Nunca percebi muito bem os critérios para as edições de obras cuja língua original não é o português.
The Emperor ao all Maladies - A Biography of Cancer - um presente que me deram há uns meses. É um livro escrito por Siddhartha Mukherjee, um Médico Oncologista com especial interesse em Hematoncologia, nacionalidade americana mas nascido na Índia. Pelo que pude ver, a ideia do livro surgiu após um dos seus doentes lhe dizer que gostaria de perceber o inimigo contra o qual lutava.
Este livro ganhou inúmeros prémios e chegou à shortlist de muitos outros. Está muitíssimo bem escrito e traça, de uma forma empática e humana, a história do cancro desde os Egípcios até aos nossos dias - os diagnósticos, os sofrimentos pessoais e sociais, os radicalismos das terapêuticas, a ideia da doença sistémica, as causas, as investigações, as prevenções primárias e secundárias, as terapêuticas alvo, os genes. E tudo de uma forma simples e rigorosa, como uma história épica com vítimas e heróis, grandes entusiasmos e grandes desilusões.
Já há muito tempo que não leio um livro tão interessante e tão importante. E fiquei a saber, para além de muitas outras coisas, que Sidney Farber, um Patologista pediátrico, foi o primeiro médico a tratar um cancro com drogas, dando início à quimioterapia - os antifolatos para a leucemia linfoblástica aguda das crianças.
Nota: As minhas desculpas pela ignorância (que sempre foi muito atrevida). Segundo informações de um comentador, que a si próprio se apelida de Indivíduo, fiquei a saber que há uma tradução portuguesa publicada pela Bertrand. Aqui fica o link: O Imperador de Todos os Males, para quem estiver interessado. Mantenho, no entanto, o meu desentendimento quanto aos critérios editoriais (traduções) em Portugal. Pelos vistos, este não foi um bom exemplo.