21 março 2009

Naquele dia

 


 


poema de Manuel Alegre


pintura de Giacomo Balla


 


Havia dentro das palavras


multidões a correr em cada imagem


praças cheias de versos e versos cheios de


gente. Havia uma rua pela página acima


e folhas e folhas pela rua. Havia o teu rosto


na cidade. Ou talvez a cidade no teu rosto.


Havia naquele dia o que


se via e não se via. E só se ouvia


o que não se


ouvia.


Era uma surda obsessiva


litania. Ou talvez


poesia.


 


 

Próximo Provedor de Justiça

Gostava de perceber exactamente porque é que o PSD não aprova que Jorge Miranda seja o próximo Provedor de Justiça. Apenas porque não foi o PSD que o sugeriu?

Anúncios e liberdade (1)

Não costumo ouvir a Antena 1. É muito aborrecida mesmo. Por isso só vi o anúncio de que se fala na blogosfera.


 


Fico espantada com a polémica que se levantou. Realmente o anúncio é muito estúpido, não tem graça. Mas é um anúncio, imaginado e realizado por uma agência de publicidade. Vamos suspeitar que foi José Sócrates, ou alguém por ele, que o encomendou? Haja paciência.


 


Também não costumo ver a TVI. É tudo aquilo que eu abomino nos pseudojornalismo pseudoinformativo. Ao contrário de Manuela Moura Guedes, eu acho que o jornalismo deve ser informativo, se necessário incómodo. Mas não o contrário, ou seja só é jornalismo se for incómodo, agressivo, histriónico e anti-governo.


 


Ou seja: neste momento a liberdade está ameaçada e a democracia nas vascas da agonia quando há campanhas publicitárias que sugerem que os cidadãos odeiam as manifestações e quando a ERC afirma que vai investigar as queixas contra o jornal da TVI.


 


A liberdade da imprensa mede-se pela quantidade de vitupérios que se dizem contra o governo, o PS e Sócrates, em particular, atingindo e levando por arrasto tudo o que se lhe chegue, ainda que de leve.


 


Estranha concepção de democracia.

19 março 2009

As próximas medidas anticrise (2)

Afinal fui precipitada. Ao contrário do que os jornais anunciavam nas capas, e pelos vistos também as televisões, a redução de 50% nos pagamentos das prestações imobiliárias vão ser apenas reduções temporárias, a negociar um pagamento posterior.


 


É sempre assim quando acredito nos títulos dos jornais. Felizmente há blogues que nos espevitam o adormecimento.


 


É o jornalismo a que temos direito. Ainda não é desta que vem o viagra e o trimgel.

18 março 2009

As próximas medidas anticrise (1)

 



 


No próximo debate parlamentar, o governo anunciará a distribuição de viagra a pedido, grátis, para além de um creme que reduz 15 quilos em 3 dias e um elixir que faz crescer cabelo à velocidade da luz.. São as mais recentes medidas anticrise.


 


Exploração da ignorância

 


Que a Igreja perfilhe os valores da fidelidade conjugal, da abstinência sexual, da procriação e a anticoncepção natural (??), pregue e evangelize as populações, é um direito que lhe assiste. Só a segue quem quer.


 


Mas que afirme que Não se resolve o problema da sida com a distribuição de preservativos. Pelo contrário, o seu uso agrava o problema. é desinformação, cujas consequências poderão ser desastrosas.


 


A prevenção é sempre melhor estratégia do que apenas a terapêutica, para qualquer doença. Para uma doença infecto-contagiosa, evitar a exposição e, quando isso não é possível, proteger quem pode estar em risco (todos podemos, é importante não esquecer isso) são as melhores alternativas.. É essa a filosofia das vacinas, da poliomielite ao HPV, da Hepatite B à tuberculose.


 


O preservativo é um método de barreira comprovadamente eficaz na redução da infecção por HIV.


 


Não se pede ao Papa nem à Igreja que neguem os seus valores ou que desistam dos seus conselhos. Mas não se pode tolerar o engano objectivo e premeditado das populações. A fé não pode ser desculpa para a exploração da ignorância alheia.


 

15 março 2009

Combate político pré-eleitoral

 


A manifestação da CGTP foi, obviamente, uma manifestação apoiada e arregimentada pelo PCP e pelo BE, reunindo todos os descontentes com a situação nacional e internacional, todos os que sofrem com o desemprego, todos a quem este governo afrontou, pelas boas e pelas más razões. Foi esta como foram todas as outras manifestações organizadas pela CGTP.


 


Não se percebe portanto o horror de Carvalho da Silva e dos dirigentes dos partidos da oposição quando se afirma claramente os objectivos políticos desta manifestação. Tal como não se compreende a vitimização e a ofensa de José Sócrates por lhe chamarem mentiroso. A linguagem política, nas manifestações, nos debates políticos e no parlamento já há muito deixou de ser civilizada. Os cartazes e as palavras de ordem das manifestações organizadas pela CGTP são mais ou menos idênticas, desde que existem, apenas os nomes dos protagonistas mudam.


 


Foi uma grande manifestação, tal como foram as organizadas pela FENPROF. É uma forma de combate político e que tem que ser ouvido e entendido como tal.


 


Quanto aos sindicatos e ao sindicalismo continuam a ser extensões de partidos políticos em vez de se renovarem e de se reformarem para responder à crise do trabalho e dos trabalhadores, verdadeira e assustadora, que aumenta os marginalizados da sociedade, a pobreza, a revolta e a instabilidade social.


 


Para que tal fosse possível os que se dizem defensores dos direitos dos trabalhadores deveriam compreender que tem que haver uma alteração profunda na cultura do trabalho em Portugal.


                             


                                                                            


Adenda: ver também o post do DER TERRORIST.


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...