30 março 2010

Populismo regimental

 


Mais uma vez se prova que é muito mais interessante atacar o carácter de alguém, melhor se é político, ainda melhor se é deputado, soberbo se é do PS, do que discutir ideias e políticas alternativas.


 


Inês de Medeiros vê-se envolvida na espiral de propaganda dos moralizadores da causa pública, que descobriram que os deputados, quando residem fora do seu círculo eleitoral, têm direito a receber ajudas de custo para as viagens, nos termos da legislação existente, disponível no site da Assembleia da República.


 


Já se chamaram todos os nomes a Inês de Medeiros, blogues e jornais entusiasmam-se com os insultos, sem cuidarem de saber se há algum facto por detrás das notícias - desmentido de Inês de Medeiros no Público, 30 de Março, pág. 29 .


 


Mas porque deve a realidade estragar uma história tão extraordinária? Aliás, como todos estamos cansados de saber, nunca nenhum deputado da nação, em todo o espectro partidário, por honra, pudor e dignidade, aceitaria ser eleito por Lisboa quando residisse no Porto, em Bragança, Freixo de Espada à Cinta, Ponta Delgada ou Funchal, recebendo as ditas ajudas de custo. Mesmo estando tudo isso previsto na lei.


 


Não é lógico? É muito lógico mas a ideia que tem prevalecido é a de considerar os deputados representantes do todo nacional, não apenas do círculo da sua residência. Se os deputados entenderem que isso se deve mudar, que tal alterarem a lei?


 


Mas o mais extraordinário e tristemente significativo é que o próprio Presidente da Assembleia da República, que tal como está escrito no Artigo 16.º dos Princípios Gerais de Atribuição de Despesas de Transporte e Alojamento e de Ajudas de Custo aos Deputados:


 


(...) Artigo 16.º


Casos omissos


Os casos omissos são decididos por despacho do Presidente da Assembleia da República, ouvido o conselho de administração. (...)


 


ainda não se dignou esclarecer os cidadãos revoltados pela ignomínia de Inês de Medeiros permitindo, com o seu silêncio, o enxovalho constante de uma Deputada à Assembleia da República. Mas para Jaime Gama o respeito devido ao Parlamento é mais bem observado se a fórmula regimental pela qual todos se lhe devem dirigir, for sempre rigorosamente obedecida.


 


29 março 2010

O bem

 



Mona Aghababaee: Onde está a liberdade?


 


Falemos do bem, daquele puro sentimento que nos ensinam os padres de mãos postas, as avós sentadas bem direitas nas cadeiras de costas altas. Daquele bem de semana pascal, em que a mesa farta se prepara em jejuns diversos, do bem que pertence às pessoas de bem.


 


Falemos do bem que nos queremos, da luta diária pelo pão de cada dia, do fragmento de noite em que nos deitamos na cama, num cansaço de hábito escuro, na culpa de não encontrar horas nem forças para quem nos quer bem.


 


Falemos do bem do dinheiro multiplicado, que sem raízes nem asas se volatiliza para uns materializando-se noutros, no bem dos redondos braços da lei, da rotunda e árida ética.


 


Falemos do bem das armas caladas e apertadas durante o sono, do bem da fome que morre e que mata, do bem ruinoso das convicções febris, do bem que fazemos por tantos deuses que fabricamos, adoramos e consumimos, embrulhados em plástico ou papel brilhante.


 


Falemos então do mal que este bem nos faz, olhemos para fora das nossas horas, por fora das nossas bênçãos e façamos qualquer coisa de bom, na busca de um raio que nos abra o instante de sermos felizes.

Um dia como os outros (48)

 



(...) O Presidente russo, Dmitri Medvedev, asseverou já que a luta contra o terrorismo vai prosseguir até ao fim, dando ordem pronta para reforçar a segurança em todos os sistemas de transporte do país. A política de repressão do terror e a luta contra o terrorismo vão continuar. Vamos manter as operações contra os terroristas sem cedências, sem hesitações, até ao fim, afirmou à saída de uma reunião de emergência, de acordo com a agência noticiosa RIA Novosti. O atentado ocorreu na hora de ponta da capital russa, com a primeira explosão a dar-se às 7h52 (hora local, mais três horas em Portugal) quando o comboio subterrâneo se encontrava parado na estação de Lubianka, uma das de maior afluência, bem perto do quartel-general dos Serviços Federais de Segurança (FSB, agência sucessora do KGB). Cerca de 40 minutos mais tarde, pelas 8h36 locais, dava-se a segunda explosão, numa outra composição parada, mas na estação do Parque de Kulturi, a seis paragens de distância de Lubianka . Foram duas bombistas suicidas que levaram a cabo estes ataques, garantiu o presidente da câmara de Moscovo, Iuri Luzhkov. A mesma tese foi reiterada em comunicado emitido pelos FSB. (...)


 

28 março 2010

Novos deputados

João Galamba é um jovem que vive a idade da sua geração. Não tenta vender a ideia de uma vida planeada para a política, não tenta mostrar erudição precoce ou espontânea, não tenta ser aquilo que não é.


 


João Galamba entende a cidadania sem complexos e não se veste de intelectual de esquerda nem de descendente de lutador antifascista. Assume a sua infância desafogada, o seu diletantismo, a sua inaptidão para causas que já não existiam. Fez o percurso de um jovem da classe média, média-alta e não se envergonha dele.


 


João Galamba vai sabendo o preço do seu comprometimento. Há muitos que se comprazem e se realizam a enlamear os ingénuos, pois a pequenez e a inveja, aquela mesmo com que enchem a boca das palavras de João Gil, sem perceberem que lhe encarnam a filosofia, amesquinham o que tocam. É bom que o Parlamento possa contar com João Galamba.


 


(via Jugular)

27 março 2010

A derrota dos cavaquistas

 



 


A eleição de Passos Coelho como líder do PSD, pela margem com que foi eleito, é um facto importante e que poderá significar o princípio do fim do cavaquismo, assim como o princípio do começo de uma oposição a sério.


 


Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Alberto João Jardim e Paulo Rangel saíram grandemente derrotados assim como, esperamos, uma certa forma de fazer política.


 


É bom que haja definição à direita para que a esquerda também se reposicione. O PS e o país precisam de luta política e de clarificação ideológica.

26 março 2010

Diário aberto


 


Depois de cerca de 1600 dias a escrever neste blogue, 125 pessoas por dia, em média, vieram ler ou ouvir o que postei.


 


Estou espantada e orgulhosa. Não sei o que esperava a 5 de Novembro de 2005. Ainda hoje me pergunto porque mantenho este diário aberto, em que as opiniões muitas vezes não espelham as dúvidas que me assaltam, as mudanças de humor, os estados de alma, o que vou descobrindo de mim e do mundo.


 


Obrigada a estes mais de 200.000 visitantes.


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...