22 janeiro 2010

Orçamento 2010

 


A Regra do Jogo convida a responder a pensar em qual ou quais seriam as nossas apostas ou prioridades para o Orçamento de Estado de 2010, propondo-se debatê-las.


 

Estranho

 


Estranha semana esta num estranho desequilíbrio de gostar e não gostar. Estranho torpor este de querer e não querer escrever. Tudo suspenso e pendurado por fios invisíveis. Não me apetece contá-los.




Sentimo-nos importantes por fazer parte de alguma coisa, por dizer, sempre dizer seja o que for. A quem interessa?




Estranho sabor este que não desaparece, água límpida para o limpar, desgastar, reparar. Estranho espelho este que desfoca a imagem, tremelica, estilhaça. Estranho acabar.

 

20 janeiro 2010

Jogos do imprevisto

 



La règle du jeu - Jean Renoir (1939)


 


Passaram-se senhas e contra senhas entre imperiais. A mesa obscura esperava pelos jogadores, com o disfarce ao fundo, sob um écran em que se abafavam as assessorias, as remodelações, as cisões e rescisões dos contratos principescos propostos com bifes em molhos secretos.




À volta o ruído cúmplice das conspirações.




Pela calada da noite foram surpreendidos por máquinas digitais, rapidamente apreendidas pelos seguranças. Mesmo assim o jogo foi desmascarado a dois tempos, refazendo as identidades descobertas.


 


(Também aqui)


 

18 janeiro 2010

Festival Jazz Viena 2008

 



Bobby McFerrin & Thomas Quasthoff


 

Do dilema presidencial

 



 


Também votei no Manuel Alegre. Desde a primeira hora identifiquei-me com a candidatura presidencial de Manuel Alegre, revoltada com a cegueira de Sócrates ao apoiar Mário Soares. Foi um erro político que foi pago com a vitória de Cavaco Silva.


 


Ao contrário do que eu esperava Manuel Alegre manteve-se em campanha eleitoral nestes 4 anos, fazendo coro com a oposição ao governo, principalmente com a oposição de extrema-esquerda, populista e irresponsável. Manuel Alegre não ajudou o governo, não apresentou ideias refrescantes e inovadoras, não contribuiu em nada para a reestruturação dos serviços públicos de educação e da saúde, alinhando sempre nos folclores das manifestações à porta das maternidades, à porta dos Centros de Saúde, de braço dado com os professores a bem da escola pública, incentivando e aumentando a barreira entre um governo de esquerda reformista e uma retórica que apenas se reclamava de esquerda.


 


Manuel Alegre apresenta-se de novo como candidato presidencial, no que demonstra também grandeza e vontade de servir o país. Não estão em causa nenhuma das suas características de homem corajoso, referência da cultura e da democracia. Mas como pode Manuel Alegre corporizar agora os anseios de quem votou no PS, de quem apoiou o governo anterior e apoia este governo? Que tipo de Presidente será este que sempre se manifestou contra todo o trabalho do PS em que a maioria da população se revê? Como consegue captar os eventuais arrependidos do voto em Cavaco Silva?


 


Impedir que Cavaco seja reeleito, pois, deve ser o desígnio nacional de qualquer cidadão. – será o meu. Mas não me parece que Manuel Alegre tenha condições para corresponder às expectativas de uma grande parte dos cidadãos. Aliás este desabafo de Manuel Alegre é bem indicativo da forma como se está a posicionar dentro do espectro político. E não, não são sempre os mesmos que têm uma opinião desfavorável. São capazes de ser uns quantos mais.


 

17 janeiro 2010

Da realidade

 


Antes das eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de Abril de 1975, antes das sondagens e dos estudos de opinião, na alvorada das campanhas, das estratégias e das manipulações políticas, havia a percepção generalizada de que o PCP seria a escolha da grande maioria dos cidadãos.


 


A omnipresença dos comunistas e da extrema-esquerda em todas as áreas da sociedade, as manifestações, as canções, os debates nas escolas, nas fábricas, nos serviços, a dificuldade de afirmação do contraditório pelo medo de ganhar fama de fascista (todos eram fascistas e reaccionários, com excepção dos comunistas), era avassaladora.


 


O resultado eleitoral foi uma esmagadora derrota dos comunistas (PCP: 12,46%; MDP: 4,14%) e uma significativa vitória dos socialistas (37,87%). O PPD teve 26,39% e o CDS 7,61%. O País apercebeu-se de que, mais importante do que aquilo que os activos propagandistas faziam acreditar, era o voto popular, era o resultado do acto eleitoral. A decisão popular foi soberana e importantíssima para a legitimidade da luta pela restauração da democracia a 25 de Novembro de 1975.


 


Hoje em dia há vários activos propagandistas na oposição, sendo Pacheco Pereira um dos mais encarniçados. Se substituirmos socráticos por fascistas e reaccionários, estão lá todos os ingredientes da intoxicação pública de uma dramática encenação, fazendo crer que o país não suporta mais este governo, que o país está à beira de o expulsar, tal como antigamente estava prestes a castigar o grande capital, os monopolistas e os latifundiários.


 


Mais uma vez o voto livre demonstra qual a vontade dos portugueses. Nas últimas eleições legislativas, a vontade livre e soberana dos cidadãos legitimou a manutenção do governo do PS e do Primeiro-Ministro José Sócrates. Convinha que não nos esquecêssemos que, por muito que Pacheco Pereira gostasse que fosse diferente, apenas 29,11% dos eleitores (do PSD, partindo do princípio que todos pensam da mesma forma) comungam das opiniões de Pacheco Pereira. O PS teve 36,56%, O CDS 10,43% e o PCP 7,86%.


 


(...) Os tempos de Sócrates estão a acabar, esgotados, encurralados, perdidos na nuvem de arrogância do "animal feroz", na amoralidade da sua política, na mentira total em que transformou toda a actividade governativa, na impotência face a uma crise nacional que agravou e uma crise internacional que ignorou, adiou e, por isso mesmo, também agravou. (...)


 


(...) Já toda a gente percebeu tudo isto menos os intelectuais orgânicos "socráticos", um conjunto modernaço de gente que tem o coração no Bloco de Esquerda, mas a carteira no PS, ou melhor, no gabinete do primeiro-ministro. Gente que pouco preza a liberdade mas que tem acima de tudo um enorme fascínio pelo poder como ele se exerce nos dias de hoje, entre o culto da imagem, o pedantismo das causas "fracturantes", o vanguardismo social, o "diabo que veste Prada" ou Armani, e o "departamento dos truques sujos" à Richard Nixon, tudo adaptado à mediania provinciana da capital. A ascensão ao poder de uma geração de diletantes embevecidos com os gadgets, pensando em soundbites, muito ignorantes e completamente amorais, que se promovem uns aos outros e geram uma política de terra queimada à sua volta, é a entourance que o "socratismo" criou e vai deixar órfã. (...)


 


Convém manter uma visão desapaixonada da realidade. Pacheco Pereira perdeu-a.


 

Der Leiermann

 



Schubert: Die Winterreise

Thomas Quasthoff - baixo barítono

Daniel Barenboim - piano


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...