16 julho 2009

É Lisboa que ganha

 


António Costa vai congregando á sua volta aqueles que já perceberam que Santana Lopes de volta é que não pode ser.


 


Primeiro José Sá Fernandes, depois Helena Roseta. Quem quer fazer alguma coisa pela cidade sabe que António Costa é um homem em quem se confia.


 


Acho engraçada a ginástica que se tem feito para esborratar um pouco a pintura: a estranheza com que é encarado o compromisso de António Costa para com a câmara de Lisboa em paralelo com a indignação do não comprometimento de Elisa Ferreira e de Ana Gomes com as respectivas câmaras do Porto e de Sintra. Um está a preparar-se para assaltar o poder no PS, as outras estão a salvaguardar o emprego em Bruxelas.


 


Tudo serve para criticar. Em Lisboa o PS arrisca-se mesmo a ganhar. Ainda bem para Lisboa.


 

Maré alta

 



Sérgio Godinho


 


 


Aprende a nadar, companheiro

aprende a nadar, companheiro

Que a maré se vai levantar

que a maré se vai levantar

Que a liberdade está a passar por aqui

que a liberdade está a passar por aqui

que a liberdade está a passar por aqui

Maré alta

Maré alta

Maré alta


 

12 julho 2009

Duplas candidatas (2)

 


A decisão de acabar com as duplas candidaturas às eleições por parte do PS foi uma boa decisão. A esse respeito já tinha manifestado a minha opinião sobre as candidatas Ana Gomes e Elisa Ferreira.


 


Acho que era preferível que elas próprias quisessem fazer essa escolha. Mas há que não aproveitar a decisão do PS para denegrir as candidatas e tentar justificar o seu ataque, nomeadamente de dentro das estruturas do PS  do Porto, que de imediato vem exigir uma decisão de Elisa Ferreira.


 


A verdade é que, quando estas candidaturas foram propostas e aceites não havia quaisquer tipos de restrições. Inclusivamente a dupla candidatura, tanto de Elisa Ferreira como de Ana Gomes, funcionou como uma bandeira do PS, é bom que não nos esqueçamos disso. Por outro lado, tem sido uma prática de sempre e dos vários partidos políticos que só agora se considera importante, depois de Paulo Rangel, demagogicamente, ter usado o pretexto  como arma de arremesso político contra o PS e, pessoalmente, contra as  próprias candidatas.


 


Elisa Ferreira, assim como Ana Gomes, mesmo que não concorde com elas, têm toda a legitimidade de manter a sua posição e parece-me muito negativo que o aparelho partidário mostre ao país a forma como, sob a capa da transparência, faz ultimatos a quem pode não ter vontade de se rodear apenas de indefectíveis militantes.


 


A tendência de rotular as pessoas de oportunistas e vendidas aos seus próprios interesses acabará por afastar muitos independentes dos cargos públicos. E se tanto se clama contra a partidarização do estado, muito pouco se faz a favor da sua despartidarização.

 

Lisboa de Sophia

 



 


Fim da tarde, início da luz brilhante de verão sobre Lisboa. Por vezes cumprem esse ritual de trocarem palavras e silêncios, partilharem interrogações e espantos, olharem essa cidade de colinas e sentirem que o vento lhe lava as almas.


 


A Lisboa de Sophia entrega-se, uma Lisboa mestiça, com aguarelas dos novos habitantes, essa amálgama de gentes e culturas.


 


A Lisboa dos cheiros sedu-las e guia-lhes os passos até a um canto de sabores picantes.


 


A Lisboa dos amigos espera por mais um ritual, por estreitar ainda mais alguns laços indefiníveis.


 


(foto daqui)

 

11 julho 2009

Sozinho

 



Caetano Veloso


 


Às vezes, no silêncio da noite

Eu fico imaginando nós dois

Eu fico ali sonhando acordado, juntando

O antes, o agora e o depois

Por que você me deixa tão solto?

Por que você não cola em mim?

Tô me sentindo muito sozinho!


 


Não sou nem quero ser o seu dono

É que um carinho às vezes cai bem

Eu tenho meus segredos e planos secretos

Só abro pra você mais ninguém

Por que você me esquece e some?

E se eu me interessar por alguém?

E se ela, de repente, me ganha?


 


Quando a gente gosta

É claro que a gente cuida

Fala que me ama

Só que é da boca pra fora

Ou você me engana

Ou não está madura

Onde está você agora?


 


Quando a gente gosta

É claro que a gente cuida

Fala que me ama

Só que é da boca pra fora

Ou você me engana

Ou não está madura

Onde está você agora?

 

Escuto

 



poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


pintura de Teresa Dias Coelho


 


Escuto mas não sei


Se o que oiço é silêncio


Ou deus


 


Escuto sem saber se estou ouvindo


O ressoar das planícies do vazio


Ou a consciência atenta


Que nos confins do universo


Me decifra e fita


 


Apenas sei que caminho como quem


É olhado amado e conhecido


E por isso em cada gesto ponho


Solenidade e risco


 

Assumir responsabilidades

 


Vítor Constâncio aprofundou a fragilidade com que se mantém no cargo de Governador do Banco de Portugal. A conferência de imprensa em que questiona a oportunidade da comissão parlamentar sobre a nacionalização do BPN, acusando-a mesmo de ter prejudicado investigações entretanto iniciadas, demonstrou que Vítor Constâncio não soube assumir a sua responsabilidade política pelos casos do BCP, BPP e BPN.


 


É penoso ver Vítor Constâncio colocar-se nesta situação. Devia ter-se demitido logo que começaram a surgir suspeitas de falaha de supervisão.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...