09 novembro 2011

Feriados

 


Num país laico, não deixa de ser extraordinária a notícia de que a Igreja (Católica) impõe condições ao governo para acabar com alguns feriados.

A subversão da democracia europeia

 



 


Depois de Michael Fuchs ter defendido a demissão de Berlusconi, Angela Merkel assumiu que não pode haver políticas domésticas dentro da moeda única. Para quem ainda alimenta esperanças de integrar uma União Europeia que se rege por regras democráticas, em que os estados soberanos se respeitam, as últimas declarações destes responsáveis alemães, a efetiva demissão de Berlusconi, e o recuo da ideia referendária na Grécia, pode perder definitivamente as ilusões.


 


Neste momento são Os Mercados e a Alemanha, não sei se a ordem dos fatores é arbitrária, que verdadeiramente apoiam ou demitem os governos. O funcionamento democrático de cada país, em que os cidadãos escolhem os seus governantes, é totalmente subvertido pelas pressões externas, os juros das dívidas a aumentar, os ratings a diminuírem e pelo despudor dos responsáveis alemães. Péssimos sinais e péssimas notícias.


 

05 novembro 2011

Sou eu


Chico Buarque 


 


 


Na minha mão


O coração balança


Quando ela se lança


No salão


Pra esse ela bamboleia


Pra aquele ela roda a saia


Com outro ela se desfaz


Da sandália


 


Porém depois


Que essa mulher espalha


Seu fogo de palha


No salão


Pra quem que ela arrasta a asa


Quem vai lhe apagar a brasa


Quem é que carrega a moça


Pra casa


Sou eu


Só quem sabe dela sou eu


Quem dá o baralho sou eu


Quem manda no samba sou eu


 


O coração


Na minha mão suspira


Quando ela se atira


No salão


Pra esse ela pisca um olho


Pra aquele ela quebra um galho


Com outro ela quase cai


Na gandaia


 


Porém depois


Que essa mulher espalha


Seu fogo de palha


No salão


Pra quem que ela arrasta a asa


Quem vai lhe apagar a brasa


Quem é que carrega a moça


Pra casa


Sou eu


Só quem sabe dela sou eu


Quem dá o baralho sou eu


Quem dança com ela sou eu


Quem leva este samba sou eu


 

Continuo


Hessam-Abrishami


 


 


Volto a cabeça dentro do tempo


o olhar devolve-me o espanto


de quem se não reconhece


nesse mundo transformado


mas imutável.


 


Continuo como o mundo


parada mas em viagem


para onde os olhos e o tempo


quiserem.

À volta do lume

 



 


Para mim, a época de Natal começa a ser preparada mais ou menos por esta altura. Começam os fins-de-semana com panelas ferventes de marmelos, laranja, canela, abóbora, jeropiga, rótulos, frascos, garrafinhas, rolhas de cortiça, cola e açúcar, tanto quanto o necessário para abrandar as aarguras da existência.


 


À volta do lume conversa-se, cimentam-se silêncios e cumplicidades. Colheres de pau e mãos meladas, facas, cascas e sementes, chá e paciência, preparam-se cabazes com a substância da amizade.


 


É bom e quente, e sabe-me tão bem.


 

Seis anos


 


De 5 de Novembro de 2005, a torcer por Manuel Alegre, a 5 de Novembro de 2011, a torcer por... nós todos. Não sei se me apetece tanto como há 6 anos. Mas ainda me apetece escrever neste blogue, por vezes descabelado, por vezes morno, cada vez com menos certezas. A todos os que vão aparecendo, obrigada. Vou continuando.


 

Comparações gregas


 


O PS, antes do debate parlamentar do orçamento, depois de conversas entre António José Seguro e Passos Coelho e após reunião das cúpulas do partido, decidiu-se pelo voto abstencionista.


 


António José Seguro não se quer confundir com a oposição grega, tal como Passos Coelho não se quer confundir com o governo grego. A Grécia serve para todos os gostos e a tudo justifica.


 


Ninguém percebe exactamente porque é que o líder do PS deixou de falar no IVA da restauração e passou a falar num dos subsídios excluídos pelo governo. Também ninguém entende para que servem os deputados da nação ou mesmo a existência parlamentar.


 


O PS demitiu-se de ser oposição responsável. Onde está o escrutínio da governação – propostas sobre supressão de transportes públicos, aposta num desenvolvimento económico de terceiro mundo (exploração de minérios), aumento do horário de trabalho sem auscultação/acordo dos trabalhadores, privatizações sem critério, para citar alguns exemplos?


 


Apesar da negação em coro da geminação com o povo grego, caminhamos a largos passos para a mesma situação. Mas sempre a tentar que Os Mercados, o FMI e a Sra. Merkel nos felicitem pelos evidentes esforços de maior austeridade.


 

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...