19 dezembro 2009

Barreiras

 



 


Parece-me uma péssima estratégia do governo o colocar o ónus de alguns problemas, nomeadamente o chumbo da central de compras para o SNS, no Tribunal de Contas, numa remota e nevoenta recuperada ideia de força de bloqueio. Há, com certeza, assessores jurídicos nos vários ministérios, em particular no Ministério da Saúde, que poderão estudar formas de elaborar protocolos que estejam de acordo com a legislação em vigor. Não se pode exigir dos organismos estatais que cumpram as suas funções fiscalizadoras apenas quando convém.


 


Por outro lado, apesar da postura irresponsável de toda a oposição, o governo e o PS só teriam a ganhar se tomassem a dianteira política e não ficassem presos às agendas dos partidos à esquerda e à direita. As coligações negativas devem ser realçadas, assumindo todos os partidos a responsabilidade de preferirem derrotar o PS e Sócrates a encontrarem soluções que viabilizem soluções governativas.


 


Mas além disso, e de acordo com a observação do Porfírio, seria mais lógico e desejável que o governo escolhesse uma área ideológica prioritária para tentar consolidar uma base parlamentar de apoio, pois não se percebe que as tentativas de entendimento sejam indiferentes à esquerda e à direita.


 


Não me parece credível a sugestão da inevitável dissolução rápida da Assembleia da República. Após um ciclo de três actos eleitorais, em que o PS ganhou dois, no caso das eleições legislativas de uma forma expressiva, não será muito fácil aceitar esta solução. Assim como não é espectável a substituição do Primeiro-ministro por iniciativa presidencial. Há muita vontade de exercitar ficção política, a que se assiste diariamente com a pletora de  comentaristas que ouvimos e lemos.


 


Esperamos deste governo firmeza e determinação para enfrentar a crise, a arrastada e perene crise em que vivemos, com imaginação e sinceridade. Esperamos que este governo governe com a orientação que prometeu na campanha eleitoral – à esquerda.

 


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16 dezembro 2009

Tribunal de Contas

 



 


O Tribunal de Contas continua a recusar os vistos a importante número de iniciativas do governo anterior. Das auto-estradas à central de compras do SNS, passando pela crítica ao financiamento do cheque dentista, parece-me preocupante apercebermo-nos de que a administração pública não está a cumprir as suas funções com rigor e dentro da mais estrita legalidade. Aqui está uma área em que a governação deve ser rapidamente alterada.


 


Guilherme d'Oliveira Martins tem sido incansável na defesa dos dinheiros públicos. É pena que quem tanto acusou o governo de tentativa de controlo do aparelho do estado, quando o nomeou Presidente do Tribunal de Contas, pondo em dúvida a integridade pessoal de Guilherme d'Oliveira Martins, não venha agora louvar essa nomeação e recondução.


 


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A real falta de médicos

 



 


Ainda o Prof. Gentil Martins era Bastonário da Ordem dos Médicos (entre 1977 e 1986) e já se ouvia dizer que não havia falta de médicos, que o problema era a sua distribuição pelo país.


 


Hoje em dia, com a média etária do médicos muito alta, com dados que nos permitem saber que dentro de poucos anos haverá uma enorme percentagem de médicos com idade para se reformarem, com casos conhecidos de médicos já reformados que são contratados para continuarem a exercer nos hospitais públicos e centros de saúde, com a enorme carga horária que os médicos têm para assegurar as urgências, as consultas, as cirurgias, as enfermarias, com o pluriemprego médico, como é possível o Bastonário continuar a argumentar que o que há é má distribuição de médicos?


 


É verdade que sim, que os médicos estão mal distribuídos, que há hospitais com muitos e hospitais com poucos, que há especialidades mais carenciadas que outras mas, mesmo assim, há real falta de médicos.


 


Há dúvidas quanto ao tipo de cursos que se estão a abrir? Será que os médicos formados nas Universidades do Algarve e de Aveiro estarão tão bem preparados como os formados pelos métodos e universidades habituais? Isso sim, deveria constituir uma preocupação primordial da Ordem dos Médicos que, nestes casos, não colocou em causa a qualidade dos cursos.


 


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15 dezembro 2009

14 dezembro 2009

Prémio Pessoa 2009

 



 


Não conheço a obra de D. Manuel Clemente, nem como Teólogo, nem como Historiador. Mas o facto de ser Bispo não me parece impeditivo de merecer o Prémio Pessoa.


 


O desconhecimento da sua obra será certamente devido mais à minha ignorância e falta de interesse do que à sua pouca valia.


 


Pertencer à Igreja Católica não deve ser motivo de discriminação positiva tal como não deverá ser motivo de discriminação negativa.


 


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Ideologia ambiental

 



 


A Cimeira de Copenhaga irá ficar conhecida provavelmente mais pelo Climagate do que propriamente pelas metas e acordos que conseguir em relação aos compromissos de redução de emissões de CO2.


 


Não me parecem questionáveis as vantagens globais de um esforço combinado de despoluição atmosférica, de aposta em energias renováveis alternativas, de redução e reciclagem dos lixos, da gestão criteriosa dos recursos naturais, nomeadamente hídricos, de protecção de espécies ameaçadas, em suma, de respeito pelo ambiente e pelo planeta.


 


Mas isso não deve ser feito através da intoxicação da opinião pública com ameaças e previsões de assustadoras, baseadas em estudos científicos que, pelo que se vai sabendo, têm sido orientados para concluir que o aquecimento global está a acelerar pelo efeito no ambiente do Homem.


 


A ciência faz-se todos os dias e o que é uma certeza hoje pode tornar-se incerteza amanhã. A comunidade científica é formada por pessoas, tão permeáveis como quaisquer outras a pressões e lobbies. Os emails revelados fazem suspeitar de uma gigantesca mistificação de contornos ainda pouco nítidos.


 


Interesses poderosos há-os da parte das companhias petrolíferas. Mas não os haverá também da parte dos grupos que se dizem defensores do planeta e profetas das iminentes catástrofes?


 


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Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...