21 março 2009

Naquele dia

 


 


poema de Manuel Alegre


pintura de Giacomo Balla


 


Havia dentro das palavras


multidões a correr em cada imagem


praças cheias de versos e versos cheios de


gente. Havia uma rua pela página acima


e folhas e folhas pela rua. Havia o teu rosto


na cidade. Ou talvez a cidade no teu rosto.


Havia naquele dia o que


se via e não se via. E só se ouvia


o que não se


ouvia.


Era uma surda obsessiva


litania. Ou talvez


poesia.


 


 

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