12 julho 2013

Da forma e da substância

 



 


O episódio de ontem na Assembleia da República foi mais um daqueles que se têm multiplicado nos últimos tempos. Ao atropelo das regras democráticas, ao desrespeito pelos deputados e pelo Parlamento, eleitos pelo povo e cerne da democracia representativa, a comunicação social e as redes sociais optaram por reprovar a escolha disparatada de uma citação por parte de Assunção Esteves, num coro de condenações e pedidos de demissão. A juntar a isto, não houve um único líder parlamentar ou mesmo deputado que tenha saído em defesa do seu estatuto de parlamentar, do Parlamento ou da sua Presidente, bem pelo contrário.


 


A orgia do politicamente correcto transforma-se numa autêntica ditadura. A forma tomou definitivamente conta da substância. O que é importante é mostrarmo-nos indignados com o hipotético atropelo às liberdades do povo, admitindo mesmo o inadmissível, partindo-se do princípio de que o povo é de esquerda e bom – PCP, sindicalistas e BE - e que todas as instituições, mesmo que democráticas e resultantes do voto livre, são de direita, fascistas e totalitárias.


 

Um dia como os outros (130)

 



(...) O que me preocupa não são os manifestantes. Sem qualquer  hesitação eu digo que certos senhores nunca tiveram grande apreço pelas normas  democráticas e pelas suas formalidades, que do seu ponto de vista se devem  submeter aos seus humores.


O que me preocupa é termos chegado a tal ponto que para muita  Comunicação Social quem tem de justificar-se é a Presidente do Parlamento e não  os que conscientemente violam a lei. Ou seja, não se pedem responsabilidades aos  prevaricadores, mas a quem sofre com a sua ação. O que me preocupa é já quase  ninguém pensar no significado das coisas nem notar as encenações que se  fazem.


Mas isto é o PREC? Ou o que é isto?


 


Henrique Monteiro


 

11 julho 2013

Retratação

 


Estive a ouvir a Quadratura do Círculo. Embora não tenha percebido lá muito bem tudo o que foi dito, pareceu-me que ninguém aprovou a decisão de Cavaco Silva, ou seja, enganei-me.


 


O que eu também não percebo é porque é que, se a solução é tão impossível e é tão má, porque não pede o governo a demissão?


 

Informação instantânea

 


Acabei agora de ouvir as notícias de que falei na RTP informação - exemplar do entendimento que alguns protagonistas têm de democracia.


 

Algumas notícias que não se encontram em lado (quase) nenhum

 


"Podem fechar a Assembleia, que não faz falta nenhuma neste momento!"


Ana Avoila, hoje, no exterior do Parlamento


 


"O Parlamento está infestado de deputados que são verdadeiros charlatães!"


Mário Nogueira, idem, ibidem


 


Pedro Correia


 


Nota: Pesquisa na internet destas notícias


 

Algumas notícias que se lêm nos jornais on line

 


Não abdicando dos seus princípios, das suas referências e grandes compromissos em matéria programática, o PS sempre esteve disponível para dialogar.


 


Francisco Assis


 


Estamos totalmente disponíveis para todos os consensos, nas questões que são absolutamente cruciais. Sempre foi possível haver entendimentos na vida política sobre questões que são de relevante interesse nacional, e é para isso que nós cá estamos, para garantir que todas as matérias de relevante interesse nacional sejam asseguradas.


 


Teresa Leal Coelho


 


O CDS sempre defendeu na circunstância especialmente difícil em que o país se encontra que era especialmente necessário um diálogo abrangente e alargado a todos os partidos do arco da governabilidade. Tendo o senhor Presidente da República tomado uma iniciativa nesse mesmo sentido, o CDS tem uma posição de princípio construtiva em relação a essa mesma proposta.


 


Nuno Magalhães


Da casa da democracia

 


É realmente uma indignidade o que se passou hoje no Parlamento, com o comício de protesto durante cerca de 3 minutos, com gritos e arremesso de balões e sei lá que mais aos deputados. Mas a indignidade foi da parte de quem assim desrespeita o Parlamento, a tão chamada casa da democracia por quem tão pouco a pratica.


 


Ao fim de vários minutos de pdedidos para o abandono das galerias, Assunção Esteves comete o disparate do exagero de citar de Simone de Beauvoir usando a palavra carrascos a despropósito, visto que originalmente esta se referia aos opressores nazis. De facto não se podem comparar as duas situações, foi um erro da parte de Assunção Esteves que estava, compreensivelmente, irritadíssima. Daí até ao massacre dos indignados  textos de Nicolau Santos, Carlos Vaz Marques e muitas outras pessoas por essa blogosfera e redes sociais, vão vários passos de gigante.


 


Abriu a época de caça – Cavaco Silva, Assunção Esteves, o Parlamento, etc. Acho inacreditável a superioridade moral de que se revestem tantos jornalistas e comentadores. Na verdade é na Assembleia da República que estão os representantes do povo que foram eleitos livremente. É a eles que foi dado o mandato para legislar e para controlo do poder executivo. O tipo de manifestações a que assistimos poderão entender-se perante o quadro de tensões sociais e políticas pelas quais passamos, mas não deixam de ser inadmissíveis. Quem agora acha isto tudo muito bem poderá ser, em seu devido tempo, confrontado com idênticas ou mais violentas manifestações. Achará bem, nessa altura?


 


Por muito respeito que me mereçam os jornalistas e comentadores, eles não são a nossa voz nem os nossos representantes. São o Parlamento, o governo, o Presidente da República, os órgãos de poder autárquicos. As instituições democráticas são para serem respeitadas sempre, sempre, sempre.


 


Quanto à informação e à sua manipulação - já todos conhecemos, através da TSF, a reacção de Lobo Xavier às declarações de Cavaco Silva, na Quadratura do Círculo, e ela foi furiosamente contra a decisão presidencial. Estranhamente, ninguém fala das reacções de Pacheco Pereira e de António Costa. Porquê – será que estes apoiam o Presidente, pelo menos moderadamente? Desconfio que sim, mas veremos quando o programa for transmitido. Se me enganar aqui o reconhecerei.


 

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...