24 março 2010

Autismo

Já todos percebemos que ninguém está minimamente preocupado com o facto do Primeiro-ministro ter dito ou não a verdade sobre o negócio da TVI. O que tem interessado a oposição, nomeadamente o PSD, é desgastar continuamente a imagem de Sócrates, pela manifesta incapacidade de o derrotarem convencendo os cidadãos de que tem uma alternativa para o país.


 


As audições na comissão de ética são inequívocas. Até Nuno Santos desqualifica Mário Crespo. Acredito que o país inteiro encolha os ombros perante tanto disparate.


 


 


Entretanto os sindicatos continuam a delapidar todo o seu já escasso potencial de defensores dos trabalhadores. As greves anunciam-se e fazem-se por aumentos salariais. Da função pública aos pilotos da TAP, passando pela CP e pela REFER, o autismo é total.

Agências de rating

É muito estranho o timing da agência Fitch, que piorou a classificação da dívida portuguesa. Na verdade não percebo nada de economia, mas se isto não é especulação e chantagem, parece muitíssimo. Por um lado elogiam o PEC, por outro sugerem que não vai ser cumprido e contribuem grandemente para essa possibilidade.


 


Cada vez mais esta obrigação de um estado, de um país, obedecer às agências financeiras, tomando as medidas que elas entendem e sujeitando-se a este tipo de análises e de má publicidade, me revolta. Isto não é melhorar a nossa economia. Isto é obedecer a uma lógica de ganhar dinheiro a todo o custo.

23 março 2010

Ser poeta / Perdidamente

 


 










 


 


Poema de Florbela Espanca


Trovante


 


 


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior


Do que os homens! Morder como quem beija!


É ser mendigo e dar como quem seja


Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!


 


É ter de mil desejos o esplendor


E não saber sequer que se deseja!


É ter cá dentro um astro que flameja,


É ter garras e asas de condor!


 


É ter fome, é ter sede de Infinito!


Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...


É condensar o mundo num só grito!


 


E é amar-te, assim, perdidamente...


É seres alma, e sangue, e vida em mim


E dizê-lo cantando a toda a gente!

21 março 2010

Que o amor não me engana

 



Zeca Afonso


 


 


Que amor não me engana

Com a sua brandura

Se da antiga chama

Mal vive a amargura


 


Duma mancha negra

Duma pedra fria

Que amor não se entrega

Na noite vazia?


 


E as vozes embarcam

Num silêncio aflito

Quanto mais se apartam

Mais se ouve o seu grito

 


Muito à flor das àguas

Noite marinheira

Vem devagarinho

Para a minha beira


 


Em novas coutadas

Junta de uma hera

Nascem flores vermelhas

Pela Primavera


 


Assim tu souberas

Irmã cotovia

Dizer-me se esperas

Pelo nascer do dia

 

Devassa e populismo

 


Jaime Gama fez bem ao lembrar os deputados que os computadores, os assentos, o espaço, os lugares, a responsabilidade, a representação são publicas, de todos nós.


 


Mas não há nada que justifique a invasão da privacidade seja de quem for. Portanto José Lello tem toda a razão e Jaime Gama apenas aumentou a confusão entre informação e coscuvilhice.


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...