A descida do rating da República pela Moody’s foi o gatilho para uma enorme quantidade de declarações, das mais desavergonhadas, de pessoas com responsabilidades públicas e políticas, desdizendo tudo o que tinham dito até hoje, com grande vantagem para Cavaco Silva.
A campanha mediática que foi movida durante a anterior legislatura, em que o Chefe de Estado tomou a dianteira, é uma evidência. E os jornalistas, tão rápidos na crítica e na amplificação de tudo o que na direita se aproveitava para achincalhar Sócrates e o governo, mantém uma atitude seráfica, de quem não se apercebe de nada, calando as discrepâncias entre as declarações anteriores e posteriores às eleições.
O mais grave é se o próprio PS começa também a desmarcar-se das políticas que apoiou, numa tentativa de negar o seu passado recente e o seu património. A desistência das políticas da renovação tecnológica, a aposta nas energias alternativas, na ciência, no TGV, as reformas na educação e no SNS (em banho-maria desde a saída de Correia de Campos) são bandeiras de que o PS não pode, e na minha opinião não deve, abdicar.
Não falo do PS por ser o PS, mas apenas porque foi e é o único representante da esquerda democrática em Portugal. Penso que é mais do que óbvio que o BE e o PCP não são alternativa, solução ou sequer ajuda para a necessária refundação da esquerda. Como penso que o PS não deve negar a avaliação do que correu mal, para que mude, refaça, renove.
Antes de 5 de Junho era, como agora é, urgente um debate aprofundado sobre esta União Europeia, sobre o papel de Portugal e dos pequenos países nesta Europa, debate tabu em Portugal e, mais grave ainda, nas instâncias europeias. O problema é político, de política europeia. E é de todos os países da Europa, não só dos periféricos, com a nós próprios nos classificamos.