Ontem, em resposta a uma das minhas impaciências pela morosidade enervante de certos desenvolvimentos, disseram-me que, apesar de tudo, estávamos ali, a conversar e a tentar alinhar as vontades e as acções, enquanto tudo o resto estava de férias.
Olhando para a nossa vida política tenho que dar razão a quem assim argumentava. O PS está de sabática desde as eleições legislativas. António José Seguro, aquela fera durante o consulado de Sócrates, que se insurgia contra a política de educação, de saúde, etc., parece ter desaparecido para parte incerta, sem que ninguém possa explicar o que pensa, o que pretende, comentários ao que se vai passando, alternativas, sei lá, uma prova de vida.
É claro que o PS está comprometido com muitas das medidas impostas pela Troika, pelo que se espera responsabilidade e não ausência ou omissão. O governo tem tomado medidas no mínimo polémicas. O populismo e a demagogia associados às nomeações para cargos políticos, o novo modelo de avaliação de professores, o plano de emergência social, as privatizações, o TGV, o eventual convite a Mário Crespo, para nomear apenas algumas. Será que o maior partido político na oposição não tem nada a dizer?
Tal como as anteriores lideranças do PSD foram um seguro de vida para o governo PS, António José Seguro é o garante de Passos Coelho. O vazio de ideias que se adivinhava está a revelar-se neste silêncio ensurdecedor.