24 março 2009

Eutanásia

 


Não é possível confundir a existência de cuidados paliativos com a defesa ou a existência legal de eutanásia ou de suicídio assistido.


 


Em primeiro lugar é preciso distinguir entre eutanásia activa, prática em que se usam meios que aceleram a morte de um doente incurável, de uma forma controlada e assistida, de forma a abreviar o sofrimento e a preservar a sua dignidade, de eutanásia passiva, em que apenas se deixam de usar os métodos que permitem prolongar a vida a um doente nas mesmas condições.


 


O suicídio assistido é diferente pois o doente, a seu pedido e não conseguindo ele próprio praticar suicídio, conta com a ajuda de alguém para o fazer.


 


Os cuidados paliativos baseiam-se no conceito de ortotanásia, tentando que os doentes tenham uma morte o mais natural possível, permitindo a evolução da doença, com suporte médico, de enfermagem, de assistência social e psicológico.


 


As palavras do Bastonário Pedro Nunes, reduzindo o debate destes temas a uma questão de poupança de muita massa é inaceitável e não é sério. Tal como na questão da despenalização da IVG, estes temas devem ser discutidos na nossa sociedade como o foi noutros países, sem que tenha sido a poupança do orçamento do estado a razão da discussão.


 


Todos os dias nos enfrentamos com dilemas morais e éticos em que nos interrogamos se vale a pena o prolongamento da vida de alguém a todo o custo (distanásia). Muitas vezes me pergunto se eu quereria um fim de vida totalmente dependente de medicamentos, dos cuidados de outros, em sofrimento, de uma morte longa e cruel ainda em vida. A minha resposta é inequivocamente não.


 


Quem defende a possibilidade de uma pessoa decidir se, quando e como quer morrer, não faz dela uma assassina em massa. A possibilidade de abreviar o sofrimento inevitável a alguém não é condenável, podendo até revestir-se de contornos desesperados e quase heróicos.


 


Reduzir estes sentimentos e estas perplexidades à poupança de massa não tem nome.

 

8 comentários:

  1. Concordo com todo o teu post. Numa primeira parte acabei até por tomar conhecimento de palavras associadas a alguns conceitos, as quais desconhecia.
    Quero, todavia, salientar os dois últimos parágrafos. um, porque refere um aspecto importantíssimo e tantas vezes ignorado quando se discutem estes assuntos que é o heroísmo necessário a força implícita num acto destes. Eu sou a favor da eutanásia em casos extremos. Mas será que teria coragem de mandar acabar com o sofrimento de um filho, do marido, da minha mãe, nas situações em que acho correcto fazê-lo? Sinceramente, creio que não. Em mim, talvez fosse. Mas ter de tomar essa decisão para com outros...
    O último parágrafo é apenas para reforçar a enormidade que consiste na redução de problemas com este grau de sensibilidade "à poupança de massas". É indescritível, inadmissível e completamente inacreditável.

    ResponderEliminar
  2. aires bustorff09:05

    Eu diria que

    estas questões são do foro individual enquanto pessoas o podem assumir

    e não deve ser à bastonada de nenhum bastonario ou padreco

    a decidir

    do sofrimento sem solução de doentes ou pessoas infelizes

    Tem direito à livre escolha sem dramas nem falsas solidariedades

    abraço

    ResponderEliminar
  3. Tudo SobreTudo12:30

    Parabéns por este post... e pelo destaque no Sapo!
    TST

    ResponderEliminar
  4. VLSM13:54

    Tema demasiado complexo, contudo este posto pelo menos permite balizar determinados conceitos que andam de boca em boca sem perceber muito do que é. Confesso que não tenho grande opinião, no sentido, em que consigo encontrar argumentos válidos em ambas as vertentes, do favor ao contra. É tipo ter de escolher de quem se gosta mais, do Partido Socialista ou do Bloco de Esquerda, ou do PSD ou do PP, quando realmente não se gosta de nenhum. Mas tendo que escolher, deixo esta nota apenas. Não sou ninguém para apontar o dedo seja a quem for nesta matéria. Desde que o acto seja consciente e não seja egoísta respeito. Não digo se seria ou não seria capaz de, porque só vivendo uma situação dessas é que se tem a consciência verdadeira do problema, e espero nunca ter essa consciência no sentido da vivência. Assim, respeito e não condeno ninguém. Mesmo para os católicos digo " não julgues para não ser julgado. É uma máximo que uso sempre. Parabéns porque sem dúvida é um post elucidativo

    ResponderEliminar
  5. pinkcode14:31

    Acho o blog bastante interessante e este post, como me diz respeito, tenho que comentar.
    É lamentavel que em Portugal, ainda se conotem os Cuidados Paliativos com a morte... e que se falem deles juntamente com temas como a Eutanasia!
    Pergunte a um Oncologista por exemplo...
    Ao fazer e difundir esta conotação, estamos a tornar o trabalho dos médicos muito mais dificil!
    Sabem o que é chegar ao pé de um doente/ familia, falar-lhe de Cuidados Paliativos, e esse doente pensar logo que tem em mãos uma sentença de morte?...

    As pessoas sabem que há Notas de Alta nos Cuidados Paliativos?
    Por acaso sabem que por vezes os Cuidados Paliativos servem de suporte em momentos de maior fragilidade dos doentes?

    É necessário mudar um pouco a mentalidade e o discurso das pessoas.
    Se há casos em que se apoia a ultima fase da vida, talvez a maioria, há muitos outros em que se apoia UMA fase da vida... ao qual se segue outra, com sintomas menos agudos...

    Pensem nisso...

    Obrigada

    PM

    ResponderEliminar
  6. gostei dest blog-parabens

    http://anadiacombento.blogspot.com (http://anadiacombento.blogspot.com)

    ResponderEliminar
  7. Obrigada a todos pelos comentários. Este é um assunto complexo e delicado, que devemos ponderar com toda a cautela e sensibilidade.

    ResponderEliminar
  8. Para mim, para além das palavras do Pedro Nunes caceteiro , também não tem nome o facto de os membros da OM não encontrarem ninguém menos idiota e menos boçal para os representar. Sou católico participativo mas se tiver (e estiver em condições) de tomar essa decisão em relação a mim, não terei muitas dúvidas. Se cá não for possível, já tenho de lado uns dinheiritos para ir à Dignitas , na Suiça.

    ResponderEliminar

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...