 dezembro 2014

Cante de Natal

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Oh meu menino de oiro


minha alminha tão nobre


quem te deu como tesoiro


uma vida que é de pobre.


 


Oh meu perfeito menino


que és tão puro e natural


quem te deu como destino


lavar o mundo do mal.


 


Oh meu menino Jesus


que nasces todos os anos


que carregas uma cruz


de tristezas e enganos


 


Oh meu menino querido


não te afastes de nós


neste tempo desabrido


em que nos sentimos sós.


 


Oh meu menino tisnado


que secas o nosso pranto


a dormir tão descansado


no embalo deste canto.


 


Oh meu menino de trigo


seara da minha vida


que possas sentir abrigo


nesta voz enternecida.


 


Oh meu menino moreno


que sofres com meu penar


que possas ser o sereno


da noite que me levar.

Dos distanciamentos impossíveis

A honestidade intelectual obriga-me a reconhecer como verdadeiros alguns dos reparos que me fizeram: o não me ter manifestado aquando de outros processos em que os arguidos, tal como aconteceu com Sócrates, foram exibidos e julgados na praça pública.


 


É verdade que, mesmo que o tenha pensado, não o disse com a veemência que mereceriam ou, pior, não o terei mesmo equacionado. E isto diz-me muito sobre a minha própria forma de encarar e de abraçar as causas que considero nobres - tenho pouco distanciamento e muitas vezes actuo orientada por preconceitos.


 


Seria bom que, numa próxima vez em que me colocasse à prova, pudesse ser mais justa e mais imparcial. Mas a liberdade total em que o comprometimento com os outros não existe é, para mim, impossível. Em muitas circunstâncias, os afectos guiam a minha razão.

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...