14 fevereiro 2009

O medo

 


Em relação à detenção de Geert Wilders em solo britânico, vale a pena ler Rui Bebiano e João Tunes.


 


Vão-se somando perigosos precedentes a coberto da defesa da liberdade e da democracia.


 

Telenovela

É extraordinário como se mantém a ficção de negociação entre o ME e a FENPROF. Neste momento a linha estratégica da FENPROF é recorrer aos tribunais para que os professores não cumpram a lei.


 


Vários títulos de jornais acusaram a avaliação de desempenho de inconstitucionalidades, descobrindo-se depois que essa era a opinião de Garcia Pereira que, por muito respeitada que seja, ainda está por provar. Avança-se agora com a teoria das manobras intimidatórias aos professores, porque o ME avisa da obrigatoriedade de entrega dos objectivos individuais para se proceder ao modelo simplificado de avaliação.


 


Quanto às negociações do estatuto da carreira docente, nada é aceite: nem a existência de mais escalões, nem a proposta de prémios para os melhores desempenhos.


 


Não se percebe como é possível manter esta telenovela que tem cada vez menos audiência.

A rapariga que roubava livros

 



 


O poder das palavras, o seu âmago de linimento, carícia, a sua capacidade de fazer a ponte entra a realidade e a ficção, o caminho para a sobrevivência, a capacidade de redenção e salvação.


 


É da força das palavras que trata o livro que me acompanhou nas últimas noites de insónia. Daqueles que queremos muito ler, que nos causa sofrimento e uma deliciosa tristeza, a sensação de que no meio da banalização da dor há clareiras insuspeitas de humanidade, que sempre lá estiveram mas que se revelam a quem está disposto a aceitá-las.


 


A rapariga que roubava livros é um estranho livro, em que a Morte nos vai mostrando os pesos específicos das almas que recolhe abundantemente, em plena II Grande Guerra, num bairro pobre dos arredores de Munique.


 


A linguagem poética, de uma simplicidade abrupta e pictórica, transporta-nos para o sofrimento de alemães comuns, para o dia-a-dia de quem tem um Fhürer a quem deve heil, da juventude hitleriana, das fogueiras de livros, das mortes inevitáveis, da pobreza, da fome, da amizade, da extraordinária bondade mascarada de palavras agastadas, de almas vivas e descarnadas que apenas habitam no coração dos livros, de janelas abertas para quem rouba a sua sobrevivência nas palavras.


 


Fala-nos das caves em que os homens se abrigavam das bombas, de uma rapariga de construía a sua vida a ler e a escrever, que esconjurava os seus demónios junto ao um homem de olhos de prata e com a alma sentada, com um acordeão e apetrechos de pintor.


 


Fala-nos do poder das promessas, dos judeus moribundos, de um judeu escondido entre lençóis e latas de tinta, abraçado pelos livros que recicla e escreve, pelos fragmentos de céu que imagina, pela companhia da alma de Liesel, pela partilha dos pesadelos.


 


É um estranho e um belo livro de Markus Zusak.
 

11 fevereiro 2009

A Moeda do Tempo

 



 


Distraí-me e já tu ali não estavas


vendeste ao tempo a glória do início


e na mão recebeste a moeda fria


com que o tempo pagou a tua entrada


 


Gastão Cruz - A Moeda do Tempo


Prémio Literário Casino da Póvoa - Correntes d’Escritas 2009


 

10 fevereiro 2009

Dignidade no trabalho

 



(pintura de Aleta Gudelski: Laundry Day)


 


Nesta época de crise financeira e económica, antecedida por uma época de lucros desmedidos e inexplicáveis de algumas empresas, de fusões e de despedimentos, deslocalizações e precariedade laboral, o desemprego crescente, a nova pobreza e o descontentamento social mostram à evidência que a globalização deve assentar, tal como hoje foi enfatizou Juan Somavia, Director-geral da OIT, em valores de dignidade humana e de dignidade no trabalho.


 


São necessárias acções conjuntas a nível internacional, porque a intolerância e a xenofobia já começaram a manifestar-se, arrepiando só o imaginarmos a existência de 50 milhões de desempregados. É uma época em que os oportunismos e as falências fraudulentas vão crescer, em que haverá a tentação do regresso ao trabalho de escravo.


 


Temos agora que olhar para os outros e para nós, de nos perguntarmos o que podemos fazer do nosso emprego, como é importante dignificarmos o trabalho com esforço e profissionalismo, até porque temos a capacidade de desenvolver uma actividade, de termos uma remuneração mensal e de podermos participar activamente na sociedade, o que está a ser negado a cada vez mais pessoas.


 


O trabalho é um direito de todos os cidadãos e é um dever que cumprimos para nós próprios e para os outros. Convém que não nos esquecermos desse princípio.

 

07 fevereiro 2009

Thelonius Monk

 



 


 "Round Midnight" - Thelonius Monk Quartet

Aerofone

Há uma coisa que queria dizer, antes que me esqueça:


 


Neste momento está em votação o Aerofone e o nomeados são:


acordeão, bandoneón, clarinete, fagote, flauta, gaita-de-fole, oboé, orgão, trompa, trompete e saxofone.


 


E, já agora, alguém me explica para que serve o Twitter?


 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...