18 março 2013

Até quando

 



Jochen Hein: see II 


 


Levantamos o corpo numa penitência diária


de quem ignora ao que regressa


não sabemos parar este irremediável aperto


do tempo esta camisa de ferro a que nos comprometemos


obrigações que só a nós amarrámos mas


que outros sentem secretamente.


Levantamos os olhos da terra para onde


queremos mergulhar mítico lugar de alimento


e paz onde o deserto das casas e das ruas não assusta


mas comove. Recolhemos a vontade aonde ela já não existe


reinventamos em cada segundo a energia que move


músculos e engole a funda tristeza da desesperança.


Até quando.


 

17 março 2013

Aproxima-se uma tempestade de silêncio

 



Ulla Gmeiner:


rauschende stille/roaring silence


Poema de: Porfírio Silva


 


Aproxima-se uma tempestade de silêncio.


As palavras e as bocas desencontraram-se


na poeira do mundo. A única aresta do tempo


onde passados e futuros se encontram,


a tua carne, arde. Essa linha arde, desde esta tarde,


na recusa da tua memória. Há uma terra


repleta, há uma terra deserta


e entre uma e outra um oceano de bocas


fervilham pelo mundo sem que nada aconteça.


Aproxima-se uma tempestade:


sobre esta colina onde vivo abate-se um alvoroçado


silêncio. Palavras e bocas tresmalhadas


tapam o sol e a lua:


chegou o tempo de um eclipse parecer uma promessa.


 

Um dia como os outros (126)

 



(...) Mas, convenhamos, é Gaspar o maior culpado? Obviamente que face aos resultados das suas acções não poderia ficar nem mais um segundo no Governo, mas foi ele quem disse que mesmo que não estivéssemos sujeitos a este memorando de entendimento o iríamos aplicar? Foi ele que disse que se devia ir para além da troika? É ele o maior responsável por uma política que o melhor horizonte que tem para nos apresentar é um desemprego de 18% para 2016?


Foi ele quem definiu uma meta que consiste em destruir uma inteira geração através duma austeridade sem perspectivas? Foi ele quem definiu uma política, que agora não há ninguém que não saiba, provocou que todos os sacrifícios, todos os cortes, todas as desgraças provocadas tivessem sido em vão? Foi Gaspar que condenou os nossos filhos, sobrinhos e amigos a emigrar definitivamente pois o País nada lhes terá para oferecer nas próximas décadas?


Não, não foi ele. Foi o primeiro-ministro. E existisse sentido de Estado, conhecesse Passos Coelho o verdadeiro estado do País, entendesse a enormidade das suas opções e o primeiro-ministro pediria uma audiência ao Presidente da República e faria também o evidente: apresentaria a sua imediata demissão.


A dimensão da tragédia que nos foi apresentada é demasiado brutal para que tudo fique na mesma. Nós já a conhecíamos, mas pela primeira vez o Governo deu a entender que finalmente tinha percebido. Convenhamos, era, aliás, impossível, desta vez, não perceber: os números, sobretudo os do desemprego, são demasiado estridentes.


Falhou, falhou tudo. O fracasso é completo e total. Um Governo que precisa de aqui chegar para perceber que errou não pode permanecer em funções. Um Governo que foi o primeiro agente de destruição duma geração, dum tecido económico, de ter criado uma situação social insustentável, um nível de desemprego que destrói uma comunidade, não pode agora vir dizer que vai mudar (nem essa intenção tem, claro está). Um Governo que espalhou e aplaudiu todo o napalm económico e social que vinha da Europa não tem a mais pequena capacidade de negociar uma outra política. (...)


 


Pedro Marques Lopes


 

16 março 2013

Abismos

 



 


É difícil perceber a obtusidade, a incompetência e o total desrespeito pelas pessoas e pela democracia destes líderes europeus. Vamos de abismo em abismo até...


 

Camille Claudel

 


 



 


 


 



Bruno Nuytten


 


 


 



 Bruno Dumont


 


 


Vi o primeiro filme, com umas soberbas interpretações de Isabelle Adjani e Gérard Depardieu. Fiquei fascinada com Camille Claudel e com as suas obras, a loucura, a obsessão pela terra, pelas mãos, pela criação, o amor-ódio por Rodin e a traição do irmão. Mal posso esperar por esta versão.


 

Prelúdio & Fuga Nº 5 em Ré maior BWV 850

 



 Friedrich Gulda


 


 




 

A recompensa

 


"Troika" só envia novo cheque após despedimentos no Estado


 


Que faria se tivéssemos sido maus alunos...


Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...