A propósito da área da saúde hoje saiu uma notícia exactamente igual em vários jornais online (Público, DE, DN, Sol) com o mesmo texto e mais ou menos o mesmo título, que nos dá conta da preocupação da Ministra Ana Jorge com a saída de médicos do serviço público para o privado.
Nenhum dos jornais se debruça sobre a notícia em si. Quantos médicos saíram para o sector privado? Saíram porque se reformaram ou antes de se reformarem? Saíram de todo ou mantiveram algum tipo de vínculo (licenças sem vencimento, por exemplo)? Saíram a tempo inteiro ou mantêm-se a trabalhar em part-time no Estado?
Porque é que saíram? Porque ganham mal, porque não aguentam as condições de trabalho, nomeadamente nas urgências, porque tiveram que escolher entre os dois sectores para não incorrerem em ilegalidades?
O que pretende o governo fazer para os motivar os médicos a permanecerem no SNS? Pagar-lhes dignamente exigindo que cumpram os horários e os compromissos? Apostar na formação, na diferenciação positiva de quem faz mais e melhor, de quem se dedica à actividade assistencial e científica? Implementar sistemas de incentivos? Acabar com a mistura e a promiscuidade entre sector público e privado?
Não percebo esta multiplicação da mesma notícia sem qualquer outro trabalho adicional. É só preguiça dos jornalistas?
(Também aqui)
Ou isso ou já perceberam que não lhes é benéfico fazerem muitas perguntas quando o assunto envolve o governo.
ResponderEliminarO nosso povo tem um enorme défice de informação de qualidade (sublinho, de qualidade), no que respeita a tudo o que é Saúde.
EliminarLembro-me de um médico amigo me ter contado, que um dia foi à AR, a uma Comissão Parlamentar, (...não digo nome, nem tema que foi tratar, pq amanha era notícia.... LOL ! ...) e que ficou parvo com a dose de ignorância que os DEPUTADOS possuíam relativamente à matéria de saúde, que estava em análise e em debate.
E são Deputados....note-se.
É suposto que ... consoante as matérias haja especialistas na área.
Mas não ... não é isso que sucede.
Por isso não me admira, na minha santa inocência, que os jornalistas não coloquem as questões que muito oportuna e justamente a Sofia sugere e coloca.
Claro que nestas coisas há tb uma coisa que se chama agenda política.
Mas (ainda) é Natal ..... Sofia.
Abraço ( ..... e tudo de BOM para Si)