17 maio 2013

Das circunvoluções da memória

 



 


Depois de ouvir Lobo Xavier dizer que o PSD e o CDS precipitaram e queriam o resgate do país, na última Quadratura do Círculo, aliás secundado por Pacheco Pereira, pergunto-me até onde irá a capacidade de reescrever a sua própria história que certas pessoas têm. Eu também concordo, que se não tivesse havido resgate, se o programa de Sócrates e Teixeira dos Santos tivesse sido aprovado na Assembleia da República, se não tivesse havido a campanha e assalto ao poder, pela manipulação dos intervenientes que, agora, descobriram os malefícios da intervenção externa e a europeização da crise, talvez o país estivesse melhor. Foi o que Rajoy fez.


 


Há uma cronologia do resgate, publicado pelo Público, e um arquivo do resgate que vale a pena consultar. Para que seja preservada a memória colectiva.


 

16 maio 2013

Ultrapassagem de limites

 


Estamos entregues a inqualificáveis e infelizmente, também inimputáveis. A Constituição passou a ser uma lei datada e que não deve ser do conhecimento de todos. O Presidente da República comenta as opiniões de sua esposa em relação aos milagres de Fátima. Os limites de dignidade são fronteiras que todos os dias se ultrapassam.


 


É tudo tão triste, tão menor, tão mesquinho.

11 maio 2013

Da problemática dos exames

 



 


Tem havido uma enorme campanha contra a existência de exames nacionais no 4º ano do Ensino Básico, baseado nas crenças modernas do que traumatiza as crianças. Os conhecimentos que tenho de pedagogia e de psicologia infantil são apenas aqueles que os cidadãos têm e que, pelo facto de terem sido pais, foram e são obrigados a rever em alturas de conflitos, de crises ou, simplesmente, quando confrontados com as surpresas do crescimento.


 


Quanto ao folclore montado à volta dos nervos, do regresso ao passado, do salazarismo dos exames, das ansiedades, dos pedidos de declarações de honra a crianças tão novas, da enorme deslocação para outra escola, do medo por não estar em ambiente conhecido, é a melhor forma de transformar algo banal e habitual no percurso de um estudante num momento aterrador e impossível de ultrapassar.


 


Muito pouca confiança temos nos nossos filhos, que nem são assim tão indefesas ou presas de quaisquer alterações mentais sem fora da confortável e acolchoada rotina dos dias, nem são raposas à espreita da primeira oportunidade para fazerem trapaça. Faz parte da vida assumir responsabilidades, ser-se posto à prova, ultrapassar obstáculos, são importantes os rituais de passagem. Os exames devem ser encarados como provas naturais para quem estuda. O facto de serem prestadas numa instituição diferente e por professores desconhecidos apenas asseguram que as crianças todas tenham as mesmas oportunidades. Todos sabemos, e a responsabilidade aqui é dos adultos que são professores, que muitos dos resultados das provas de aferição não eram fidedignos pois havia sempre alguns professores que ajudavam na resolução dos testes, o que era extremamente injusto e enviesava as possíveis avaliações posteriores à validade das mesmas. Quanto aos telemóveis, também me parece um exagero pedir uma declaração de honra em como não os usariam. Mas não me iludo com a ideia angelical de que nunca se lembrariam de tal, nem com a certeza de que naquela idade não sabem o que é honra. Isso é uma menorização que eles próprios não aceitam.


 


Outro assunto muito diferente é se na verdade haverá alguma vantagem para os alunos e para o sistema de ensino com a realização de exames nacionais neste nível. O que mais me preocupa não são os exames, são a resposta que o sistema deveria poder dar a quem não passa nos exames - esse é que me parece o problema mais importante para resolver. Onde estão as políticas de reforço e acompanhamento de quem tem mais dificuldades? O que está pensado ao longo do ano, como diagnóstico destas situações? Quais os professores que investem nos alunos que não passaram? Quais os motivos do insucesso, como evitá-los e ultrapassá-los?


 


Não me recordo de nada nas diversas declarações e notícias, nos circos montados à volta das escolas esperando que alguma criança estivesse em prantos antes ou a seguir às provas. Não me lembro de ter visto questionar os responsáveis do que pretendiam fazer com as crianças que não tiverem atingido os conhecimentos que se pretendia. Isso é o que realmente interessa.


 

09 maio 2013

Da lama

 


A pouco e pouco vão-se desmontando as mentiras e as calúnias com que se cobriram vários protagonistas da governação anterior. Infelizmente já ninguém pode reparar os enxovalhos a que tantos forma expostos e não há processos de difamação que apaguem o sofrimento dos que foram julgados em praça pública. Os responsáveis por tanta lama, a pretexto da luta contra a corrupção, não são mais do que peões, mutas vezes voluntários, numa luta política suja e antidemocrática, e fazem parte de grupos profissionais que deveriam ser a segurança da sociedade, como por exemplo jornalistas, advogados, investigadores e magistrados.


 

06 maio 2013

Do castigo dos funcionários públicos

 


Rescisões amigáveis



(...) quem aceitar seguir este caminho já não poderá voltar a trabalhar ou prestar serviços a qualquer órgão da Administração Central, Regional ou Local, empresa ou instituto público. (...)


 


Público


Ao décimo terceiro dia do mês de outubro

  Isabel baralha as cores Dos seus mundos preferidos Partilha dias e flores Como sonhos prometidos   Isabel fala com as fadas Ra...