15 setembro 2011

O regresso da Santa Inquisição

 


(...) Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (...)


 


 


Porfírio Silva


 


Vale a pena ficar a saber.

Um dia como os outros (96)


(...) O facto de, neste caso, o secretário-geral do PS, ter decidido passear-se pelos bastidores da informação com ar de aluno aplicado à mesma hora em que estavam a discursar delegados é demonstrativo de uma certa concepção cénica dos congressos que se instituíu, e que assenta, por muitos discursos em que se proclame o contrário, numa objectiva falta de respeito pelas bases do partido ali representados pelos delegados. De uma forma distante e racional reconheça-se que os militantes, depois da vitória na eleição para o cargo, passaram para um óbvio segundo plano quando em comparação com os jornalistas que se torna sempre necessário cortejar... (...)


 


A. Teixeira


 

14 setembro 2011

A Madeira não é Jardim

 



 


Durante décadas as inacreditáveis prestações de Alberto João Jardim, antidemocráticas, populistas, despesistas, demagógicas e ditatoriais, foram toleradas e bem aceites pelos seus correligionários políticos, pelos jornalistas e pelos comentadores.


 


O Presidente da República aceitou ser destratado, aceitou o apoucamento da Assembleia Regional da Madeira, tornando-se cúmplice de toda a triste palhaçada que tem sido o desgoverno da Região Autónoma da Madeira. Sócrates e Teixeira dos Santos não tiveram a solidariedade da oposição quando tentaram por cobro a esses desmandos.


 


Agora os jornais gritam a astronómica dívida da Madeira e as dementes declarações de Alberto João Jardim. Será que é o milagre da Santa Troika? O que tem o Presidente da República a dizer à hipotética fraude nas eleições presidenciais de 1980?


 


Será altura do PSD e do Presidente da República claramente se demarcarem de Alberto João Jardim. Não é lícito calar tudo em troca de votos.


 

Estilhaços

 



 


Gerry Judah


 


Levamos a vida a erguer muros de pedras


de estacas de vidro


inquebráveis invisíveis


duros permanentes invioláveis.


Basta um sopro gelado um segundo de desatenção


para que tudo se desmorone e os estilhaços


do vento decalquem as feridas espalhando-as


sem discrição.

Novas oportunidades

 


 



 


Tal como fomos intoxicados pelos partidos da oposição sobre os malefícios da política dos anteriores governos em relação a tudo, mesmo em relação à crise e aos mercados que, subitamente, passaram a ser internacional e inimigos de Portugal, respectivamente, também o fomos em relação à política educativa, com o sistema de avaliação dos professores, que subitamente passou a ser menos importante e a merecer um virar de página, e à incompetência diplomada do programa Novas Oportunidades.


 


Claro que o relatório da OCDE foi imediatamente desvalorizado e acusado de esconder a realidade do país. Não se percebe muito bem quais os instrumentos que Nuno Crato e a restante oposição, particularmente o PSD e o CDS, usaram para medir a realidade do país nem o desvio existente, segundo os mesmos, entre o real e o imaginado e descrito no dito relatório. Nem a causa da OCDE, apesar de em anteriores relatórios ter espelhado o horror da governação socialista, aliás aproveitados pelo agora Ministro, ter repentinamente optado por esconder fosse o que fosse.


 


A dúvida metódica é um método de análise muito apropriado que deve ser aplicado a todas as questões que se nos colocam, de forma crítica e sistemática. Portanto, após a observação da abrupta mudança de estilo e de verdades inquestionáveis a que o PSD e o CDS nos habituaram, com a fronteira bem demarcada pelas eleições legislativas, podemos mesmo, através desse método cartesiano, concluirmos que se alguém escondeu, ou melhor deturpou, a realidade, foram os partidos da anterior oposição.


 


Nota: A propósito vale a pena ler Hugo Mendes.

11 setembro 2011

A memória contra a mentira

 


Considerei o discurso de António José Seguro um bom discurso. Mas a intervenção de Francisco Assis foi a de um líder, de alguém que não renega a história do seu partido, de alguém com uma formação democrática, livre, com a consciência limpa e do que quer para o futuro.


 


Não houve silêncios sobre assuntos delicados, nem abafamento de passados incómodos. Não só disse o essencial e mais importante sobre a forma como esta direita assumiu o poder, ligando-a a uma falha moral, como sobre o patrocínio que esta direita teve e tem do Presidente da República, que assim subverteu e subverte aquele que deveria ser o seu papel. Falou do objectivo central deste governo - o deslegitimar dos poderes públicos do estado - e assumiu com orgulho o legado dos últimos 6 anos de governo socialista, lembrando aos mais esquecidos, como o recém-eleito e legitimado António José Seguro, a necessidade de continuar esse projecto - a qualificação do país com a aposta na escola pública, na ciência e na inovação tecnológica e a modernização da economia, sem esquecer o rigor financeiro, ou seja, olhar para além da crise.


 


Francisco Assis alertou para a aplicação das doutrinas liberais com efeitos que poderão ser devastadores para a coesão social, a propósito do esmagamento da classe média. Embora não o acompanhe no exemplo que citou (o dos cortes nos incventivos aos transplantes) subscrevo todas as suas preocupações - é essencial que se relance o debate político sobre a sociedade que queremos e defendemos, não aceitando um país de desiguais.


 


António José Seguro ganhou as eleições dentro do partido, tudo faz e fará para manter a boa imprensa, mesmo com atitudes pouco edificantes com a que ontem protagonizou, com a ridícula visita aos bastidores da comunicação social, desalojando António Costa do seu lugar de entrevistado. Uma pose totalmente artificial que não enganou ninguém.


 


António José Seguro poderá ser um corredor de fundo, mas falta-lhe a força das ideias.

Ecos

 


 



9 de Setembro/2001


World Trade Center - USA


 


Ecos de silêncios dobrados


distantes mas persistentes


pesados laços invisíveis


anteriores ao mundo que sabemos.


 


Pássaros e pedras em mãos esmagadas


fogo e gelo em horas derramadas.


Ecos agudos de quem já não é


mas sente.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...