10 janeiro 2010

Lenda

 



 


Exagero o corpo por dentro de mim

exagero os dedos as balas os dentes

exagero os nervos num frenesim.


 


 


Encolho os olhos dentro da garrafa

sem fricção do mundo sopros de nada

faço do corpo casa de Aladim.


 


Espero por dentro sossego de monstro

estrela dolente lenda esquecida

por sapo beijada bela por fim.


 


 

A mecânica da calúnia

 



 


Pacheco Pereira continua a desenvolver a tese da asfixia democrática na blogosfera, protagonizada pelos empregados do governo que pululam em blogues colectivos, a coberto do anonimato.


 


E já os conseguiu identificar, aos blogues, assim como já lhes traçou os perfis, aos empregados que pululam – pretensos intelectuais à esquerda do PS que acham que gozam da impunidade de quem tem o poder.


 


Também lhes descodificou o estilo, feito de uma caterva de insultos, destruição dos adversários a golpes de calúnias.


 


O mais extraordinário é que tudo o que Pacheco Pereira diz acontece a quem se atreve, na blogosfera, a defender as políticas do governo, a insurgir-se contra as calúnias e os ataques ad hominem a que se sujeitam, às campanhas negras de destruição do carácter de todos os que pensam que vivem em democracia e que podem exprimir livremente as suas opiniões.


 


(Também aqui)


 

O mar em Casablanca

 



Francisco José Viegas


 


Jaime Ramos caminha mais devagar, olha o vazio em baixo das pontes, escreve os caminhos das montanhas, os caminhos que o levam até onde não quer ir.


 


Jaime Ramos está mais silencioso, ouve mais as vozes que se fixaram à sua pele, conhece bem o que não sabe que se passou, conhece melhor o que sabe que se passará.


 


Jaime Ramos envelhece e nós caminhamos, mais devagar, a seu lado.


 

Territórios de caça

 



Luís Naves


 


Um caçador de histórias salva a vida a um vizinho que o faz depositário de um dossier com fotografias e pequenos textos, poemas, fragmentos de cartas ou notas. Prisioneiros?


 


De que forma fazem estes pedaços de vidas parte da sua vida, da vida da cidade ou do país, como se misturam os sentimentos de honra, medo, ignomínia e perseguição?


 


Uma história da mistura entre as várias expressões do carácter dos homens e da memória colectiva, da responsabilidade partilhada, da constante readaptação aos sentimentos de culpa e de renovação. Um caçador de segredos e de amostras dos cinzentos que nos habitam, passada num país que ainda recupera da sombra da ditadura, numa escrita simples, elegante e sensível.

 

All you need is love

 



Lennon & McCartney


The Starbucks Love Project

156 países cantam ao mesmo tempo


 


 


Love, love, love, love, love, love, love, love, love.

There's nothing you can do that can't be done.

Nothing you can sing that can't be sung.

Nothing you can say but you can learn how to play the game

It's easy.

 


There's nothing you can make that can't be made.

No one you can save that can't be saved.

Nothing you can do but you can learn how to be you

in time - It's easy.


 


All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

Love, love, love, love, love, love, love, love, love.

All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

 


There's nothing you can know that isn't known.

Nothing you can see that isn't shown.

Nowhere you can be that isn't where you're meant to be.

It's easy.

 


All you need is love, all you need is love,

All you need is love, love, love is all you need.

All you need is love (all together now)

All you need is love (everybody)

All you need is love, love, love is all you need.

 

09 janeiro 2010

Insónia

 



Jeffrey Batchelor: insomnia


 


De noite abro os livros


inquietos na escuridão


passamos horas de enleio


sussurros letrados e brancos


com que adiamos


a inevitável manhã.


 

Distensão

 



 


Hoje sinto uma certa distensão no ar, pelo menos no ar que eu respiro. Já li vários textos com que não concordo, já me insurgi contra várias opiniões, mas de uma forma benigna e mansa, quase como se não me e lhes desse importância.


 


Nestes dias invernosos e tranquilos, podemos dar-nos ao luxo de uns momentos em paz com o mundo, esquecendo tudo o que se passa e ouvindo música. A música é um dos maiores bálsamos da criatividade humana.


 


Vou continuar a ler jornais e blogues, neste canto em que me refugio das intempéries.


 

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...