Johann Sebastian Bach
David Oistrakh
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Os que clamam pela demissão de Sócrates a propósito dos artigos do Sol, que configuram uma flagrante violação pelo princípio constitucional que diz que todos têm direito a serem considerados inocentes até um julgamento por tribunal os condenar, em flagrante violação do preceito constitucional que diz que todos têm direito à sua privacidade, estão eles próprios a aceitar que, um dia destes, o mesmo lhes possa acontecer.
Porque é exactamente isso que vai suceder. Neste momento, apesar de se dizerem repugnados pelos métodos, já os aceitaram com a desculpa que o que está a ser revelado é horrível. Mas ninguém sabe se o que está a ser revelado é verdade ou mentira. O que sabemos é que é uma parte criteriosamente escolhida de muitas outras partes.
Mas é claro que isso não interessa, porque o objectivo está a ser atingido. Aquilo que não se conseguiu por via eleitoral, está a tentar-se pela via da calúnia e da ignomínia. O mais engraçado é a utilização da palavra carácter. Pelos vistos quem quebra sistematicamente o segredo de justiça, quem subverte todos os dias o estado de direito, quem acha que as regras são só para os outros cumprirem tem carácter que sobeje. Com este tipo de actuação, que se diz jornalismo de investigação, estamos a hipotecar a nossa liberdade.
*Mitridatismo - ao contrário do que Pacheco Pereira considera, o veneno é a violação dos preceitos da justiça.
Nota: Vale a pena ler este post do Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.
Andrés Calamaro
Esperame en el cielo corazon
Si es que te vas primero
Esperame que pronto yo me ire
Ahi donde tu estes
Esperame en el cielo corazon
Si es que te vas primero
Esperame en el cielo corazon
Para empezar de nuevo
Nuestro amor es tan grande y tan grande
Que nunca termina
Y esta vida es tan corata y no basta
Para nuestro idilio
Por eso yo te pido porfavor
Me esperes en el cielo
Y ahi entre nuves de algodon
Haremos nuestro nido
Nuestro amor es tan grande y tan grande
Que nunca termina
Y esta vida es tan corata y no basta
Para nuestro idilio
Por eso yo te pido porfavor
Me esperes en el cielo
Y ahi entre nuves de algodon
Haremos nuestro nido
É difícil escrever sobre os recentes acontecimentos e a noção que tenho de democracia. Estou definitivamente fora de moda.
No ingénuo e desacreditado princípio que acreditava ser a base dos estados democráticos, o poder deveria ser exercido pelos representantes do povo, livremente escolhidos; nessa minha utópica ideia, o poder judicial seria independente do político; supremo engano, o jornalismo seria um baluarte da defesa dos princípios da verdade e da informação.
Olho para o nosso país e o desalento é tão grande que nem sei o que pensar. O jornalismo está ao serviço das várias forças partidárias e dos vários poderes. Serve para veicular histórias, independentemente da sua veracidade, que são usadas para manipular politicamente os cidadãos. A justiça é uma farsa, usando-se casos em segredo, escutas ilegais, destruindo tudo o que são alicerces dos direitos dos cidadãos, como o de serem investigados e julgados pelos tribunais e não na praça pública.
A caça ao homem é a nova modalidade desportiva das nossas elites políticas. Conspurca-se a palavra carácter, usada indiscriminadamente e sem qualquer adequação.
A lei, a justiça, os tribunais, a presunção de inocência são lirismos que passaram a ser arcaísmos. Calúnia, difamação, escutas ilegais, devassa da privacidade, promiscuidade entre os media e os meios judiciais, são o novo paradigma deste presente que, não só de forma Orwelliana mas também Philipiana, não olham a meios para atingir quaisquer fins, bastando lançar as suspeitas de intenções malignas sem necessidade de prova ou demonstração de que essas intenções estão em concretização.
A coberto da liberdade de informação, esse direito constitucional inalienável nos estados democráticos, esqueceram-se todos os outros direitos constitucionais inalienáveis, como os direitos liberdades e garantias dos cidadãos, nomeadamente o de confiarem na justiça.
Nota: Vale a pena ler Pedro Adão e Silva, Daniel Oliveira, Pedro Marques Lopes e Francisco Proença de Carvalho.
Guilherme Silva acha que pregaram a partida ao PS e ao governo. O problema é que também estão a pregar uma partida a Cavaco Silva e ao país inteiro.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...