28 dezembro 2009

Espectáculo

 



Clã & Sérgio Godinho


 


 


Quando

tu me vires no futebol

estarei no campo

cabeça ao sol

a avançar pé ante pé

para uma bola que está

à espera dum pontapé

à espera dum penalty

que eu vou transformar para ti

eu vou

atirar para ganhar

vou rematar

e o golo que eu fizer

ficará sempre na rede

a libertar-nos da sede

não me olhes só da bancada lateral

desce-me essa escada e vem deitar-te na grama

vem falar comigo como gente que se ama

e até não se poder mais

vamos jogar

Quando

tu me vires no music-hall

estarei no palco

cabeça ao sol

ao sol da noite das luzes

à espera dum outro sol

e que os teus olhos os uses

como quem usa um farol

não me olhes só dessa frisa lateral

desce pela cortina e acompanha-me em cena

vamos dar à perna como gente que se ama

e até não se poder mais

vamos bailar

Quando

tu me vires na televisão

estarei no écran

pés assentes no chão

a fazer publicidade

mas desta vez da verdade

mas desta vez da alegria

de duas mãos agarradas

mão a mão no dia a dia

não me olhes só desse maple estofado

desce pela antena e vem comigo ao programa

vem falar à gente como gente que se ama

e até não se poder mais

vamos cantar

E quando

à minha casa fores dar

vem devagar

e apaga-me a luz

que a luz destoutra ribalta

às vezes não me seduz

às vezes não me faz falta

às vezes não me seduz

às vezes não me faz falta

 

Indignação mistificada

 



 


Segundo Mário Crespo, a maioria dos clientes do BPP eram pequenos aforradores. O que me espanta, se bem me lembro, é que o BPP não aceitava clientes com menos de 100 a 150.000€. Segundo esses pequenos aforradores e Mário Crespo, o Estado não resolveu os problemas dos clientes. É claro que João Rendeiro, o antigo Presidente do Banco Privado Português, não tem sido por eles incomodado.


 


Este é um problema para a justiça resolver. É aos gestores do BPP que esses pequenos aforradores devem responsabilizar, não ao governo nem ao Estado.


 


O telejornal abriu com a filmagem de um grupo de pessoas a forçarem a entrada da sede do BPP no Porto, do que foram impedidos por agentes policiais. A esse impedimento surgiram gritos e palavrões, numa vitimização que, a meu ver, por muito que entenda o desespero de quem foi objectivamente enganado, não tem qualquer sentido.


 


(Também aqui)


 

Um dia como os outros (22)

 


(..) União Europeia, Rússia, Itália, Reino Unido, França, Alemanha, Canadá, Áustria., Noruega e Estados Unidos reagiram já à violência no Irão. (...)


 


É muito dura, a luta pela liberdade.


 


(Também aqui)


 

Tenho dias

 


Defino-me como agnóstica, avessa aos fundamentalismos religiosos, diferente dos que procuram explicação exterior para as idiossincrasias do corpo e da mente, a orgânica dos átomos de carbono, a vida e biologia celular, a robótica biológica que somos.


 


 


Como me disseram ontem, tenho dias. Dias em que me esqueço daquilo que nos forma e nos enforma e me aconchego, mesmo sem me aperceber, nos etéreos conceitos do bem e do mal, do corpo e da alma, no conforto de não ser responsável por tudo o que faço, digo, escolho.


 


 


Tenho dias.


 

27 dezembro 2009

Das notícias em fotocópia

 



 


A propósito da área da saúde hoje saiu uma notícia exactamente igual em vários jornais online (Público, DE, DN, Sol) com o mesmo texto e mais ou menos o mesmo título, que nos dá conta da preocupação da Ministra Ana Jorge com a saída de médicos do serviço público para o privado.


 


Nenhum dos jornais se debruça sobre a notícia em si. Quantos médicos saíram para o sector privado? Saíram porque se reformaram ou antes de se reformarem? Saíram de todo ou mantiveram algum tipo de vínculo (licenças sem vencimento, por exemplo)? Saíram a tempo inteiro ou mantêm-se a trabalhar em part-time no Estado?


 


Porque é que saíram? Porque ganham mal, porque não aguentam as condições de trabalho, nomeadamente nas urgências, porque tiveram que escolher entre os dois sectores para não incorrerem em ilegalidades?


 


O que pretende o governo fazer para os motivar os médicos a permanecerem no SNS? Pagar-lhes dignamente exigindo que cumpram os horários e os compromissos? Apostar na formação, na diferenciação positiva de quem faz mais e melhor, de quem se dedica à actividade assistencial e científica? Implementar sistemas de incentivos? Acabar com a mistura e a promiscuidade entre sector público e privado?


 


Não percebo esta multiplicação da mesma notícia sem qualquer outro trabalho adicional. É só preguiça dos jornalistas?


 


(Também aqui)

 

SNS online

 



 


Os programas eSIGIC e eAgenda são duas excelentes notícias para os doentes e para a gestão dos serviços de saúde. Ganha-se em transparência, conhecimento rigoroso da verdadeira dimensão das listas de espera e do tempo médio de resposta a essas situações, e facilita-se a marcação atempada das consultas, reduzindo as filas nos Centros de Saúde e nas USF, com uma enorme melhoria de qualidade para quem está doente, permitindo também agendamentos mais consentâneos com as realidades.


 


É verdade que a internet está disponível a menos de metade das casas portuguesas, o que limita o uso destes serviços. O objectivo terá que ser a cobertura total do acesso à internet para que a implementação seja rápida e fácil. Todos teremos a ganhar.


 


 


 


(Também aqui)


 

A Christmas Song

 



Jethro Tull


 


 


Once in Royal David’s City stood a lowly cattle shed,

where a mother laid her baby.

You’d do well to remember the things He later said.

When you’re stuffing yourselves at the Christmas parties,

you’ll laugh when I tell you to take a running jump.

You’re missing the point I’m sure does not need making;

that Christmas spirit is not what you drink.


 


So how can you laugh when your own mother’s hungry

and how can you smile when the reasons for smiling are wrong?

And if I messed up your thoughtless pleasures,

remember, if you wish, this is just a Christmas song.


 


Hey, Santa: pass us that bottle, will you?


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...