Se o valor de referência é 10€/hora, porque é que a ARSLVT negoceia com empresas e não diretamente com os profissionais?
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Se o valor de referência é 10€/hora, porque é que a ARSLVT negoceia com empresas e não diretamente com os profissionais?
Dívidas do Estado aumentam o buraco dos Hospitais
As despesas são responsabilidade da gestão de cada hospital. As receitas dos hospitais são provenientes do Estado, que tem que lhes pagar aquilo que contratualizou.
Nós não contratamos enfermeiros, mas serviços de enfermagem.
A falta de respeito pelos cidadãos, os profissionais de enfermagem e a multidão de quem deles precisa, é revoltante. É o próprio Estado que institucionaliza o trabalho de escravo, e é para quem quer. Não há pessoas, há apenas serviços, ao mais baixo preço.
A dignidade deixou de ser um valor. António Borges tinha avisado. Por onde andam os movimentos sindicais, as greves e as manifestações? A FENPROF desapareceu e os restantes olham para a sua própria inutilidade, cavada por tantos anos de incúria e disparate.
Este é o tipo de política que levará ao incendiar do menor rastilho. Não basta a falta de rendimentos, não basta a quase impossível escolha de prioridades, faltava ainda o total desprezo pela dignidade de quem trabalha. E percebemos qual a qualidade que o Ministro Paulo Macedo garante para quem faz parte e para quem precisa do SNS - a do mais baixo preço.
Médicos bons e médicos maus, corruptos e honestos, competentes e incompetentes, há-os como em todas as outras profissões. Que o Estado não é uma agência de empregos e tem toda a razão em exigir o melhor para os seus servidores? Nada é mais evidente.
Também é evidente, como tão bem nota a Ana Matos Pires, é a forma como se tenta manipular a opinião pública com a avalanche de notícias que, subitamente, apareceram com histórias de fraudes de milhões, protagonizadas por médicos e outros profissionais de saúde, em vésperas de uma greve da classe, em defesa do SNS e da qualidade de assistência médica.
Já falei mais de uma vez nestes problemas. Com a implementação das taxas moderadoras para exames complementares de diagnóstico e técnicas de que os médicos se socorrem para o diagnóstico, o prognóstico e indicação terapêutica individualizada – uma conquista da medicina moderna – este governo introduziu a desigualdade de acesso aos cuidados de saúde, que agora também dependem da complexidade e da gravidade da própria patologia.
Dentro de pouco tempo os doentes escolherão o hospital e/ou o laboratório pelo preço e não pela qualidade do atendimento. O SNS deixou de ser universal e tendencialmente gratuito, deixou de ser garantia de qualidade e de igualdade para passar a ser o mínimo a que temos direito. A Constituição? Pelos visto não serve para nada.
Quanto às carreiras médicas, elas eram uma aposta e uma garantia da qualidade e da contínua formação e diferenciação do corpo clínico.
É tão fácil e tão rápido destruir o que tantos anos e tanto esforço levou a construir.
Pacheco Pereira no seu melhor - em tempos de tanto negrume, vale a pena escutar algo que nos possa devolver a esperança.
Du lundi jusqu'au samedi,
Pour gagner des radis,
Quand on a fait sans entrain
Son boulot quotidien,
Subi le propriétaire,
Le percepteur, la boulangère,
Et trimballé sa vie de chien,
Le dimanche vivement
On file à Nogent,
Alors brusquement
Tout paraît charmant!
Quand on se promène au bord de l'eau,
Comme tout est beau...
Quel renouveau...
Paris au loin nous semble une prison,
On a le coeur plein de chansons.
L'odeur des fleurs
Nous met tout à l'envers
Et le bonheur
Nous saoule pour pas cher.
Chagrins et peines
De la semaine,
Tout est noyé dans le bleu, dans le vert...
Un seul dimanche au bord de l'eau,
Aux trémolos
Des petits oiseaux,
Suffit pour que tous les jours semblent beaux
Quand on se promène au bord de l'eau.
Je connais des gens cafardeux
Qui tout le temps se font des cheveux
Et rêvent de filer ailleurs
Dans un monde meilleur.
Ils dépensent des tas d'oseille
Pour découvrir des merveilles.
Ben moi, ça me fait mal au coeur...
Car y a pas besoin
Pour trouver un coin
Où l'on se trouve bien,
De chercher si loin...
Quand on se promène au bord de l'eau,
Comme tout est beau...
Quel renouveau...
Paris au loin nous semble une prison,
On a le coeur plein de chansons.
L'odeur des fleurs
Nous met tout à l'envers
Et le bonheur
Nous saoule pour pas cher.
Chagrins et peines
De la semaine,
Tout est noyé dans le bleu, dans le vert...
Un seul dimanche au bord de l'eau,
Aux trémolos
Des petits oiseaux,
Suffit pour que tous les jours semblent beaux
Quand on se promène au bord de l'eau.
L'odeur des fleurs
Nous met tout à l'envers
Et le bonheur
Nous saoule pour pas cher.
Chagrins et peines
De la semaine,
Tout est noyé dans le bleu, dans le vert...
Un seul dimanche au bord de l'eau,
Aux trémolos
Des petits oiseaux,
Suffit pour que tous les jours semblent beaux
Quand on se promène au bord de l'eau.
Amy Casey: Cloud
1.
Empilhei as gavetas da minha existência secreta e muda
laboriosamente resguardada das feridas que continuamente
reabro numa sondagem incessante de rectas perigosamente
curvadas entre as costas dobradas curiosamente revoltas
novelos de ideias obsessivamente inúteis.
2.
Estratos basais e banais
flores do acaso
sem mais.
3.
Nada como o intenso azul que mergulha entre as árvores
o imenso marulhar do silêncio entre as mãos
que descansam na tua pele.
4.
Ainda não aprendemos as palavras despidas
a aridez dos ossos que despontam nos areais das cidades
ainda não crescemos em distância
armados de braços desiguais
usando a cobardia do conforto
por entre a movediça capacidade de moldagem
e flacidez.
A contestação política não se pode confundir com arruaças e actuações de peseudoterrorismo. Os gangues são perigosos, por muito que se mascarem de cidadãos que protestam.
Não se pode aceitar que num país democrático os ministros, ou seja quem for, sejam acuados mal saiam à rua. Isto não tem nada a ver com manifestações, espontâneas ou planeadas. Este tipo de actividades foram toleradas, se não incentivadas, pelos partidos que estão no governo, quando eram oposição. Neste momento talvez percebam que os arruaceiros de hoje eram os arruaceiros de ontem. E as declarações de Álvaro Santos Pereira são quase patéticas, ao tentar desculpabilizar o caso para não ser acusado de ditador e anti-democrata. Os anti-democratas são os que o assaltaram.
Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...