30 outubro 2010

27 outubro 2010

Justificações

 


Miguel Relvas foi à televisão explicar as razões do PSD para a rotura das negociações. Não explicou nada mas também não é de espantar. As negociações foram uma forma de os dois partidos se justificarem perante as populações. O PS quis passar a mensagem de que estava totalmente aberto às negociações. O PSD quis passar a ideia de que agora terá muitas razões para votar contra o OE de 2011. Mas também deixou a porta aberta, invocando as pressões internacionais e a crise, para se abster. Na verdade, o PSD nunca mostrou como seria possível atingir o défice de 4,6% com as medidas que propunha.


 


Isto é jogo político. Não me parece que ao PSD interesse ficar com o ónus de provocar uma crise política. Aguardará, em pose sacrificial, até que seja possível dissolver a de novo a Assembleia da República. Portanto a erosão do governo e do PS durante os próximos meses é-lhe favorável.


 


Penso que o OE será viabilizado. Além disso, a desesperança dos mercados só nestas alturas é noticiada. Porque quando o governo anunciou a austeridade, os mercados reagiram bem no primeiro dia e reagiram mal nos dias seguintes. As regras especulativas não são tão lineares.


 


Mas o mais interessante é ouvir Manuel Alegre vociferar contra a Europa e as regras do Tratado de Lisboa, como se só agora as tenha descoberto.


 

O próximo Presidente da República

 



 


Cavaco Silva anunciou a sua já anunciada recandidatura. Cavaco Silva ama a pátria, é sério, honesto e frugal, economista, sabe muito de finanças, estudou e avisou os políticos dos seus desvarios. Se não fosse ele, já tínhamos sido engolidos pelo FMI. Claro que já se esqueceu daquele outro político que há cerca de 30 anos atravessa gerações a fazer política. Mas não faz mal. Como ainda por cima vai ser poupado na campanha eleitoral, porque a democracia está cada vez mais cara, lavam-se as manchas passadas com o brilho das virtudes do presente.


 


Cavaco Silva será o próximo Presidente da República.


 

24 outubro 2010

Artesanato político

 



João Franco


 


Não é que seja novidade, mas é sempre importante assinalar: a esquerda parlamentar é composta por dois partidos que apenas servem para protestar. Quando é preciso assumir responsabilidades governativas, estes dois partidos excluem-se automaticamente.


 


A evidência a que nos rendemos, legislatura após legislatura, é que o BE e o PCP são uma espécie de artesanato parlamentar, uma representação popular tradicional, que preservamos como quem preserva as cavacas ou os bonecos de João Franco.


 

Rito da passagem

 



Leo Augustine: removed


 


Subimos a ladeira do cemitério. Vais a frente, o apoio do teu pai. Vejo-te de costas direitas, os músculos tensos, o cabelo arranjado e a roupa apropriada, nos ritos a que nos obrigamos. Sinto-te tão distante e tão perto, dentro da dor que só posso adivinhar e que temo, quando for a minha.


 


Percebo o esforço que fazem ao transportar o caixão. Como é possível se os ossos eram tão finos, a fragilidade tão evidente, o peso tão pouco? Olho para dentro e reconheço que estou a enterrar uma parte da minha juventude. Não lhe chamava tia, como agora é norma, mas de alguma forma, era mais que minha tia, porque era tua mãe.


 

Integração

 


Angela Merkel afirmou que o multiculturalismo falhou redondamente na Alemanha. Não concordo que o multiculturalismo tenha falhado, mas sim a inserção e integração de algumas comunidades nas sociedades ocidentais, principalmente a comunidade islâmica, e não só na Alemanha. Não vale a pena escamotear esta realidade e é perigoso usá-la como arma de arremesso político, à esquerda ou à direita.


 


Na verdade as nossas sociedades terão que observar e analisar o que correu mal, especificamente com as comunidades islâmicas, e estas terão que perceber que há também responsabilidades do seu lado. Integração pressupõe aceitação de valores dos países de acolhimento, observância das suas leis, idênticos direitos e idênticos deveres. Não se pode querer acabar com a discriminação religiosa e cultural para depois se usarem essas características para se reivindicar tratamentos diferentes.


 


Por outro lado, as sociedades de acolhimento terão que respeitar as diferenças, quando tal não colide com a legislação dos seus países. A exigência da aprendizagem da língua e da observância do laicismo do estado deve ser intransigente. A forma condescendente como se acolhem as populações imigrantes é o primeiro e mais forte sinal de xenofobia e o melhor incentivo para a guetização e afastamento da vivência comunitária.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...