Afinal o défice de 2008 é de 2,6% e não de 2,2%. Suspeito que não tarda nada teremos um orçamento suplementar do suplemento ao orçamento feito para 2009 (défice de 4, 5, 6%?).
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
Afinal o défice de 2008 é de 2,6% e não de 2,2%. Suspeito que não tarda nada teremos um orçamento suplementar do suplemento ao orçamento feito para 2009 (défice de 4, 5, 6%?).
Está a ser muito interessante acompanhar o enorme desconforto com que o artigo de Marinho e Pinto, o histriónico Bastonário da Ordem dos Advogados, está a ser recebido por todos os que elegeram o caso Freeport como a razão de ser e o objectivo último da sua luta política contra Sócrates.
O mais desconfortável para quem leu o artigo (infelizmente não consegui acesso ao citado despacho de Julho de 2006 da Magistrada do MP Inês Bonina) é a cada vez maior convicção que todo este caso é, de facto, uma campanha negra, é a demonstração da promiscuidade entre investigadores da polícia, políticos e jornalistas, é a certeza de que a justiça não é justa, neste Portugal democrático.
Mas, é claro, Marinho e Pinto deve ter sido governamentalizado.
Desta vez vou responder a um desafio sobre a verdade da mentira, que me foi feito pela Donagata, agradecendo-lhe também um cristalino prémio que decidiu conceder-me.
Tenho que descobrir em que é que a Donagata mentiu, e por três vezes, ronronando e rindo como só ela sabe.
Adoro conduzir mas tenho imensa falta de orientação. – acho que não lhe falta orientação, Donagata.
Fui ameaçada de prisão numa viagem de avião. – conheço algumas aventuras da Donagata pelos ares, mas esta escapou-me.
Adoro chá. – eu diria que era mais café.
Cabe-me agora mentir bem e acertar também, para que não se distingam as três inverdades, como algumas pessoas dizem e que aqui estão misturadas, esparrelas para os próximos desafiados cairem.
Quanto ao prémio de cristal, após agradecimento emocionado, passo-o reverenciando outros blogues, bem mais merecedores do que eu, e que deverão responder a este (in)verdadeiro desafio: Garfadas on line, thesoundofsilence, Hora de Almoço, Grama a Grama, bonstempos hein!?.
Tal como o anúncio da Antena 1, o anúncio modificado pelo Bloco de Esquerda (via Arrastão) não tem graça e é estúpido, além de apelar ao proteccionismo económico e à xenofobia.
Pois é, podemos ver significados ocultos e pouco próprios em tudo o que entendermos. Por isso é que é bom haver liberdade de expressão e cada um dizer o que quer e interpretar o que ouve como lhe apetece.
Ou também devemos censurar esta nova versão?
Não é possível confundir a existência de cuidados paliativos com a defesa ou a existência legal de eutanásia ou de suicídio assistido.
Em primeiro lugar é preciso distinguir entre eutanásia activa, prática em que se usam meios que aceleram a morte de um doente incurável, de uma forma controlada e assistida, de forma a abreviar o sofrimento e a preservar a sua dignidade, de eutanásia passiva, em que apenas se deixam de usar os métodos que permitem prolongar a vida a um doente nas mesmas condições.
O suicídio assistido é diferente pois o doente, a seu pedido e não conseguindo ele próprio praticar suicídio, conta com a ajuda de alguém para o fazer.
Os cuidados paliativos baseiam-se no conceito de ortotanásia, tentando que os doentes tenham uma morte o mais natural possível, permitindo a evolução da doença, com suporte médico, de enfermagem, de assistência social e psicológico.
As palavras do Bastonário Pedro Nunes, reduzindo o debate destes temas a uma questão de poupança de muita massa é inaceitável e não é sério. Tal como na questão da despenalização da IVG, estes temas devem ser discutidos na nossa sociedade como o foi noutros países, sem que tenha sido a poupança do orçamento do estado a razão da discussão.
Todos os dias nos enfrentamos com dilemas morais e éticos em que nos interrogamos se vale a pena o prolongamento da vida de alguém a todo o custo (distanásia). Muitas vezes me pergunto se eu quereria um fim de vida totalmente dependente de medicamentos, dos cuidados de outros, em sofrimento, de uma morte longa e cruel ainda em vida. A minha resposta é inequivocamente não.
Quem defende a possibilidade de uma pessoa decidir se, quando e como quer morrer, não faz dela uma assassina em massa. A possibilidade de abreviar o sofrimento inevitável a alguém não é condenável, podendo até revestir-se de contornos desesperados e quase heróicos.
Reduzir estes sentimentos e estas perplexidades à poupança de massa não tem nome.
Jade Goody morreu. Cancro do colo do útero, fatal, numa mulher de 27 anos.
Ouvi hoje de manhã que Jade Goody tinha sido devorada pela televisão. Fiquei a pensar nisto. Tudo se passa na televisão. Somos levados a admitir que se não foi notícia, não aconteceu.
Discute-se a política da crise, a crise da economia, os segredos bancários, as polícias secretas, os erros dos árbitros. Chora-se por perdão, grita-se de indignação, ri-se de pura ironia. Expõe-se a pobreza, a miséria, a ignorância, a cupidez, a ignomínia, o oportunismo, o desespero, o corpo, a saúde, a doença. Tudo público, tudo para ser visto, vasculhado, violado pelos olhares, pelos comentários, pelos juízes.
Mas o que devorou Jade Goody não foi a televisão nem os media. Acho até que ela soube lidar com eles, independentemente do juízo moral, do arrepio ou da complacência que possamos ter, do significado filosófico, do asco, da pena, Jade Goody tirou partido da degradação e da fome de bisbilhotice, ganhando muito dinheiro com isso.
O que devorou Jade Goody foi um cancro no colo do útero, que pode ser evitado e diagnosticado com um simples exame citológico. Ainda por cima no Reino Unido, um dos primeiros países a organizarem um programa de rastreio na população feminina (entre 1998 e 2008 houve uma diminuição do número de mortes, considerando todas as idades, de 1.077 para 756 - cerca de 30% menos; 3,5 para 2,3 mortes por 100.000).
Que fique este alerta e esta lembrança: o rastreio é a melhor solução para que não haja mulheres de 27 anos a morrerem de cancro do colo do útero.
Jade Goody foi usada e usou os media em seu benefício. Digamos que foi um negócio. Estranho e triste negócio, mas negócio.
poema de Manuel Alegre
pintura de Giacomo Balla
Havia dentro das palavras
multidões a correr em cada imagem
praças cheias de versos e versos cheios de
gente. Havia uma rua pela página acima
e folhas e folhas pela rua. Havia o teu rosto
na cidade. Ou talvez a cidade no teu rosto.
Havia naquele dia o que
se via e não se via. E só se ouvia
o que não se
ouvia.
Era uma surda obsessiva
litania. Ou talvez
poesia.
Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...