07 janeiro 2010

O avanço do Bloco Central

 



 


Tal como Ana Paula Fitas e Tomás Vasques, penso que o PS deveria ter dado liberdade de voto no Parlamento nas votações sobre a legalização do casamento entre homossexuais. Parece-me uma desconsideração pelo papel dos deputados.


 


Além disso foi um erro político. O PS caiu na armadilha do PSD que não se cansa de realçar que ele próprio deu liberdade de voto aos seus deputados. Ou seja, fala-se mais da falta de democracia interna no PS do que na aprovação da lei.


 


O PSD também foi muito habilidoso na resposta à carta de intenções do PS sobre a negociação da proposta do orçamento de estado. Cavaco Silva está a conseguir o que queria – o governo do Bloco Central.


 


(Também aqui)


 

05 janeiro 2010

Equívoco

 



(Leonardo Da Vinci)


 


Pego na morte com pinças


deixo-a entre ameaças veladas


e gadanha escura.


 


Pergunto-lhe se posso esperar


sossegada entre férias de peçonhas


e descanso de tumores.


 


Responde-me misteriosa e altiva


abrindo o equívoco esquálido


do habitual arremedo


da vida.


 

Quando as palavras

 



Mesa


 


 


Estou além sono, num sonho de papel, fio de ópio, sombra chinesa tatuada no céu.

Hoje não me apetece ser do contra, uma enfant terrible.

Quero apenas os novos códigos, quero apenas entrar e participar.

Cruzar-me num sonho que seja possivel para ambos.


 


És o meu Anjo da Guarda e eu dou-te trabalho...

Tu és o meu "Homem-Livro", o meu agasalho:

que lê para mim todas as noites, que me levanta sempre que caio.

Como eu gostava de retribuir. Como eu gostava de aprender a pedir.


 


Quando as palavras não dizem o que somos.


 


A cidade está submersa numa manhã chuvosa.

Pântanos e dinossauros tomam de assalto as avenidas.

A menina tem insónias e só às vezes dorme.

Desaparece e acorda com fome e acorda com fome.

Esta é a minha nova dor. Diz-lhe olá, não a faças esperar.


 


Quando as palavras não dizem o que somos.

Gastamos em tinta o que prometemos em sonhos.

Quando as palavras não dizem o que somos.


 


Oh! Meu Anjo da Guarda, eu sei que te dou trabalho.

Eu e tu somos iguais... eu queria tanto fazer-te feliz...

Não esperes que eu consiga mudar da noite para o dia.


 

Propostas indecentes

 


 


 


Jorge Lacão está com o seu aspecto mais sério e mais composto na SIC - a explicar as boas e sérias intenções do governo em negociar abertamente, tão abertamente que até enviou uma nota à comunicação social publicitando essas tão sérias intenções, com qualquer um dos partidos políticos representados no Parlamento, o Orçamento de Estado para 2010.


 


A esta séria e pública proposta corresponderá certamente uma séria e privada intenção de não negociar rigorosamente nada.


 


Às sérias e públicas reacções a este convite corresponderão certamente sérias e privadas razões para recusar qualquer compromisso.


 


Mas que comédia é esta?


 


(Também aqui)


 

Referendos

 



 


Não sei no que resultaria se os nossos governantes da altura resolvessem referendar algumas coisas que nem nos passa pela cabeça questionar agora:



  • Abolição da escravatura

  • Abolição da pena de morte

  • Direito de voto para as mulheres

  • Alfabetização das mulheres

  • Direitos iguais no casamento para ambos os cônjuges

  • Divórcio com igualdade de direitos para ambos os cônjuges

  • Escolaridade obrigatória

  • Proibição do trabalho infantil

  • Etc.

  • Etc.

  • Etc.


Nota: vale apena ler.


 


(Também aqui)


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...