13 dezembro 2009

Pela Paz

 


 


 


Foi uma semana cheia de trabalho pelo que fui assistindo ao que se passava à minha volta, sem capacidade para apreender a voragem de notícias. Que são muitas, que parecem todas muitíssimo importantes, imprescindíveis para a vida do nosso dia-a-dia, mas que se revelam efémeras e banais.


 


Não foi o caso do discurso de Obama na cerimónia de entrega do prémio Nobel da paz. Obama fez um discurso extraordinário e corajoso, enfrentando as suas responsabilidades como Presidente dos Estados Unidos nas guerras contemporâneas, mas lembrando que há guerras inevitáveis e que o combate pela paz é exigente e não dá tréguas a nenhuma das nações que se dizem dela defensores.




(...) I understand why war is not popular. But I also know this: the belief that peace is desirable is rarely enough to achieve it. Peace requires responsibility. Peace entails sacrifice. (...)


 


Obama faz um discurso marcadamente ideológico, mostrando aquilo em que acredita e aquilo que quer fazer, exortando as outras nações, grandes e pequenas, ricas e pobres, a comprometerem-se com uma estratégia conjunto para alcançar a paz.


 


(...) First, in dealing with those nations that break rules and laws, I believe that we must develop alternatives to violence that are tough enough to change behavior - for if we want a lasting peace, then the words of the international community must mean something. (...)


 


(...) This brings me to a second point - the nature of the peace that we seek. For peace is not merely the absence of visible conflict. Only a just peace based upon the inherent rights and dignity of every individual can truly be lasting. (...)


 


(...) Third, a just peace includes not only civil and political rights - it must encompass economic security and opportunity. For true peace is not just freedom from fear, but freedom from want. (...)


 


Foi um discurso intencionalmente poderoso e humilde. Não tenho a certeza de que Obama mereceu este Nobel, mas tenho a certeza de que fará tudo para o merecer. Queiram outros Chefes de Estado assumir assim as suas responsabilidades, contribuindo realisticamente para a construção de um mundo mais justo.


 


(...) We can acknowledge that oppression will always be with us, and still strive for justice. We can admit the intractability of depravation, and still strive for dignity. We can understand that there will be war, and still strive for peace. We can do that - for that is the story of human progress; that is the hope of all the world; and at this moment of challenge, that must be our work here on Earth.


 


(Também aqui)


 

Seguro de memórias

 



Salvador Dalí - el caballero de la muerte


 


A morte pendura-se nos gestos


respira-se pelos cantos


subtil e densa como sangue


palpitante e perpétua como vida


seguro de memórias no amor


perversa novidade ao nascer


sempre e dolorosamente.

 

Um dia como os outros (17)

 


(...) a criação de um clima de medo e intimidação na opinião pública por parte de certas organizações ecologistas e figuras públicas, para, mais do que fazerem passar a sua mensagem, imporem-na de forma totalitária e assente apenas em factores emocionais, sem possibilidade de contestação ou de contraditório.


 


(Também aqui)


 

Ruídos ensurdecedores

 



Salvador Dali - elefantes


 


O tempo esvai-se antes de acontecer. Mal surge uma voz, uma pergunta, um bater de asas, mil vozes, mil perguntas mil bater de asas fazem eco mesmo que não sejam vozes, não encontrem perguntas, não batam asas. E de repente já se calaram as vozes, já se esgotaram as perguntas, já murcharam as asas na voragem do ruído ensurdecedor que reproduz ondas e sons sem sentido, até que o rumor do silêncio deixe de existir.


 


Nessa altura cegaremos, ensurdeceremos, apagaremos a individualidade, sem tempo para pensar.


 

Um dia como os outros (16)

 


"O que ficou visível nesta crise é que afinal de contas os grandes riscos foram assumidos pelo público e por isso não me parece que esses grandes ganhos tenham a mínima justificação"


 


(Também aqui)


 

Conforto

 


Ouço as vozes quase em surdina, amáveis, excitadas, delicadas, as vozes de quem saboreia a companhia mútua, de quem se gosta e sente falta.


 


O que explica o amor, a ternura, a vontade de cuidar? Não sei, mas estas vozes ao longe asseguram-me um conforto imenso.


 

09 dezembro 2009

Concurso na Barbearia

 



 


A Barbearia do senhor Luís abriu o tão esperado concurso da época. Este ano são os burros do presépio os contemplados.


 


Claro que este Quadrado não ficaria bem defendido se não se apresentasse a concurso.


 


Este é o nosso burrito, com ar satisfeito e bem enfeitado. É para ganhar, claro.


 

Os pacotes

Sábado Há sempre uma forma mais ou menos enviesada de falar de coisas pouco simpáticas. Além disso, hoje em dia privilegiam-se epítetos mais...