22 novembro 2014

Da prata das palavras e do ouro do silêncio

Acordei para a notícia da detenção de José Sócrates. Não percebi se tinha fugido à justiça ou se estava a fugir, se se tinha negado a prestar declarações, se tinha tentado matar ou morto alguém. Apenas que, com a SIC a filmar, tinha sido detido no aeroporto no âmbito de uma investigação que está em segredo de justiça. Como é habitual este segredo é apenas para gerir melhor o circo mediático e os alvos que vão sendo atingidos.


 


Tudo isto é assustador: se José Sócrates for considerado culpado dos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, é mais um golpe na nossa confiança nos representantes políticos, mais uma machadada na imagem dos servidores públicos, mais uma acha para a fogueira do populismo e do advento do moralismo totalitário dos movimentos que estão a crescer por todo o lado; se esta investigação acabar como a da Casa Pia e semelhantes, é mais uma demonstração da judicialização da política e do poder absolutista que vão tendo os Juízes, modelando a opinião pública através destas investigações que não condenam mas, sobretudo, não absolvem.


 


Vivemos em tempos em que não nos sentimos protegidos por este poder judicial - e isso é terrível. Por muito que se repita que até prova em contrário as pessoas são inocentes, é impossível apagar as suspeitas. E é por isso e para isso que estes circos se montam.


 


Continuo a pensar que José Sócrates foi um dos melhores Primeiros-ministros que tivemos na era democrática. Quero muito acreditar nas pessoas, e preciso muito de acreditar nas Instituições. Cada vez mais estas duas crenças são mutuamente exclusivas.

16 novembro 2014

Do penoso arrastar do governo

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Miguel Macedo mostrou aos seus colegas do governo como se deve proceder - a responsabilidade política e a postura das Instituições deve estar sempre salvaguardada.


 


E também mostrou que quando a vontade de se demitir é genuína, não há Primeiro-ministro que o impeça.

15 novembro 2014

Chuva no mar


Arnaldo Antunes & Marisa Monte & Carminho


 


Coisas transformam-se em mim,


É como chuva no mar,


Se desmancha assim em


Ondas a me atravessar,


Um corpo sopro no ar


Com um nome p’ra chamar,


É só alguém batizar,


Nome p’ra chamar de


Nuvem, vidraça, varal,


Asa, desejo, quintal,


O horizonte lá longe,


Tudo o que o olho alcançar


E o que ninguém escutar,


Te invade sem parar,


Te transforma sem ninguém notar,


Frases, vozes, cores,


Ondas, frequências, sinais,


O mundo é grande demais.


Coisas transformam-se em mim,


Por todo o mundo é assim.


 


Isso nunca vai ter fim.

Aguarda-se a demissão a qualquer momento...

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"Qualquer pessoa que ponha em causa uma instituição deve imediatamente apresentar o seu pedido de demissão ou de suspensão de funções."

Monitorização

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Poucos polícias e muitos ladrões

Ao que se vai sabendo, partindo do princípio que o que se vai sabendo é mesmo verdade, figuras ao mais alto nível da hierarquia da administração pública estão envolvidas num esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.


 


Tudo isto é motivo de preocupação e rapidamente utilizado para ataques políticos sub-reptícios, com encarniçamentos iniciais contra Paulo Portas, e resposta rápida com envolvimento de Ministros e responsáveis políticos do PSD ou próximos.


 


SEF, SIS, Ministérios da Justiça e da Administração Interna, escritórios de advogados e empresas de consultadoria, tudo bem embrulhado e emaranhado nos meandros de uma enorme quantidade de dinheiro que entra em Portugal mas não serve para melhorar em nada a economia do país.


 


O ambiente de descalabro e desgoverno, a deterioração e o afiar de facas à volta desta maioria que nos governa, é bem a demonstração de fim de ciclo. O Presidente da República desapareceu para parte incerta e o cidadão comum já nem tem capacidade para se indignar.

Do que é um serviço público

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Diga-se em abono da verdade que as instituições se portaram muito bem neste caso do surto epidémico de Doença dos Legionários - Francisco George esteve presente, conciso, assertivo e prudente; Paulo Macedo foi calmo, discreto, tranquilizador e atento; os Hospitais reagiram depressa e bem; ao que tudo indica, está localizado o foco de onde se terá originado o surto, decorrendo agora as investigações para apurar as eventuais responsabilidades (criminais).


 


Para variar foi uma situação grave em que os governantes e os responsáveis pelas várias instituições que têm por missão a nossa saúde e bem-estar estiveram à altura. É caso para aplaudir, até porque é um exemplo bastante raro.

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...