17 março 2013

Aproxima-se uma tempestade de silêncio

 



Ulla Gmeiner:


rauschende stille/roaring silence


Poema de: Porfírio Silva


 


Aproxima-se uma tempestade de silêncio.


As palavras e as bocas desencontraram-se


na poeira do mundo. A única aresta do tempo


onde passados e futuros se encontram,


a tua carne, arde. Essa linha arde, desde esta tarde,


na recusa da tua memória. Há uma terra


repleta, há uma terra deserta


e entre uma e outra um oceano de bocas


fervilham pelo mundo sem que nada aconteça.


Aproxima-se uma tempestade:


sobre esta colina onde vivo abate-se um alvoroçado


silêncio. Palavras e bocas tresmalhadas


tapam o sol e a lua:


chegou o tempo de um eclipse parecer uma promessa.


 

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