25 outubro 2011

Credibilidade a quanto obrigas

 


Não consigo perceber porque é que o corte dos subsídios de Natal a todos os trabalhadores não seria considerado credível e levaria à suspensão da ajuda externa. Não consigo mesmo perceber. Ou será que consigo? Só são credíveis medidas que poupem os trabalhadores fora da função pública? Ou dito de outra forma - credibilidade é penalizar os funcionários públicos?

23 outubro 2011

Prata

 



Rudolf Stingel


 


Vendemos a prata dos dias


o ouro não chega para regar almas


sedentas de raízes e flores


mais que de metal ou pérolas.


Restam-nos feridas abertas


que nenhuma noite pode sarar.

19 outubro 2011

Estatura, precisa-se

 


Realmente não acompanho a euforia reservada da esquerda que se seguiu às declarações de Cavaco Silva.


 


Há várias coisas que extraordinárias:



  1. A falta de solidariedade e lealdade do Presidente Cavaco Silva para com o Primeiro-ministro Passos Coelho, com quem conversa todas as semanas.

  2. A capacidade que o Presidente Cavaco Silva tem de se tentar demarcar da política governamental, de uma forma subreptícia, quando é factualmente responsável e cúmplice deste governo.

  3. As reacções de alguns líderes dos partidos da chamada esquerda que aproveitam todas as oportunidades, provenientes das mais diversas circunstâncias e protagonistas, para fazerem piruetas monumentais, usando as declarações oraculares do Mais Alto Magistrado da Nação, por muito infelizes, sibilinas ou desçlocadas que o sejam, para justificarem as suas próprias posições. António José Seguro chega a dizer que o Presidente o ouviu. Absolutamente patético.


O OE é chocante, mas o choque mantém-se com a ausência de estatura política de tantos dos nossos representantes. É aflitivo.

Um dia como os outros (101)

 



O plano de Vítor Gaspar já chocou muita gente, porque é chocante. E não o fez só à esquerda, pois o PSD também ficou chocado e muito. Mas não se consegue mexer. Nem o PS. A principal razão porque o plano é chocante é que ele assenta numa carta que não estava no baralho: a contracção sem limites de salários - e mais aumento de impostos. Assim qualquer um sabe governar. (...)


 


O actual Governo, uma vez por todas, tem de assumir as suas opções. As suas opções radicais. E profundamente anti-europeias. 

O mantra por trás destas opções é também, por seu lado, incompreensível. Trata-se de "recuperar a confiança dos mercados". Este mantra, dito em 2011, não revela uma completa falta de percepção do que se está a passar na economia internacional? Revela. (...)


 


Mas insistamos nos mercados e voltemos ao Chile. Nos anos 1980, um grupo de rapazes de Chicago entrou pela ditadura chilena adentro e "cortou com o passado", fazendo um "ajustamento profundo". Os pormenores não cabem aqui, mas quatro questões importantes cabem: o país era então uma ditadura; não estava integrado num espaço económico e monetário alargado; havia uma enorme taxa de inflação; e os mercados internacionais não estavam de rastos. E o desemprego subiu a perto de 25%, sem subsídios, claro, que isso é para os preguiçosos. (...)


 


Há alternativa? Claro que há. A Europa não se gere pelos 5% de ideias económicas que infelizmente foram parar ao Ministério das Finanças. Nem de perto, nem de longe. Passos Coelho tem muito que aprender. Já está é a ficar sem tempo para o fazer. Vítor Gaspar tem um bocado de razão em pensar como pensa. É isso que acontece sempre, entre economistas. Mas deitou essa razão por borda fora, ao ir tão longe, tão fora da realidade do país, do euro e da Europa. Precisamos de recentrar o País, para o que convém começar por reconhecer as causas das coisas.


 


Pedro Lains

16 outubro 2011

PREC revisitado (?)

 



 


A 12 e 13 de Novembro de 1975, os sindicatos da construção civil cercaram a Assembleia Constituinte, reivindicando a aprovação de um Contrato Colectivo de Trabalho para o sector. O Diário de Notícias, a 17 Novembro titulava: O Povo contra Governo de direita.


 


A 15 de Junho deste ano uma multidão de indignados cercou o Parlamento Catalão. Muitos dos deputados entrou sob escolta de uma brigada policial, aguentando variados insultos. O Presidente do Parlamento teve que se deslocar de helicóptero.


 


Anuncia-se, para 29 de Outubro, data da votação na generalidade do Orçamento de Estado para 2012, uma concentração de indignados em frente à Assembleia da República.

Timothy Schmalz É frequente ter vontade de escrever a minha indignação pelas várias indignidades a que assistimos diariamente. O mundo mud...